J’haverei destilado minha seiva nos magníficos tonéis de carvalho
Escorrem, por tua fábrica, os brios que causaram esta transformação
Além dum mago e dum feiticeiro, anda hoje pelas ruas, um alquimista, um boticário tranqüilo e um pajé urbano, estudando a língua como um confeiteiro, e distribuindo doces por aí.
quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010
Virascer
Virascer
Virascei
Que virassó
Virascer
Virassó
Que virascerei
Virascendo
Virascer
Virasol
Que Virassou
Virassó-sei
Virascer
Que virassó
Virasei-só
Que virascerei
Virascer
Viralatei
Virascereno
Que virassó
Virascei
Virascei
Que virassó
Virascer
Virassó
Que virascerei
Virascendo
Virascer
Virasol
Que Virassou
Virassó-sei
Virascer
Que virassó
Virasei-só
Que virascerei
Virascer
Viralatei
Virascereno
Que virassó
Virascei
domingo, 17 de Janeiro de 2010
Matar na crocodilagem
Agora, eu sou
Juca Malvado
Terror das currutelas
E Barão da Ralé
O malandro
Está de volta
Juca Malvado
Terror das currutelas
E Barão da Ralé
O malandro
Está de volta
domingo, 10 de Janeiro de 2010
Forma e Conteúdo
Não tenho a menor sensibilidade
Sou, na melhor das hipóteses, um cupim
Um cupim dispondo de anos
Um destruidor insaciável
Cabeça minha de madeira solta farelos
Aumento os buracos de tamanho, adianto o serviço
Ganho desenvoltura, fico descolado
Um dia, como uma escultura saída de um bloco de mármore
Saio andando por aí
Até lá, sigo trabalhando na madeira destruindo a vilania e o roubo que é o conteúdo
Chegará o tempo de viver a imaginação da forma
Na forma da imaginação.
Sou, na melhor das hipóteses, um cupim
Um cupim dispondo de anos
Um destruidor insaciável
Cabeça minha de madeira solta farelos
Aumento os buracos de tamanho, adianto o serviço
Ganho desenvoltura, fico descolado
Um dia, como uma escultura saída de um bloco de mármore
Saio andando por aí
Até lá, sigo trabalhando na madeira destruindo a vilania e o roubo que é o conteúdo
Chegará o tempo de viver a imaginação da forma
Na forma da imaginação.
sábado, 9 de Janeiro de 2010
Antes de Apolo 1
A terra não gira, não foge do sol, não se oculta
A escuridão invade todos os espaços por um simples motivo:
À noite, nós, bem vagabundos, vivemos acima da velocidade da luz
Ela não nos toca. Nós não a vemos, como ninguém mais vê, hoje em dia, um pôr do sol.
O que eu disse é tudo verdade – podem acreditar.
A escuridão invade todos os espaços por um simples motivo:
À noite, nós, bem vagabundos, vivemos acima da velocidade da luz
Ela não nos toca. Nós não a vemos, como ninguém mais vê, hoje em dia, um pôr do sol.
O que eu disse é tudo verdade – podem acreditar.
sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010
O Castelo
Como a mente doente que defende a consciência da insanidade,
faço movimentos repetitivos com algo que deixa rastro
e me aconselho em palavras com os trajes da minha intenção
me olho no espelho, procuro usar estas roupas com elegância
reconheço a minha grossura, mas as lojas têm todos os tecidos
Pronuncio minhas cuecas.
Este texto é apenas o caminho de João e Maria.
As letras e palavras que contemplo, nem isso.
Só migalhas de pão.
faço movimentos repetitivos com algo que deixa rastro
e me aconselho em palavras com os trajes da minha intenção
me olho no espelho, procuro usar estas roupas com elegância
reconheço a minha grossura, mas as lojas têm todos os tecidos
Pronuncio minhas cuecas.
Este texto é apenas o caminho de João e Maria.
As letras e palavras que contemplo, nem isso.
Só migalhas de pão.
Marta
Ela era uma mulher com tudo que queria na mão
como se de todos os fios de seu cabelo, se tratasse
na outra mão, esta bela mulher, tinha um rabicó
Ela tinha tudo. Eu fiz uma bobagem
Ela continua tendo tudo, já deve ter prendido o cabelo.
Como um fio de cabelo arrepiado, não fiquei de fora ou fui arrancado.
Não, caí. Caí, inevitavelmente, numa piscina térmica de lágrimas e mergulhei
buscando o conforto frente aos frios dias da vida
Não sentia frio ao lado dela, mas batia queixo antes de me separar
Este banho era só para mim
Mas agora ele acabou, eu já estou seco
E retorno ao ponto de partida, com uma chance a menos
Eu podia ter descoberto o amor
Mas eu tinha de ir para o inferno!
como se de todos os fios de seu cabelo, se tratasse
na outra mão, esta bela mulher, tinha um rabicó
Ela tinha tudo. Eu fiz uma bobagem
Ela continua tendo tudo, já deve ter prendido o cabelo.
Como um fio de cabelo arrepiado, não fiquei de fora ou fui arrancado.
Não, caí. Caí, inevitavelmente, numa piscina térmica de lágrimas e mergulhei
buscando o conforto frente aos frios dias da vida
Não sentia frio ao lado dela, mas batia queixo antes de me separar
Este banho era só para mim
Mas agora ele acabou, eu já estou seco
E retorno ao ponto de partida, com uma chance a menos
Eu podia ter descoberto o amor
Mas eu tinha de ir para o inferno!
domingo, 20 de Dezembro de 2009
O Imã e a geladeira
Existe um tipo de insanidade nua aos olhos
a insanidade de um imã de geladeira
o jogo inverso de um observador do ser compelido
devolvendo-o a uma realidade distante e segura
daqueles que agem em nome de quem não se faz presente
a fúria que pede silêncio diante do primeiro esclarecimento
a interrupção sem sentido da voz da altivez
a calar e deixar tagarelar qualquer falta de sensibilidade
diante de olhos e longe de ouvidos que percebem
uma besta manca que decora como bibelô, sutilmente
um bolo de aniversário
a insanidade de um imã de geladeira
o jogo inverso de um observador do ser compelido
devolvendo-o a uma realidade distante e segura
daqueles que agem em nome de quem não se faz presente
a fúria que pede silêncio diante do primeiro esclarecimento
a interrupção sem sentido da voz da altivez
a calar e deixar tagarelar qualquer falta de sensibilidade
diante de olhos e longe de ouvidos que percebem
uma besta manca que decora como bibelô, sutilmente
um bolo de aniversário
segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009
Portfólio
Já até ensinei crocodilo a nadar, cobra a rastejar e vampiro a desaparecer na frente do espelho. É tudo curso dado.
domingo, 6 de Dezembro de 2009
Distração
Têm dias que a vida me é a tão nojenta
Que só bêbado consigo chegar ao dia seguinte
Sinto vontade de iniciar uma greve de fome
De rasgar dinheiro
E no entanto, não devo fazer nem uma coisa, nem outra
Ao contrário de todo protesto diante da insatisfação, não devo fazer nada
Para não fazer nada, devo concordar que esta é a minha prática.
Que será, principalmente
Tudo deve permanecer do mesmo jeito
E essa agressão, que chamam bom senso, é a que devo cometer contra mim mesmo toda segunda feira
Quase me convenço da importância teórica do trabalho braçal
Quase.
Escrevo ainda. Não estou tão distraído.
Que só bêbado consigo chegar ao dia seguinte
Sinto vontade de iniciar uma greve de fome
De rasgar dinheiro
E no entanto, não devo fazer nem uma coisa, nem outra
Ao contrário de todo protesto diante da insatisfação, não devo fazer nada
Para não fazer nada, devo concordar que esta é a minha prática.
Que será, principalmente
Tudo deve permanecer do mesmo jeito
E essa agressão, que chamam bom senso, é a que devo cometer contra mim mesmo toda segunda feira
Quase me convenço da importância teórica do trabalho braçal
Quase.
Escrevo ainda. Não estou tão distraído.
sábado, 5 de Dezembro de 2009
Compras
Adorável tarde de sol
Dos curtos trajes de verão
Na rua há menos poeira do que em casa
Mas ninguém, mesmo que assim
Leva o travesseiro embaixo do braço para passear
É a mim sugerido quanto ao meu temperamento
A abertura e certo desprendimento
O limite é não agir de acordo com o que se diz
Dormir na rua é um erro de suposição
E a moradia, a privada onde damos sempre a descarga
Nós podemos ir ao supermercado
Ou iniciar uma greve de fome
Dos curtos trajes de verão
Na rua há menos poeira do que em casa
Mas ninguém, mesmo que assim
Leva o travesseiro embaixo do braço para passear
É a mim sugerido quanto ao meu temperamento
A abertura e certo desprendimento
O limite é não agir de acordo com o que se diz
Dormir na rua é um erro de suposição
E a moradia, a privada onde damos sempre a descarga
Nós podemos ir ao supermercado
Ou iniciar uma greve de fome
quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
Mototurismo
Cedo acordo e me lanço sob a barraca desarmada da noite
Voa o vento ao meu redor, sentado sobre um cavalo de braços e pernas, fundidos
Tricoto em meio às velozes caixas ambulantes sobre os pontos feitos na cabeça de nossa mãe
Elas param e eu sigo, frágil e voraz, observando ao tempo que me apresenta a humanidade dos barulhentos motores dos grandes caminhões
Monstros que ultrapasso, sem medo, como faz o passageiro passando pela catraca de um coletivo.
Voa o vento ao meu redor, sentado sobre um cavalo de braços e pernas, fundidos
Tricoto em meio às velozes caixas ambulantes sobre os pontos feitos na cabeça de nossa mãe
Elas param e eu sigo, frágil e voraz, observando ao tempo que me apresenta a humanidade dos barulhentos motores dos grandes caminhões
Monstros que ultrapasso, sem medo, como faz o passageiro passando pela catraca de um coletivo.
segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Sobra só o macaco
A humanidade é uma lente nos olhos de um macaco
Quem já tirou esses óculos não se engana
Não cremos em palavras embaralhadas
E no fim das contas, apenas não enxergamos mais.
Quem já tirou esses óculos não se engana
Não cremos em palavras embaralhadas
E no fim das contas, apenas não enxergamos mais.
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Calor do sol como contracheque
Não carrego nada senão os raios que me batem no rosto
Ponho no rosto os óculos
Os venderia se não tivesse de repassar o dinheiro a terceiros
Vomitaria o almoço por um pouco de conforto
Sobre mim uma resistência apenas
Diante de um ar seco e abafado
Ando na rua sem nem um telhado que me pertença
Tudo me é emprestado, nem roupa própria possuo
Essas, aliás, não as devolvo
Arriscasse eu a enfrentar a vergonha de andar nu pelas cidades
Detido seria por atentado violento ao pudor
Só então iria para o lugar certo
Um vagabundo profissional tirando curso superior
Uma dona de casa capacitada a análise fílmica, assistindo novela
Um eqüino batizado e de sobrenome reconhecido
Uma aposta de dois infelizes entediados na praça pública
Ponho no rosto os óculos
Os venderia se não tivesse de repassar o dinheiro a terceiros
Vomitaria o almoço por um pouco de conforto
Sobre mim uma resistência apenas
Diante de um ar seco e abafado
Ando na rua sem nem um telhado que me pertença
Tudo me é emprestado, nem roupa própria possuo
Essas, aliás, não as devolvo
Arriscasse eu a enfrentar a vergonha de andar nu pelas cidades
Detido seria por atentado violento ao pudor
Só então iria para o lugar certo
Um vagabundo profissional tirando curso superior
Uma dona de casa capacitada a análise fílmica, assistindo novela
Um eqüino batizado e de sobrenome reconhecido
Uma aposta de dois infelizes entediados na praça pública
segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Eu disse. O poeta, viu.
Sem-terra não tem onde cair morto
Cidadão de bem tem o cartório
Eu disse. O poeta, viu.
Cidadão de bem tem o cartório
Eu disse. O poeta, viu.
sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
we barried sun
Nós enterramos o sol sob a escuridão sobre nossas cabeças
Meus pés tocam a superfície de uma piscina coberta
Vôo, mas acho que nado
"Pai, o vento no rosto é sonho, sabia?"
Meus pés tocam a superfície de uma piscina coberta
Vôo, mas acho que nado
"Pai, o vento no rosto é sonho, sabia?"
domingo, 20 de Setembro de 2009
Outra
A vida é uma bobagem.
Os super-mercados são a maior prova disso.
Só passar pela seção de congelados.
É uma bobagem, não importa o que digam em outros lugares.
É evidência, estamos de acordo com isso, que a vida é uma bobagem.
Tô até querendo me livrar da minha: pela popularização da eutanásia!
Pelos direitos trabalhistas dos encapuzados!
Enfim a liberdade de escolher! Livre enfim! Livre enfim!
É muita palhaçada!
Os super-mercados são a maior prova disso.
Só passar pela seção de congelados.
É uma bobagem, não importa o que digam em outros lugares.
É evidência, estamos de acordo com isso, que a vida é uma bobagem.
Tô até querendo me livrar da minha: pela popularização da eutanásia!
Pelos direitos trabalhistas dos encapuzados!
Enfim a liberdade de escolher! Livre enfim! Livre enfim!
É muita palhaçada!
Distração, que chamam “coragem”
É assim que a minha mente me engana e trapaceia.
Do desejo da eutanásia, imaginei botas natalinas sobre a lareira
E enfiada numa delas, uma seringa, com somente o “Eu”, escrito.
“Eu” de “para mim”, de “eu” mesmo e de “eutanásia”, sugestivamente.
Imaginado, meu impulso é pintar a imagem.
Sou levado a procurar uma tela usada de que não goste
E antes que perceba, fui enganado, trapaceado.
Queria eu a eutanásia, mas me vi sendo levado a pintar.
Não o fiz. Sabia muito bem o que queria.
Pintar e verbalizar é a manutenção de uma condição indesejável.
Restasse a mim um pingo de inteligência!
Escrever é uma m-e-r-d-a.
Do desejo da eutanásia, imaginei botas natalinas sobre a lareira
E enfiada numa delas, uma seringa, com somente o “Eu”, escrito.
“Eu” de “para mim”, de “eu” mesmo e de “eutanásia”, sugestivamente.
Imaginado, meu impulso é pintar a imagem.
Sou levado a procurar uma tela usada de que não goste
E antes que perceba, fui enganado, trapaceado.
Queria eu a eutanásia, mas me vi sendo levado a pintar.
Não o fiz. Sabia muito bem o que queria.
Pintar e verbalizar é a manutenção de uma condição indesejável.
Restasse a mim um pingo de inteligência!
Escrever é uma m-e-r-d-a.
sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
Fiquemos sozinhos um pouco
Há algum tipo de consolo que somente a escuridão sem estrelas do céu negro da noite oferece
Meu coração se lamenta e chora.
Meu coração se lamenta e chora.
quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Chove
Deu-se o relâmpago de uma tarde de sol
A tarde da noite durou nem um segundo
Duma madrugada à outra assistindo ao mesmo programa
Sem troca de entrevistado, sem intervalo, sem troca de assunto, sem fome, sem sono
Para trás, a minha consulta, minha reavaliação, pela segunda vez
Reagendar
A chuva que não cessou na tarde breve da noite, nas noites longas dos dias
Escrevo depois da tarde mais curta do mês
A segunda, de seu primeiro dia
A primeira já vista antes duma alvorada
E chove
Chove na madrugada.
A tarde da noite durou nem um segundo
Duma madrugada à outra assistindo ao mesmo programa
Sem troca de entrevistado, sem intervalo, sem troca de assunto, sem fome, sem sono
Para trás, a minha consulta, minha reavaliação, pela segunda vez
Reagendar
A chuva que não cessou na tarde breve da noite, nas noites longas dos dias
Escrevo depois da tarde mais curta do mês
A segunda, de seu primeiro dia
A primeira já vista antes duma alvorada
E chove
Chove na madrugada.
terça-feira, 4 de Agosto de 2009
Uma nova arte
É preciso aprender com outros aquilo que ninguém lhe ensina: a arte de ser um miserável.
segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
Projeto de homem
Eu sou a missão
Não há cativeiro, nem seqüestradores
Minha prisão é ao ar livre
Que não se confunda com condicional
Durmo com os inocentes, ando com os presos
Sou minoria
Sociólogos escrevem teses resolvendo meus problemas
Sou excluído, valho ouro para os entediados com consciência social
Sou bandeira, abro alas para os engajados do mundo
Sou criança, tenho de comer tudo até limpar o prato
Não tenho mãe, jamais serei pai
Somos todos estranhos andando pela rua
Agrado a um dos transeuntes por toda eternidade
Sou educado
Acho que gentileza é comer além da conta e ficar pesado
Deixo a turma do sopão feliz e continuo sendo bem-vindo
Ai de mim não voltar!
Como se eu não vivesse perto da bacia do rio
Fosse pescador, fosse qualquer coisa
Não, serei engajado, lutarei contra moinhos de vento
Venderei a alma por uma visão
Serei a missão de outros
Inclusão, exclusão, eu ainda não fui incluído
Demando de um número maior de militantes e simpatizantes para requerer incentivo
Não me tornei próspero, sou vítima do sistema
Cá estou eu, amigos, com esperança de me desenvolver como humano
Longe da criminalidade e também da prostituição – embora eu já tenha me aventurado
Vendo-me bem, escondo as avarias
Com elas, é outro nível de comprometimento social
Saímos do bifê, vamos às refeições de hospital
Onde se pode experimentar e tomar soro ao mesmo tempo
Percebo minhas roupas, é verde para todo lado e sinto frio na bunda
Engajados do mundo: uní-vos (por mim)
Nos fornos das confeitarias não se pergunta se o pão quer crescer,
Se joga fermento e ponto
Fosse um homem, em lugar da casca grossa do pão, reticências
A impossibilidade da escolha e a certeza da inevitabilidade
Os planos de outrem me incluindo e alcançando
Um conjunto de elementos no quadro negro tornando-se maior
Ser devorado, absorvido, sem dar o grito mudo que atravessa o corpo achando um lugar diferente
O sepultamento de ser acrescido sem distinção
A distancia do homem diante dos olhos do engajado
E a proximidade vista nele da concepção do idealista.
Não há cativeiro, nem seqüestradores
Minha prisão é ao ar livre
Que não se confunda com condicional
Durmo com os inocentes, ando com os presos
Sou minoria
Sociólogos escrevem teses resolvendo meus problemas
Sou excluído, valho ouro para os entediados com consciência social
Sou bandeira, abro alas para os engajados do mundo
Sou criança, tenho de comer tudo até limpar o prato
Não tenho mãe, jamais serei pai
Somos todos estranhos andando pela rua
Agrado a um dos transeuntes por toda eternidade
Sou educado
Acho que gentileza é comer além da conta e ficar pesado
Deixo a turma do sopão feliz e continuo sendo bem-vindo
Ai de mim não voltar!
Como se eu não vivesse perto da bacia do rio
Fosse pescador, fosse qualquer coisa
Não, serei engajado, lutarei contra moinhos de vento
Venderei a alma por uma visão
Serei a missão de outros
Inclusão, exclusão, eu ainda não fui incluído
Demando de um número maior de militantes e simpatizantes para requerer incentivo
Não me tornei próspero, sou vítima do sistema
Cá estou eu, amigos, com esperança de me desenvolver como humano
Longe da criminalidade e também da prostituição – embora eu já tenha me aventurado
Vendo-me bem, escondo as avarias
Com elas, é outro nível de comprometimento social
Saímos do bifê, vamos às refeições de hospital
Onde se pode experimentar e tomar soro ao mesmo tempo
Percebo minhas roupas, é verde para todo lado e sinto frio na bunda
Engajados do mundo: uní-vos (por mim)
Nos fornos das confeitarias não se pergunta se o pão quer crescer,
Se joga fermento e ponto
Fosse um homem, em lugar da casca grossa do pão, reticências
A impossibilidade da escolha e a certeza da inevitabilidade
Os planos de outrem me incluindo e alcançando
Um conjunto de elementos no quadro negro tornando-se maior
Ser devorado, absorvido, sem dar o grito mudo que atravessa o corpo achando um lugar diferente
O sepultamento de ser acrescido sem distinção
A distancia do homem diante dos olhos do engajado
E a proximidade vista nele da concepção do idealista.
Benfeitorias do engajamento
Os suicidas precisam fazer terapia. É importante levar ao divã toda e qualquer suspeita de que até mesmo tudo que é bom, é simplesmente desagradável. É preciso, ao suicida, essa certeza da qual não se pode duvidar. Mais uma força de expressão do vocábulo que inventa a linguagem da vida.
É simplesmente decepcionante dizer qualquer coisa. Seguir adiante nem caracteriza fuga. Importante que não estamos plantados. Sair incomodado é a única resposta, a única alternativa sensata diante da loucura do mundo.
Uma saída ingrata e silenciosa, planejada e inquieta, cheia de ansiedade, de desejo, de libertação. Eu saio, mas quem se ver diante de mim que fique longe da minha cabeça.
O tamanho do mundo e especialmente sua forma, não permite fica suspenso sobre um ponto qual o pêndulo de um relógio.
Enfrentar situações: enfrentar pessoas.
Que se exige de mim! Carregar lembrança do outro para perdoá-lo como se eu mesmo não precisasse me provar a todo momento!
Se exige de mim o dever, não o caráter! Pro inferno com este: tudo pela camaradagem.
Dedicação que tenho e tive, sujeita a uma preguiça de não recomeçar como se eu não estivesse pronto para mais isso. Como se não fosse forte o bastante. Não temo: o fim é onde eu começo!
Tudo passa na minha frente, dou um passo quando quiser, se não, deixo que passe, estou sempre começando. Persevero, de meu passeio, a diversidade do lixo e da santidade. A penosa tarefa da seleção sem término, com quase sempre pouco ou insuficiente gozo, a evaporar qualquer indesejável força de hábito, qualquer iniciativa utilitária ou altruísmo afobado expresso quando não olhamos ou simplesmente ignoramos a vontade de nossos queridos a qual a razoável segurança que nos acometem, permite que realizemos a petulância de presumir sem sondar, esperando pela plena satisfação do estômago de outrem bem como a prontidão da boca a próxima colherada (...) desgraça (...)
Que me hajam cotas!
Eu sou a missão (de outros).
É simplesmente decepcionante dizer qualquer coisa. Seguir adiante nem caracteriza fuga. Importante que não estamos plantados. Sair incomodado é a única resposta, a única alternativa sensata diante da loucura do mundo.
Uma saída ingrata e silenciosa, planejada e inquieta, cheia de ansiedade, de desejo, de libertação. Eu saio, mas quem se ver diante de mim que fique longe da minha cabeça.
O tamanho do mundo e especialmente sua forma, não permite fica suspenso sobre um ponto qual o pêndulo de um relógio.
Enfrentar situações: enfrentar pessoas.
Que se exige de mim! Carregar lembrança do outro para perdoá-lo como se eu mesmo não precisasse me provar a todo momento!
Se exige de mim o dever, não o caráter! Pro inferno com este: tudo pela camaradagem.
Dedicação que tenho e tive, sujeita a uma preguiça de não recomeçar como se eu não estivesse pronto para mais isso. Como se não fosse forte o bastante. Não temo: o fim é onde eu começo!
Tudo passa na minha frente, dou um passo quando quiser, se não, deixo que passe, estou sempre começando. Persevero, de meu passeio, a diversidade do lixo e da santidade. A penosa tarefa da seleção sem término, com quase sempre pouco ou insuficiente gozo, a evaporar qualquer indesejável força de hábito, qualquer iniciativa utilitária ou altruísmo afobado expresso quando não olhamos ou simplesmente ignoramos a vontade de nossos queridos a qual a razoável segurança que nos acometem, permite que realizemos a petulância de presumir sem sondar, esperando pela plena satisfação do estômago de outrem bem como a prontidão da boca a próxima colherada (...) desgraça (...)
Que me hajam cotas!
Eu sou a missão (de outros).
domingo, 26 de Julho de 2009
(...) 2
* Como um cachorro escondendo um osso, nós enterramos o sol
Enquanto tivermos a noite, guardaremos o dia para mais tarde.
Uma pena. Cansa ficar sentado tomando soro.
* Nada importavam os outros, segundo ela.
Sem saber o motivo, então, eu recebia aquele jogo de palavras em inglês.
O "so sorry" se metamorfoseava a medida que se aportuguesava.
Houveram duas outras palavras entre a original e a definitiva, que revelou ser "sorri!"
O desenvolvimento registrado a priori ilustrando a origem de uma reação "espontânea".
Ela já estava tão longe, ninguém mais importava, mas de alguma forma, eu ainda era digno daquela generosidade.
Enquanto tivermos a noite, guardaremos o dia para mais tarde.
Uma pena. Cansa ficar sentado tomando soro.
* Nada importavam os outros, segundo ela.
Sem saber o motivo, então, eu recebia aquele jogo de palavras em inglês.
O "so sorry" se metamorfoseava a medida que se aportuguesava.
Houveram duas outras palavras entre a original e a definitiva, que revelou ser "sorri!"
O desenvolvimento registrado a priori ilustrando a origem de uma reação "espontânea".
Ela já estava tão longe, ninguém mais importava, mas de alguma forma, eu ainda era digno daquela generosidade.
sábado, 25 de Julho de 2009
(...)
Não sinto falta da minha doença
Mas é preciso reconhecer isso para escrever alguma coisa
Antes seja isso do que possa haver alguma dúvida
Não são mais os sintomas que me fazem empunhar a caneta
Nem há qualquer prazer em ser lido
Fazia-o por questão de sobrevivência
Não se coloca a alma para fora quando se escreve
A alma é a própria tinta colorida no papel, não o que se entende dela
Já a folha é o mundo
Seu tom, textura e peso pouco importam contanto que se possa fixar tinta nela
No caso do mundo, a mim, é estar nele ou no universo
Mas o corpo, isto é, a pele, como a cor da tinta, não é
No papel, a cor do papel é como a cor da tinta
Não importa. Retorna, forma sua subjetividade
E leva essa poesia ao mundo, ao papel
É o mundo e a subjetividade sem o homem
O papel e a tinta sem o escritor
E escrevo para me livrar disso.
Mas é preciso reconhecer isso para escrever alguma coisa
Antes seja isso do que possa haver alguma dúvida
Não são mais os sintomas que me fazem empunhar a caneta
Nem há qualquer prazer em ser lido
Fazia-o por questão de sobrevivência
Não se coloca a alma para fora quando se escreve
A alma é a própria tinta colorida no papel, não o que se entende dela
Já a folha é o mundo
Seu tom, textura e peso pouco importam contanto que se possa fixar tinta nela
No caso do mundo, a mim, é estar nele ou no universo
Mas o corpo, isto é, a pele, como a cor da tinta, não é
No papel, a cor do papel é como a cor da tinta
Não importa. Retorna, forma sua subjetividade
E leva essa poesia ao mundo, ao papel
É o mundo e a subjetividade sem o homem
O papel e a tinta sem o escritor
E escrevo para me livrar disso.
quinta-feira, 11 de Junho de 2009
pau brasil
Eu sou Fulano do Universo
para falar comigo, você tem que rezar
Não dou gás para esse fogo
Apesar de adorar pessoas que se colocam na arena e vivem a nos lembrar as regras do combate, renuncio!
Importar é fazer alguém exportador
Minha tia, minha mãe
vão para o inferno, tiram fotografias
Os adornos mais belos do ser com certidão de registro
Levam os coelhos pelas orelhas, morrem afogados
Espalho com o rodo sobre o papel
A podridão do mundo
Sou brasileiro
Do pau brasil só restou a brasa
minha nacionalidade é meu emprego
sou brasileiro
o carvão é minha herança
Descobri minha vocação no canil
distante dos espiritualistas de Três Coroas
catava merda no chão dos cercados
e despejava água sanitária como champagne sobre a pele de cimento
Não precisei meditar
A sintonia entre interior e exterior foi completa e consciente
Não havia risco de perdê-la ou não assimilá-la
300kg de merda compraram minha passagem ao Nirvana
Aperfeiçoar-se é apenas uma forma diferente de retirar de dentro de si toda a merda deste mundo.
para falar comigo, você tem que rezar
Não dou gás para esse fogo
Apesar de adorar pessoas que se colocam na arena e vivem a nos lembrar as regras do combate, renuncio!
Importar é fazer alguém exportador
Minha tia, minha mãe
vão para o inferno, tiram fotografias
Os adornos mais belos do ser com certidão de registro
Levam os coelhos pelas orelhas, morrem afogados
Espalho com o rodo sobre o papel
A podridão do mundo
Sou brasileiro
Do pau brasil só restou a brasa
minha nacionalidade é meu emprego
sou brasileiro
o carvão é minha herança
Descobri minha vocação no canil
distante dos espiritualistas de Três Coroas
catava merda no chão dos cercados
e despejava água sanitária como champagne sobre a pele de cimento
Não precisei meditar
A sintonia entre interior e exterior foi completa e consciente
Não havia risco de perdê-la ou não assimilá-la
300kg de merda compraram minha passagem ao Nirvana
Aperfeiçoar-se é apenas uma forma diferente de retirar de dentro de si toda a merda deste mundo.
domingo, 29 de Março de 2009
quarta-feira, 25 de Março de 2009
A expectativa das pedras e o inocente olhar do condenado
Nem um rolo de palavras mágicas!
Assim escolhi Pedro para que numa receita de bolo eu quebrasse o seu encanto
Num recorte de curiosidades, indiferente, antecipou-se
Pouco haveria sido, mas não prosseguiu
A expectativa das pedras cercaram-no de atenção
E então, Pedro, sentiu-se a vontade para mergulhar em seu próprio lago
Nenhuma resposta procurava em particular
Apenas concordava em mergulhar e não voltar até achar algo, ilustrando seu silêncio
Mas neste campo de bruxas e pagãos, quem conhece todos encantamentos?
Pedro deitou-se com as palavras e elas germinaram no decoro de sua paciência
A raiva de si mesmo diante das pedras a colorir o seu pesadelo
O verde e rosa, impresso em suas pupilas, sem nunca terem sido carregados
E a fragilidade do sopro em preto e branco da verdade
Ofuscado e calado pela escolha que o relega ao desinteresse
Pedro sentiu vontade de falar e cantar outra coisa
Mas parecia impróprio interromper o deleite dos curiosos
E sua boa vontade encheu-se ainda mais de cólera
Para que existes, Pedro? É preciso coragem diante da vida. Para onde vais tão machucado?
Pedro não respondeu. Não era do seu perfil dizer nada.
Era capaz de andar quando não lhe ajudavam, caminhava pelas ruas pavimentadas
Com um rifle enferrujado de mira torta, pendurado nas costas
Quando aproximava-se de alguma aldeia, então, Pedro, não largava o rifle
Mas aproveitava para acertar o passo e o ritmo da marcha
Ao ser recebido pelos moradores que caminhavam ao seu lado.
Poucos que eram numa vila que terminava no fim da rua, de tempos em tempos
Caminhava Pedro sozinho, ao tentar encontrar a rua sem fim, uma cidade-espetáculo.
Pedro ferido!
Onde?! Alguém poderia ver ou perceber os esparadrapos através de suas calças?
Mancha de sangue escorrendo pelo vazio do silêncio
E a suposição do tiro tomado, sugerido pelas roupas camufladas e o porte do rifle
A desvanecer qualquer indício honroso da hemofilia.
Assim escolhi Pedro para que numa receita de bolo eu quebrasse o seu encanto
Num recorte de curiosidades, indiferente, antecipou-se
Pouco haveria sido, mas não prosseguiu
A expectativa das pedras cercaram-no de atenção
E então, Pedro, sentiu-se a vontade para mergulhar em seu próprio lago
Nenhuma resposta procurava em particular
Apenas concordava em mergulhar e não voltar até achar algo, ilustrando seu silêncio
Mas neste campo de bruxas e pagãos, quem conhece todos encantamentos?
Pedro deitou-se com as palavras e elas germinaram no decoro de sua paciência
A raiva de si mesmo diante das pedras a colorir o seu pesadelo
O verde e rosa, impresso em suas pupilas, sem nunca terem sido carregados
E a fragilidade do sopro em preto e branco da verdade
Ofuscado e calado pela escolha que o relega ao desinteresse
Pedro sentiu vontade de falar e cantar outra coisa
Mas parecia impróprio interromper o deleite dos curiosos
E sua boa vontade encheu-se ainda mais de cólera
Para que existes, Pedro? É preciso coragem diante da vida. Para onde vais tão machucado?
Pedro não respondeu. Não era do seu perfil dizer nada.
Era capaz de andar quando não lhe ajudavam, caminhava pelas ruas pavimentadas
Com um rifle enferrujado de mira torta, pendurado nas costas
Quando aproximava-se de alguma aldeia, então, Pedro, não largava o rifle
Mas aproveitava para acertar o passo e o ritmo da marcha
Ao ser recebido pelos moradores que caminhavam ao seu lado.
Poucos que eram numa vila que terminava no fim da rua, de tempos em tempos
Caminhava Pedro sozinho, ao tentar encontrar a rua sem fim, uma cidade-espetáculo.
Pedro ferido!
Onde?! Alguém poderia ver ou perceber os esparadrapos através de suas calças?
Mancha de sangue escorrendo pelo vazio do silêncio
E a suposição do tiro tomado, sugerido pelas roupas camufladas e o porte do rifle
A desvanecer qualquer indício honroso da hemofilia.
domingo, 22 de Março de 2009
Começo, fundo do mar. Meio. Sei lá, porra
E se estivéssemos em meio ao fundo do mar sobre uma bola de sinuca...? Tentaríamos nadar, mas voaríamos. Pensaríamos num cachimbo e veríamos um Magritte.
sexta-feira, 20 de Março de 2009
segunda-feira, 9 de Março de 2009
Acontece
Me ensinaram a chorar por tristeza
E a gemer quando em agonia
E que tudo que eu desejava
Não me cabia
Ensinaram que o mundo era sério demais
Para ser feliz
E pensei que era eu que não me esforçava
Mas isso não era nada
O mundo se dobrara ao meio
Para nunca mais voltar ao que era antes
Como um menino
Que aprendeu que chorar por tristeza
E a gemer quando em agonia
Era belo e impossível de evitar
Mas você poderia
Acontece que agora eu descobri um caminho
Que eu podia mudar as palavras e o que sentia
A tristeza que um dia me fizera chorar
A alegria a fazer o mesmo retornar
E o gemido do nosso prazer a espantar a agonia
Chore na cama sempre que puder de prazer e de alegria
Porque o mundo inteiro se pudesse, também o faria
Ah, se eu pudesse mudar todo o mundo
Ah, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo, isso me custaria
*Viva Cartola! (título original de "Acontece")
E a gemer quando em agonia
E que tudo que eu desejava
Não me cabia
Ensinaram que o mundo era sério demais
Para ser feliz
E pensei que era eu que não me esforçava
Mas isso não era nada
O mundo se dobrara ao meio
Para nunca mais voltar ao que era antes
Como um menino
Que aprendeu que chorar por tristeza
E a gemer quando em agonia
Era belo e impossível de evitar
Mas você poderia
Acontece que agora eu descobri um caminho
Que eu podia mudar as palavras e o que sentia
A tristeza que um dia me fizera chorar
A alegria a fazer o mesmo retornar
E o gemido do nosso prazer a espantar a agonia
Chore na cama sempre que puder de prazer e de alegria
Porque o mundo inteiro se pudesse, também o faria
Ah, se eu pudesse mudar todo o mundo
Ah, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo, isso me custaria
*Viva Cartola! (título original de "Acontece")
terça-feira, 3 de Março de 2009
frases estupradas
Não existe loucura de linha tão tênue e de fácil dissolução quanto qualquer atividade civilizada.
***
Não se pode culpar as perturbações que enganam como as mais verdadeiras coisas do mundo.
***
Ser o vento dentro de um copo d’água.
***
Outdoors, portas giratórias, que saudade dos ladrões de banco!
***
A comida deu um embrulho no estômago. Pastava há menos de quatro horas. Rumina, então.
***
Não se pode culpar as perturbações que enganam como as mais verdadeiras coisas do mundo.
***
Ser o vento dentro de um copo d’água.
***
Outdoors, portas giratórias, que saudade dos ladrões de banco!
***
A comida deu um embrulho no estômago. Pastava há menos de quatro horas. Rumina, então.
Milagre! (da civilização) II
Intransponível retrata melhor a sensação de eterna impotência do insight. Melhor do que "desumanização do espaço por profundidade física do mesmo". A impotência é de ir até onde se finda o espaço, como se ir até a parede, do centro de um lugar, fosse impossível. Mesmo sair deste mesmo lugar fosse da mesma forma. O espaço ganha um relevo arredondado e cheio. Estas coisas inalcansáveis atrás deste espaço instranponível. Há incapacidade de significação. Selva iluminada como meio do mato invadido por raio de sol e verde! Muito verde! Com toda essa natureza abundante, rica, parece haver tão pouco espaço disponível. Insetos, galhos, possíveis lagartos tocando meu semelhante enquanto ele sonha acordado, em pé sobre folhas, delirante, enfeitiçado, sem saber se o que o toca ou anda por si, é carne ou madeira.
Fala (sim, eu sei que ele está falando) o inimaginável (da perspectiva, se me perguntas, coca-cola com azeite de leite de cabra: sentido algum!), o inconsiderável nestas bandas onde toda e qualquer imaginação, invenção, é indesculpável.
Insetos, lagartos, se escondendo sob mexas de seus cabelos?! E tudo numa tranquilidade, uma paz divina que denota a distração quanto a caracterização do cenário que eu vejo e descrevo?! Insetos, répteis, agourando a morte dos urubus em selvagem morbidez. Entro, saio, o que é o quê? Pavor! Observo enquanto devo - adivinho! - numa perspectiva semelhante. Ah, pavor! Pavor! Saiam pragas! Pragas, saiam! Fujo do que e ir para onde se isto é tudo?
Fiasco (...) saio em retirada, gritando talvez, tirando a roupa, certamente, correndo da morte que carrego, dos vermes e insetos que sou moradia.
Pânico! Refresco suas residências! - enquanto o professor acalma os alunos.
Retorno - sem aviso de despejo e sem saber quando a selva me visitará de novo.
Fala (sim, eu sei que ele está falando) o inimaginável (da perspectiva, se me perguntas, coca-cola com azeite de leite de cabra: sentido algum!), o inconsiderável nestas bandas onde toda e qualquer imaginação, invenção, é indesculpável.
Insetos, lagartos, se escondendo sob mexas de seus cabelos?! E tudo numa tranquilidade, uma paz divina que denota a distração quanto a caracterização do cenário que eu vejo e descrevo?! Insetos, répteis, agourando a morte dos urubus em selvagem morbidez. Entro, saio, o que é o quê? Pavor! Observo enquanto devo - adivinho! - numa perspectiva semelhante. Ah, pavor! Pavor! Saiam pragas! Pragas, saiam! Fujo do que e ir para onde se isto é tudo?
Fiasco (...) saio em retirada, gritando talvez, tirando a roupa, certamente, correndo da morte que carrego, dos vermes e insetos que sou moradia.
Pânico! Refresco suas residências! - enquanto o professor acalma os alunos.
Retorno - sem aviso de despejo e sem saber quando a selva me visitará de novo.
segunda-feira, 2 de Março de 2009
Milagre! (da civilização)
Desuminazação do espaço por profundidade intransponível.
Uma selva iluminada!
Milagre sob luzes fluorescentes! Milagre!
Uma selva iluminada!
Milagre sob luzes fluorescentes! Milagre!
domingo, 1 de Março de 2009
sobre as estrelas
Quanto aos planetas distantes, estão lá, dou de ombros
flutuo ou esmago meus pés.
Ao escrever bem acomodado diante da mesa
santo, sento e sinto
sobre as estrelas
flutuo ou esmago meus pés.
Ao escrever bem acomodado diante da mesa
santo, sento e sinto
sobre as estrelas
Album de fotografias
A lápide de meus vinte e três anos
Tanta vida, tanta morte, tanto engano...
e tudo numa fome tão cega, numa intensidade tão louca
para ficar agora diante de sua tumba que com o vigor dos anos
seca e espalha suas flores...
Envelhece no mármore a eterna jovialidade em sua fotografia.
Tanta vida, tanta morte, tanto engano...
e tudo numa fome tão cega, numa intensidade tão louca
para ficar agora diante de sua tumba que com o vigor dos anos
seca e espalha suas flores...
Envelhece no mármore a eterna jovialidade em sua fotografia.
sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
O crítico/artista
O artista, assim como a crítica, é uma espécie de antropólogo de objetos ainda sem história, mas com valor de natureza idêntica. A subjetividade faz pela obra de arte o que os anos fazem pelas antiguidades, mas ao contrário do tempo necessário de centenas, milhares ou milhões de anos decorridos com a antiguidade, com a obra de arte esse "efeito" - se assim se pode chamar - acontece imediatamente, e já existe antes ainda do artista considerá-la concluída. Logo, toda arte é fundamentalmente ordinária.
A alma e o violão
Conversando com uma evangélica há pouco tempo afirmei ser fervorosamente ateu. Diante de tal perplexidade, ela me perguntou então para onde eu haveria de ir "depois". Apontei para o chão, naturalmente, acrescentando que iria para debaixo da terra se não fosse servido de comida a outros animais. Ela se explicou, reformulando a pergunta, dizendo que o que eu me referia era ao corpo e ela estava perguntando da alma, para onde haveria ela de ir depois. Diante desse dogma me lembrei do meu primeiro violão, o qual, certa vez, segurando pelo braço, destruí ao usá-lo contra a parede como um taco de beisebol, deixando-o em pedaços, mas nunca ninguém me perguntou depois disso para onde teria ido a sua música.
sábado, 17 de Janeiro de 2009
De preso a diretor da prisão
Enxugo meu rosto em toalha morna
Xingo meus velhos amigos em filmes sem final
Que hora boa para sobrepor coisas sobre as do fundo do baú antes de jogá-lo da janela
Ninguém há de me condenar o ato
É sempre digna de agradecimento qualquer doação para a construção de calçadas na repartição da prefeitura.
Acho ter descoberto algo. Ah, que ruim amigo, que ruim pra você, que ruim pra toda turma, que ruim pra todo mundo. Acho todas as outras crianças idiotas. Mais ainda, tenho nojo e me engasgo com a ânsia.
Olhar para o chão sempre me remeteu a um passeio pelas montanhas quando tinha um carrinho à mão, após um empurrão.
E dos tijolos formaram-se garagens, paredes e propriedades.
Adão e Marginal não trazem mais o gado pra pastar sob argumento de não-utilização da terra. O lúdico torna perdoável qualquer falta com a gentileza e embora apenas sorria, sujando minhas mãos de barro, verdadeiramente, em nada me importa para onde será conduzida essa tropa de malandros e otários.
Ergui guarnições e enrolo no café o dia inteiro. Não há tiro de advertência pra quem ultrapassa o perímetro. Só na cabeça!
Xingo meus velhos amigos em filmes sem final
Que hora boa para sobrepor coisas sobre as do fundo do baú antes de jogá-lo da janela
Ninguém há de me condenar o ato
É sempre digna de agradecimento qualquer doação para a construção de calçadas na repartição da prefeitura.
Acho ter descoberto algo. Ah, que ruim amigo, que ruim pra você, que ruim pra toda turma, que ruim pra todo mundo. Acho todas as outras crianças idiotas. Mais ainda, tenho nojo e me engasgo com a ânsia.
Olhar para o chão sempre me remeteu a um passeio pelas montanhas quando tinha um carrinho à mão, após um empurrão.
E dos tijolos formaram-se garagens, paredes e propriedades.
Adão e Marginal não trazem mais o gado pra pastar sob argumento de não-utilização da terra. O lúdico torna perdoável qualquer falta com a gentileza e embora apenas sorria, sujando minhas mãos de barro, verdadeiramente, em nada me importa para onde será conduzida essa tropa de malandros e otários.
Ergui guarnições e enrolo no café o dia inteiro. Não há tiro de advertência pra quem ultrapassa o perímetro. Só na cabeça!
domingo, 11 de Janeiro de 2009
...
Levantar pesos: medidas de cálculo e circunferência de bíceps, tríceps e o diabo a quatro. Não é nenhuma excentricidade minha a curiosidade, mas ultimamente indago-me sobre a possibilidade de supor ou fazer um cálculo aproximado da quantidade de ousadia disposta, manifesta e imaginada, a partir de uma ciência consolidada de bem estar, de tal forma a evitar qualquer hesitação ao traduzí-la num sorriso, pela força centrífuga interna de expulsar qualquer possível invasão entre o impulso e a ameaça constante dos que às vezes não vêem o fundo do espelho... na própria superfície.
Agradável surpresa
Eu quero morar num barco! Um veleiro! Meu jardim pode ser uma marina. Vivo na terra! Barco pra quê?! Duas palavras: planeta água. Preciso de uma moto. E de um avião. Um ultraleve. Um anfíbio. Ou se terra então for, um trailer!
Sonhos... estão de volta.
Sonhos... estão de volta.
Lâmpada
O homem que se torna pai ou a mulher que se torna mãe, tem sempre potencial natural, no que diz respeito a seus descendentes, para tornar duas existências inúteis. Como se o pai ou a mãe estivessem passeando por um parque com o descendente e tropeçasse numa lâmpada mágica com um gênio dentro e este concedesse a cada um, um único desejo. A criança, pela impaciência e quantidade de sonhos da idade, pede rapidamente para ser líder de uma banda mundialmente famosa, sendo prontamente atendida. O responsável que o acompanha, por não ter imaginado o pedido do descendente e ter ficado um pouco decepcionado, trata logo de concertar o equívoco e pede ao mesmo gênio, como único desejo que tem direito, que o filho ou filha, volte a ser como antes. Atendido, ele espera poder continuar seu passeio tranquilamente.
Está claro que os outros não deveriam, nessa concepção, ter a capacidade de fazer coisas que nós não imaginamos que suas escolhas os levariam a fazer. Que triste visão do outro a impressão de que ele está diante de um jogador trapaceiro que movimenta peças no tabuleiro quando ele está distraído! Cito esse exemplo pois somente isso poderia justificar a insana sensação de direito que tem essa pessoa de retroceder o movimento do outro, causando perplexidade e confusão onde tudo acontece muito tranquilamente, e tornar as coisas no que elas já deixaram de ser, esperando que o outro prossiga dali como se nada tivesse acontecido.
Ora, haja paciência! Não se senta na mesa com esses tipos...
Está claro que os outros não deveriam, nessa concepção, ter a capacidade de fazer coisas que nós não imaginamos que suas escolhas os levariam a fazer. Que triste visão do outro a impressão de que ele está diante de um jogador trapaceiro que movimenta peças no tabuleiro quando ele está distraído! Cito esse exemplo pois somente isso poderia justificar a insana sensação de direito que tem essa pessoa de retroceder o movimento do outro, causando perplexidade e confusão onde tudo acontece muito tranquilamente, e tornar as coisas no que elas já deixaram de ser, esperando que o outro prossiga dali como se nada tivesse acontecido.
Ora, haja paciência! Não se senta na mesa com esses tipos...
quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008
(...)
O além é aqui. Nenhum outro lugar.
Olha quem quiser. Não olha quem não quer, sendo olhado.
Paranóia, paranóia...
Olha quem quiser. Não olha quem não quer, sendo olhado.
Paranóia, paranóia...
segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008
A ponte como diagnóstico
Vejo ao lado da inocência, na ponte da imaginação, a maturidade que me olha e sorri do outro lado. Quanto ficou de ti aí? Depois de enviar-me tantos presentes? Não peso. Ao fazer isso me escapa por momento tua gentileza. Sai de mim a inocência servil. Encontra-se parte dela, do outro lado, e mais longe ainda. Torna poeira e cinzas de defunto. Nenhuma ponte a ser atravessada! Apenas uma ponte vista e nenhuma a ser atravessada. Que maravilha já estar aqui nesse lado! E tampouco a maturidade que brota, me toma e fala por mim, como agora, como a tinta da caneta dirigida pelo jogo do copo. Não necessitar da ponte... isso é novo. Está fresquinho. Aparentemente, pontes são inúteis quando não há vão que as justifique construção.
Gosto deste lado e desejo-o mais ainda. Sinto saudade quando algo me escapa. Para mim, é claro, compreensível, mas quem me ouve dizer ou me lê, como fazer-me claro dizendo que o fato de permanecer no mesmo lado trouxe à realidade todo o benefício que eu imaginei, sonhei e persegui desesperadamente, angustiado com a travessia? A ponte é um sintoma doentil. Como tal, devemos manifestá-lo, não como iniciativa autônoma em relação a algo em particular, mas como um pedido de socorro extremamente discreto, ingênuo. Vai saber... a esperança diz que sempre haverá um médico por perto.
Gosto deste lado e desejo-o mais ainda. Sinto saudade quando algo me escapa. Para mim, é claro, compreensível, mas quem me ouve dizer ou me lê, como fazer-me claro dizendo que o fato de permanecer no mesmo lado trouxe à realidade todo o benefício que eu imaginei, sonhei e persegui desesperadamente, angustiado com a travessia? A ponte é um sintoma doentil. Como tal, devemos manifestá-lo, não como iniciativa autônoma em relação a algo em particular, mas como um pedido de socorro extremamente discreto, ingênuo. Vai saber... a esperança diz que sempre haverá um médico por perto.
Queima de estoque
A morte do ponto de vista ocidental.
Corpo sobre a mesa com uma etiqueta no dedão do pé qual a última camiseta adquirida na liquidação.
Queimar os corpos até o fim em público, na Índia, como se fosse lenha, sempre será mais digno.
Corpo sobre a mesa com uma etiqueta no dedão do pé qual a última camiseta adquirida na liquidação.
Queimar os corpos até o fim em público, na Índia, como se fosse lenha, sempre será mais digno.
ser e fazer
Observando pelo viés da beleza da tragédia e da poética da dramaturgia sobre a qual não se tem domínio, minha vida não foi mais difícil do que eu romantizava que fosse. Tenho exatamente aquilo de que necessitava. Não por sentir prazer em sofrer. Mas por ser exatamente aquele que contra tudo isso sempre se opôs. Tornar-se sempre foi apenas um caminho.
segunda-feira, 10 de Novembro de 2008
Ensaio sobre o belo II
O que chamamos nós de homem permanece tão “louco” para fazer sentido quanto na época pré-histórica cujas escavações já revelaram ossos reunidos, formando um círculo, na tentativa do homem da época de tentar comunicar alguma coisa.
Desde então tivemos uma evolução da tentativa de criar significado. Ainda não somos capazes disso, mas conseguimos criar uma forma de ficarmos diante da falta de significado das coisas que fazemos, e conseguir deixar de olhar para essas coisas.
Era preciso que aquela coisa indefinida que criamos, permitisse que ficássemos satisfeitos em não mais olhar para ela, isto é, seguir adiante e contemplar outras coisas. No entanto, a dificuldade que se apresentava era que isso não era possível pois dada a indefinição da coisa, era necessária a constante observação da mesma de forma ininterrupta pois ela poderia passar a significar algo, de uma hora para outra, quando menos se esperasse. Isso explica reações agressivas do homem da época que o faziam quebrar essas coisas quando da falta de sucesso em conseguir deixar de olhar para a coisa sem que aquilo não mais o intrigasse.
É importante notar que diante de algo que pode “mudar” de uma hora para a outra, sem aviso prévio, isto é, poder significar qualquer coisa mesmo sem ter conseguido isso até o presente momento, gera uma inquietude fulminante no homem que é o observador pois essa leitura atenta o impede de formar qualquer conceito de duração, permanência ou estabilidade acerca da chama da vida de seu próprio ser. Não se tem relevância o passado pois ele está diante de algo potencialmente novo, virgem e se sente medo do futuro, pois o surgimento de um significado desmentiria a sua subjetividade, isto é, o tornaria um objeto.
Com a utilização de linhas, cores, estilos e formas gratuitas de fabricação de todas as coisas, passamos a ter uma leitura do incompreensível diferente de antes. As coisas continuam incompreensíveis – como sempre haverá de ser – entretanto, abstraindo a importância verdadeira desse significado frente a uma possibilidade lúdica, mas mais confortável, como achar algo mais ou menos bonito, sem que haja importância do que essa coisa realmente seja e por quê seja, conseguimos encontrar um novo caminho a seguir, no qual, saber o que são as coisas não mais importa ou, menos importa, do que achá-las mais ou menos belas.
Do “o que é isso” para “é bonito isso”, o homem permitiu-se uma “folga”. E não pode-se culpá-lo por isso pois, aparentemente, esse lhe era o único caminho possível.
Ao poder definir algo como mais ou menos belo, atribuímos a qualidade de sujeito às coisas e, posteriormente, personalidade, em referência à forma e ou estilo, sobre a qual podemos falar a respeito criticamente, estabelecendo comparações. O mais importante dessa etapa é que quando as coisas passam a “ser”, elas, no entendimento do homem, páram de mudar, isto é, não estão mais em transformação – o que não é verdade – , o que acaba por tornar impossível qualquer mudança do seu “significado” desde que se lançou o último olhar sobre ela. Aí então conseguimos estabelecer uma denominação permanente sobre as coisas, de forma que o homem não precisa mais ficar atento a qualquer mudança da mesma pois ela não mais ocorrerá.
Evidente que se a coisa for um prédio, ele está em constante transformação, ininterrupta, mudando e se desgastando de acordo com as condições climáticas, chuva, vento, maresia, etc. Mas essa incompreensível constante mutação é ignorada pois o prédio passa a ser ou estar bonito, limpo, novo, e assim continuará, até que tenham havido tantas mudanças quantas forem necessárias para que ele tenha se tornado, por “eleição”, feio, sujo e velho.
O homem consegue estabelecer um relógio externo a si mesmo que lhe impede de não ver que lhe resta tempo de vida – ou de forma mais desesperadora, que ela não parou de se esvair por um segundo sequer – dada a diversidade presente encontrada nos lares, lojas e ruas.
Vendo-me diante da beleza de um prédio, tenho noção assim como meus contemporâneos, que a minha própria duração deve transcender a de vida do referido prédio. Da mesma forma, deve transcender inúmeras pinturas do mesmo, troca de placas da rua que ele se situa, revestimentos do asfalto, mudanças de lojas com as mais variadas decorações, assim como vestimentas das mais desconhecidas pessoas cujas peças têm uma vida utilitária extremamente curta, numa expectativa de dois a três anos.
Interessante observar que todos esses relógios externos se complementam e acabam por se equivaler pois são trocados, abandonados por novos, assim que “se faz necessário”, de forma que externamente, a duração de uma camiseta, com a regularidade com que é trocada, se equivaleria à duração da reforma de um edifício ou a vida útil de um automóvel.
Cada objeto nos permite ficar sem prestar atenção nele desde a última olhada por um tempo ímpar de cada espécie (material). Mas dada a presença constante da convivência mútua das mais diversas formas e durações, estabelece-se uma “média”. É essa média a responsável final pela capacidade individual do homem de olhar para coisas que ele não entende o que são, sem que isso o remeta a um estágio inicial no qual as coisas são algo que eles não compreendem e que podem passar a significar algo de uma hora para outra. O retorno a esse estágio inicial seria uma incapacidade humana de se “descolar” dos objetos pois colar-se a elas seria a forma de assegurar a própria existência até, pelo menos, o fim da existência do referido objeto, isto é, a sua decomposição.
Não diferente de um objeto, o homem seria nesse sentido algo sem subjetividade. Seria um pedaço de madeira vendo uma folha ou uma pedra se decompondo, sem ter noção exata se aquilo que está diante dos seus olhos duraria um tempo mais longo do que o da própria vida, mas esperançoso, de que não necessite encontrar uma outra coisa para usar como referência por pouca duração da primeira pois isso lhe representaria um caos definitivo.
O belo se torna linguagem. Sua abstração encoraja competições, comparações, preferências, gostos, vontades e subjetividade. Se essa abstração não pode ser mantida por algum motivo e nos vemos de volta a uma fase inicial, é natural que não consigamos sentir vontade, reconhecer gostos, preferências, ver sentido em fazer comparações ou nos engajarmos em competições, pois se trata de um idioma que nós não mais falamos e que, até aquele momento, não sabíamos que era só uma língua. Nos vemos diante de um paradoxo pois no mundo civilizado, entendemos que somos “o que somos”, e que as ferramentas das quais fazemos uso, são apenas coisas que utilizamos, que essa relação com a coisa externa, não traduz por fim quem somos ou escolhemos ser, mas são apenas coisas que utilizamos – o que se revela por um lado um equívoco, deixa claro por outro que não sabemos o que significa ser ou que extensão “ser”, representa.
Nesse sentido, ser indiferente ao belo, demonstra um certo desconhecimento ou ignorância, pois significa ser indiferente a uma parte inimaginavelmente indispensável de quem se é e da qual não se deseja abrir mão. Assim, o belo se afirma não como a construção da civilização, mas como ela própria.
Desde então tivemos uma evolução da tentativa de criar significado. Ainda não somos capazes disso, mas conseguimos criar uma forma de ficarmos diante da falta de significado das coisas que fazemos, e conseguir deixar de olhar para essas coisas.
Era preciso que aquela coisa indefinida que criamos, permitisse que ficássemos satisfeitos em não mais olhar para ela, isto é, seguir adiante e contemplar outras coisas. No entanto, a dificuldade que se apresentava era que isso não era possível pois dada a indefinição da coisa, era necessária a constante observação da mesma de forma ininterrupta pois ela poderia passar a significar algo, de uma hora para outra, quando menos se esperasse. Isso explica reações agressivas do homem da época que o faziam quebrar essas coisas quando da falta de sucesso em conseguir deixar de olhar para a coisa sem que aquilo não mais o intrigasse.
É importante notar que diante de algo que pode “mudar” de uma hora para a outra, sem aviso prévio, isto é, poder significar qualquer coisa mesmo sem ter conseguido isso até o presente momento, gera uma inquietude fulminante no homem que é o observador pois essa leitura atenta o impede de formar qualquer conceito de duração, permanência ou estabilidade acerca da chama da vida de seu próprio ser. Não se tem relevância o passado pois ele está diante de algo potencialmente novo, virgem e se sente medo do futuro, pois o surgimento de um significado desmentiria a sua subjetividade, isto é, o tornaria um objeto.
Com a utilização de linhas, cores, estilos e formas gratuitas de fabricação de todas as coisas, passamos a ter uma leitura do incompreensível diferente de antes. As coisas continuam incompreensíveis – como sempre haverá de ser – entretanto, abstraindo a importância verdadeira desse significado frente a uma possibilidade lúdica, mas mais confortável, como achar algo mais ou menos bonito, sem que haja importância do que essa coisa realmente seja e por quê seja, conseguimos encontrar um novo caminho a seguir, no qual, saber o que são as coisas não mais importa ou, menos importa, do que achá-las mais ou menos belas.
Do “o que é isso” para “é bonito isso”, o homem permitiu-se uma “folga”. E não pode-se culpá-lo por isso pois, aparentemente, esse lhe era o único caminho possível.
Ao poder definir algo como mais ou menos belo, atribuímos a qualidade de sujeito às coisas e, posteriormente, personalidade, em referência à forma e ou estilo, sobre a qual podemos falar a respeito criticamente, estabelecendo comparações. O mais importante dessa etapa é que quando as coisas passam a “ser”, elas, no entendimento do homem, páram de mudar, isto é, não estão mais em transformação – o que não é verdade – , o que acaba por tornar impossível qualquer mudança do seu “significado” desde que se lançou o último olhar sobre ela. Aí então conseguimos estabelecer uma denominação permanente sobre as coisas, de forma que o homem não precisa mais ficar atento a qualquer mudança da mesma pois ela não mais ocorrerá.
Evidente que se a coisa for um prédio, ele está em constante transformação, ininterrupta, mudando e se desgastando de acordo com as condições climáticas, chuva, vento, maresia, etc. Mas essa incompreensível constante mutação é ignorada pois o prédio passa a ser ou estar bonito, limpo, novo, e assim continuará, até que tenham havido tantas mudanças quantas forem necessárias para que ele tenha se tornado, por “eleição”, feio, sujo e velho.
O homem consegue estabelecer um relógio externo a si mesmo que lhe impede de não ver que lhe resta tempo de vida – ou de forma mais desesperadora, que ela não parou de se esvair por um segundo sequer – dada a diversidade presente encontrada nos lares, lojas e ruas.
Vendo-me diante da beleza de um prédio, tenho noção assim como meus contemporâneos, que a minha própria duração deve transcender a de vida do referido prédio. Da mesma forma, deve transcender inúmeras pinturas do mesmo, troca de placas da rua que ele se situa, revestimentos do asfalto, mudanças de lojas com as mais variadas decorações, assim como vestimentas das mais desconhecidas pessoas cujas peças têm uma vida utilitária extremamente curta, numa expectativa de dois a três anos.
Interessante observar que todos esses relógios externos se complementam e acabam por se equivaler pois são trocados, abandonados por novos, assim que “se faz necessário”, de forma que externamente, a duração de uma camiseta, com a regularidade com que é trocada, se equivaleria à duração da reforma de um edifício ou a vida útil de um automóvel.
Cada objeto nos permite ficar sem prestar atenção nele desde a última olhada por um tempo ímpar de cada espécie (material). Mas dada a presença constante da convivência mútua das mais diversas formas e durações, estabelece-se uma “média”. É essa média a responsável final pela capacidade individual do homem de olhar para coisas que ele não entende o que são, sem que isso o remeta a um estágio inicial no qual as coisas são algo que eles não compreendem e que podem passar a significar algo de uma hora para outra. O retorno a esse estágio inicial seria uma incapacidade humana de se “descolar” dos objetos pois colar-se a elas seria a forma de assegurar a própria existência até, pelo menos, o fim da existência do referido objeto, isto é, a sua decomposição.
Não diferente de um objeto, o homem seria nesse sentido algo sem subjetividade. Seria um pedaço de madeira vendo uma folha ou uma pedra se decompondo, sem ter noção exata se aquilo que está diante dos seus olhos duraria um tempo mais longo do que o da própria vida, mas esperançoso, de que não necessite encontrar uma outra coisa para usar como referência por pouca duração da primeira pois isso lhe representaria um caos definitivo.
O belo se torna linguagem. Sua abstração encoraja competições, comparações, preferências, gostos, vontades e subjetividade. Se essa abstração não pode ser mantida por algum motivo e nos vemos de volta a uma fase inicial, é natural que não consigamos sentir vontade, reconhecer gostos, preferências, ver sentido em fazer comparações ou nos engajarmos em competições, pois se trata de um idioma que nós não mais falamos e que, até aquele momento, não sabíamos que era só uma língua. Nos vemos diante de um paradoxo pois no mundo civilizado, entendemos que somos “o que somos”, e que as ferramentas das quais fazemos uso, são apenas coisas que utilizamos, que essa relação com a coisa externa, não traduz por fim quem somos ou escolhemos ser, mas são apenas coisas que utilizamos – o que se revela por um lado um equívoco, deixa claro por outro que não sabemos o que significa ser ou que extensão “ser”, representa.
Nesse sentido, ser indiferente ao belo, demonstra um certo desconhecimento ou ignorância, pois significa ser indiferente a uma parte inimaginavelmente indispensável de quem se é e da qual não se deseja abrir mão. Assim, o belo se afirma não como a construção da civilização, mas como ela própria.
Ensaio sobre o belo I
A beleza é a prova material de nossa insanidade. O produto beleza é ainda a loucura humana por fazer sentido qual quando nossos ancestrais faziam círculos com ossos de animais sem saber o que eles representavam.
Como uma mensagem, a beleza é dirigida a outrem a partir das referências de agradável e equilíbrio de quem a constitui. Por outro lado, a não contemplação deste belo, o torna o resultado de um ato insano por parte de seu idealizador. Como o “agradável” preenche qualquer lacuna de falta de sentido filosófico, a beleza é a ciência de que não é importante saber do que estamos diante, desde que este enfrentamento nos seja encarado, mais ou menos apreciado, e ignorado. A beleza – o belo – é uma forma aceita de falta de sentido e que a partir da sua presença na sua construção, tentou-se fazer/criar sentido e não se conseguiu.
O belo acaba com a inquietação oriunda da incapacidade de fazer sentido. O belo existe para que o homem possa desviar os olhos das coisas que não compreende e que lhe consumiria toda a vida para ser mostrado, sem lhe dar uma resposta, levando em conta a initerrupta transformação do lugar que vivemos e do “belo” que observamos. A idéia de belo, assim, dá origem a uma impressão analítica de que as coisas feitas para durarem muito tempo, não mudam. Elas não estão mais, elas são ou não são bonitas. E quando algo bonito envelhece, como um prédio, por exemplo, simplesmente se diz que o antes prédio novo e bonito, é velho e feio – ele não está, ele passa a ser, não podendo ser duas coisas opostas ao mesmo tempo. Assim, o homem que vivo está, não pode estar morto ao mesmo tempo. Talvez sua morte seja incrível por isso: ele vive de forma que afirma que ele não está preparado para ela, em qualquer momento que seja. As vestimentas são um ato de piedade com os mais velhos, vítimas potenciais dos olhares do mundo, não fosse o lúdico que suas camisas/camisetas transmitem e que permitem naturalmente sua circulação na rua até a condução. Vivemos regulados pela duração de nossas camisetas, que são trocadas constantemente por outras novas, não pela duração de nosso corpo. Assim, superando o conceito de belo de um determinado objeto, estamos diante da morte desse conceito e da substituição do mesmo por um novo, igual ou diferente, de forma que a idéia de que nós permanecemos, nos é sugerida pela evidência e aceita pelo conforto que a idéia nos causa. Assim, criamos deuses à nossa imagem e semelhança, pois o belo, “morre”, é trocado, superado, ao passo que a humanidade permanece viva diante do renascimento da própria criatividade.
Em determinado momento isso nos é desmentido, quando nos vemos diante da morte, mas nesta altura, a função cultural e social deste conceito, já terá cumprido com sua função, tendo dado alívio à humanidade até aquele momento. Tão bem costurado é esse conceito que nem mesmo estar diante do “desmascaramento” dele, o torna menos real para os que se despedem dos seus mortos.
Como um engodo, o belo nega a decadência e finitude da espécie humana, de forma que conseguimos, enganarmo-nos intuitivamente, que não podemos morrer a qualquer momento. Reside aí sua esperança de permanecer de alguma forma e onde irá se basear a sua idéia de deixar um legado, numa demonstração da sua loucura e do seu desespero por poder convencer-se de uma saudável mentira.
Como uma mensagem, a beleza é dirigida a outrem a partir das referências de agradável e equilíbrio de quem a constitui. Por outro lado, a não contemplação deste belo, o torna o resultado de um ato insano por parte de seu idealizador. Como o “agradável” preenche qualquer lacuna de falta de sentido filosófico, a beleza é a ciência de que não é importante saber do que estamos diante, desde que este enfrentamento nos seja encarado, mais ou menos apreciado, e ignorado. A beleza – o belo – é uma forma aceita de falta de sentido e que a partir da sua presença na sua construção, tentou-se fazer/criar sentido e não se conseguiu.
O belo acaba com a inquietação oriunda da incapacidade de fazer sentido. O belo existe para que o homem possa desviar os olhos das coisas que não compreende e que lhe consumiria toda a vida para ser mostrado, sem lhe dar uma resposta, levando em conta a initerrupta transformação do lugar que vivemos e do “belo” que observamos. A idéia de belo, assim, dá origem a uma impressão analítica de que as coisas feitas para durarem muito tempo, não mudam. Elas não estão mais, elas são ou não são bonitas. E quando algo bonito envelhece, como um prédio, por exemplo, simplesmente se diz que o antes prédio novo e bonito, é velho e feio – ele não está, ele passa a ser, não podendo ser duas coisas opostas ao mesmo tempo. Assim, o homem que vivo está, não pode estar morto ao mesmo tempo. Talvez sua morte seja incrível por isso: ele vive de forma que afirma que ele não está preparado para ela, em qualquer momento que seja. As vestimentas são um ato de piedade com os mais velhos, vítimas potenciais dos olhares do mundo, não fosse o lúdico que suas camisas/camisetas transmitem e que permitem naturalmente sua circulação na rua até a condução. Vivemos regulados pela duração de nossas camisetas, que são trocadas constantemente por outras novas, não pela duração de nosso corpo. Assim, superando o conceito de belo de um determinado objeto, estamos diante da morte desse conceito e da substituição do mesmo por um novo, igual ou diferente, de forma que a idéia de que nós permanecemos, nos é sugerida pela evidência e aceita pelo conforto que a idéia nos causa. Assim, criamos deuses à nossa imagem e semelhança, pois o belo, “morre”, é trocado, superado, ao passo que a humanidade permanece viva diante do renascimento da própria criatividade.
Em determinado momento isso nos é desmentido, quando nos vemos diante da morte, mas nesta altura, a função cultural e social deste conceito, já terá cumprido com sua função, tendo dado alívio à humanidade até aquele momento. Tão bem costurado é esse conceito que nem mesmo estar diante do “desmascaramento” dele, o torna menos real para os que se despedem dos seus mortos.
Como um engodo, o belo nega a decadência e finitude da espécie humana, de forma que conseguimos, enganarmo-nos intuitivamente, que não podemos morrer a qualquer momento. Reside aí sua esperança de permanecer de alguma forma e onde irá se basear a sua idéia de deixar um legado, numa demonstração da sua loucura e do seu desespero por poder convencer-se de uma saudável mentira.
Iluminação
O mundo civilizado é uma galeria.
Papel único que desempenhamos ininterruptamente, alheio a qualquer contrariedade.
Papel único que desempenhamos ininterruptamente, alheio a qualquer contrariedade.
terça-feira, 28 de Outubro de 2008
Surfistas Aviadores
Surfistas, para mim, são aviões.
Um surfista, o surfista, é um avião.
Não representativa, mas objetivamente, um aeroplano.
Talvez uma nave espacial, olhando onde quero chegar.
Uma onda que derruba um surfista desenha por baixo d'água uma nuvem, violenta qual uma tempestade.
Ele a aguarda passar enquanto se vê no meio dela, esperando não ser jogado contra os corais. Ou atingido por um raio.
É bonito ver um homem cair do céu.
É como se sua prancha o levasse ao paraíso.
Um surfista, o surfista, é um avião.
Não representativa, mas objetivamente, um aeroplano.
Talvez uma nave espacial, olhando onde quero chegar.
Uma onda que derruba um surfista desenha por baixo d'água uma nuvem, violenta qual uma tempestade.
Ele a aguarda passar enquanto se vê no meio dela, esperando não ser jogado contra os corais. Ou atingido por um raio.
É bonito ver um homem cair do céu.
É como se sua prancha o levasse ao paraíso.
A natureza tem senso de humor
Aqui,
No andar de dentro onde descansa o corpo cansado
Mergulhado, entregue, numa caverna de pura escuridão
Este menino entrega-se à gravidade frente a um amontoado de palha
Não pescou no dia de hoje. Não fez aventuras na floresta.
Noite passada ele se reuniu a outros dois amigos de vilas vizinhas
E foram juntos seguir o caminho longo que os levou à uma celebração
O menino celebrou a existência até perceber estar cheio dela
Ele existia de fato, mas às vezes não sabia
Era muito bom dormir mais uma vez
Sua aparência não fazia-lhe a menor importância
Minto! Fazia-lhe enquanto dormia como flores sem uma pétala
Sem saber
Onda há o nada e o passar do vento apenas alimentando uma fogueira
Sente-se trazido de dentro da montanha até a frente da caverna
O odor alcoólico de expulsão pelo sangue
No momento infinito ele estava morto, mas seu corpo o fazia viver.
* * *
Só é real a flora ao homem.
A fauna é-lhe qualquer coisa de importante longe de si.
Pensa que não faz parte dela.
Eis a melhor piada de humanos feita pela natureza.
No andar de dentro onde descansa o corpo cansado
Mergulhado, entregue, numa caverna de pura escuridão
Este menino entrega-se à gravidade frente a um amontoado de palha
Não pescou no dia de hoje. Não fez aventuras na floresta.
Noite passada ele se reuniu a outros dois amigos de vilas vizinhas
E foram juntos seguir o caminho longo que os levou à uma celebração
O menino celebrou a existência até perceber estar cheio dela
Ele existia de fato, mas às vezes não sabia
Era muito bom dormir mais uma vez
Sua aparência não fazia-lhe a menor importância
Minto! Fazia-lhe enquanto dormia como flores sem uma pétala
Sem saber
Onda há o nada e o passar do vento apenas alimentando uma fogueira
Sente-se trazido de dentro da montanha até a frente da caverna
O odor alcoólico de expulsão pelo sangue
No momento infinito ele estava morto, mas seu corpo o fazia viver.
* * *
Só é real a flora ao homem.
A fauna é-lhe qualquer coisa de importante longe de si.
Pensa que não faz parte dela.
Eis a melhor piada de humanos feita pela natureza.
sábado, 25 de Outubro de 2008
Todos
Ser ator é se deixar ser colocado como tinta
afinado como corda
induzido como rima
decifrado como nota
modelado como pedra
ensaiado como dança.
Vertical espelho vivo
espera o fechamento das cortinas
para dar início ao espetáculo
quando a si mesmo assiste,
não do palco, mas da cena da vida
o inquilino que mora dentro do indivíduo, inquieto
que o imita.
afinado como corda
induzido como rima
decifrado como nota
modelado como pedra
ensaiado como dança.
Vertical espelho vivo
espera o fechamento das cortinas
para dar início ao espetáculo
quando a si mesmo assiste,
não do palco, mas da cena da vida
o inquilino que mora dentro do indivíduo, inquieto
que o imita.
A virtude não pede licença
Contra a manutenção da loucura alheia:
A virtude não deve pedir licença!
Matai vosso receio de imposição quando, onde, com quem e quantas vezes quiser
Já nos cercaram com a ditadura do medo, agora vamos surrupiar a crueldade humana contra seu próprio apego!
A última ditadura há de ser lançada! E vai ser a ditadura da virtude em seu último e determinante manifesto!
Ao desarme da vontade sem clareza da crueldade!
À proibição incondicional dos transeuntes calabouços!
À exposição ao sol, e desintegração, dos vampiros e dos sanguessugas!
Impiedoso clarão da virtude: interrompa sempre e, sobretudo, sinta indiferença pela democracia.
Secundária, ela não é preponderante fora dos parâmetros que a ti cabe estabelecer.
Seja a vossa a nossa voz.
A virtude não deve pedir licença!
Matai vosso receio de imposição quando, onde, com quem e quantas vezes quiser
Já nos cercaram com a ditadura do medo, agora vamos surrupiar a crueldade humana contra seu próprio apego!
A última ditadura há de ser lançada! E vai ser a ditadura da virtude em seu último e determinante manifesto!
Ao desarme da vontade sem clareza da crueldade!
À proibição incondicional dos transeuntes calabouços!
À exposição ao sol, e desintegração, dos vampiros e dos sanguessugas!
Impiedoso clarão da virtude: interrompa sempre e, sobretudo, sinta indiferença pela democracia.
Secundária, ela não é preponderante fora dos parâmetros que a ti cabe estabelecer.
Seja a vossa a nossa voz.
sexta-feira, 17 de Outubro de 2008
Pequena Oração
Que Deus proteja, guarde e abençoe pois eu te amaldiçôo
Que a dor lateje e o grito se espalhe para que eu não precise te amordaçar
Que o tempo te traga os infortúnios no presente pelo tempo que me foi no passado que não mais me toca
Que a solidão te absorva, rumine e vomite pois a diferença é de quem já foi digerido
Que a chama se apague e o corpo escape qual fumaça entre os dedos
E mais importante, que Deus proteja, guarde e abençoe pois eu te amaldiçôo
Que a dor lateje e o grito se espalhe para que eu não precise te amordaçar
Que o tempo te traga os infortúnios no presente pelo tempo que me foi no passado que não mais me toca
Que a solidão te absorva, rumine e vomite pois a diferença é de quem já foi digerido
Que a chama se apague e o corpo escape qual fumaça entre os dedos
E mais importante, que Deus proteja, guarde e abençoe pois eu te amaldiçôo
quinta-feira, 9 de Outubro de 2008
Snowboard
A morte natural é a coisa mais estúpida, cruel e impiedosa que existe. A água que decompõem um submarino, ininterruptamente, sem o menor pestanejo, somada a tranquilidade de um relógio ao pular de um segundo para o outro com seu ponteiro, sem chance de voltar atrás, remorso ou pedido de desculpas. Esse oceano univérsico é uma bacia de ácido sulfúrico corroendo minha condução. A cada letra escrita, contra minha vontade, sou mais vulnerável. Como uma pilha em descomposição, acho que posso salvar minha forma que é o que penso ser, e que se não puder, a morte me levaria então isso e eu ficaria com o conteúdo, o qual não vejo de forma alguma como posse, e sim, como aquilo que eu nunca pude perder pois nunca possuí, e sem o qual, eu não poderia executar qualquer faculdade intelectual. É interessante como um "objeto" se torna crucial para a vitalidade da subjetividade.
Como uma criança vendo outro comendo um doce, ouvindo um "não", cuja pronúncia do "N" inicia quando sou parido, e só ouço o "˜", quando silencio para sempre.
Malha de aço que faz amor comigo e me absorve, começando pelo centro da minha barriga. 75 anos compactados em meio segundo de abstração. Demonstração afetuosamente fria de duradouro toque. Implacável avalanche.
Como uma criança vendo outro comendo um doce, ouvindo um "não", cuja pronúncia do "N" inicia quando sou parido, e só ouço o "˜", quando silencio para sempre.
Malha de aço que faz amor comigo e me absorve, começando pelo centro da minha barriga. 75 anos compactados em meio segundo de abstração. Demonstração afetuosamente fria de duradouro toque. Implacável avalanche.
terça-feira, 7 de Outubro de 2008
As placas não existem
Agora, não acho mais que a gravidade seja algo diferente de uma placa de trânsito para alienígenas. A gravidade é definitivamente uma placa invisível cravada no fundo do mar, escrito: “Terra”. O que difere essa das outras é que ela é também, literalmente, invisível. As placas não existem.
Se for roncar, durma por perto
Existe um sonho sem fim para muitos.
Sem término para eles. Sem finalidade para mim.
Descobri que temos medo dos sonhos.
Inventamos o pesadelo.
Quero ter com os que sonham acordados.
Os adormecidos de uma única realidade que os envolve
Queiram sim, queiram não.
Eu rio demais dos que falam dos adormecidos como se estivessem se referindo à outras pessoas.
No sonho se controla tudo.
Se se toma um rumo indesejado, acordamos e chamamos de pesadelo qual alguém que nos desagrada e chamamos de antipáticos
Mas e se sonhássemos apenas um sonho, sem previsão para término, sem lembrança de início,
O temer e o pânico de que este único sonho se revelasse um pesadelo seria tão grande que não correríamos risco de qualquer natureza.
Controlaríamos todas nossas ações! E para quê?!
Neste sonho poderia haver alguém acordado.
Mais longe ou mais perto do que imagina.
Consegue imaginar alguém acordado num sonho seu?
No que esse “detalhe” torna um sonho? Ou um sonhador?
A lucidez não bate na porta dos mal intencionados.
Esse ronco alto que invade meu quarto sem pedir licença
ao me tirar o sono, não poderia me deixar mais feliz.
Sem término para eles. Sem finalidade para mim.
Descobri que temos medo dos sonhos.
Inventamos o pesadelo.
Quero ter com os que sonham acordados.
Os adormecidos de uma única realidade que os envolve
Queiram sim, queiram não.
Eu rio demais dos que falam dos adormecidos como se estivessem se referindo à outras pessoas.
No sonho se controla tudo.
Se se toma um rumo indesejado, acordamos e chamamos de pesadelo qual alguém que nos desagrada e chamamos de antipáticos
Mas e se sonhássemos apenas um sonho, sem previsão para término, sem lembrança de início,
O temer e o pânico de que este único sonho se revelasse um pesadelo seria tão grande que não correríamos risco de qualquer natureza.
Controlaríamos todas nossas ações! E para quê?!
Neste sonho poderia haver alguém acordado.
Mais longe ou mais perto do que imagina.
Consegue imaginar alguém acordado num sonho seu?
No que esse “detalhe” torna um sonho? Ou um sonhador?
A lucidez não bate na porta dos mal intencionados.
Esse ronco alto que invade meu quarto sem pedir licença
ao me tirar o sono, não poderia me deixar mais feliz.
quarta-feira, 1 de Outubro de 2008
Por uma lei natural

Eu sei de onde vêm os anjos
e sei por quê vêm os anjos
e quem vêem os anjos
os que não os vê jamais
anjos são criações da contracultura
é o que há de verdadeiramente divino
enquanto aceita ser confundido por servo
pra quê precisariam mais os poetas
senão o intermédio entre criatura e criador?
e que diferença faria se o porta-voz dissesse
o que pelo vento, o todo-poderoso nunca disse?
é a maneira de nós, homens e mulheres anjos
abençoados pelas pálpebras para não vermos diferenças
de subvertermos enquanto seres humanos
as palavras esquecidas no refratário do nosso chão recortado
quem entende cães que enterram ossos que nunca roerão?
me tiram o chão. Abrem precipícios na terra.
como um gato no alto da árvore. Exatamente como um gato.
sem poder descer do galho. Gatos na árvore tendo filhotes.
gatos avós morrendo, nova ninhada nascendo esperando os bombeiros
anjo não tem asas. vive no galho da árvore
e espera por poder descer nesse mundo que existe só para ele
tornam do chão o leito do inferno e poluem o ar com enxofre
“Não desça jamais daí”, desejam os que fingem isso jamais pela cabeça passar
só um pequeno espaço plano, é o que preciso
para apoiar a ponta da escada em terreno seguro
através da qual, descerei e pisarei pela primeira vez
de pés descalços, no paraíso dos meus sonhos.
de anjo posso ser chamado até, por ser mais uma simples pessoa
a trazer aos braços desse mundo o que ele ainda não tem segurança de abraçar
como um parente, então, ele me perdoa e me abraça, com certa distância
pela sua impossibilidade de me negar, de me absorver
me chama de filho e me entrega as chaves de um quarto
é um longo caminho a percorrer até uma irmandade
se a sensibilidade envelhecesse como o corpo, de uma forma visível,
teríamos o argumento definitivo contra os adolescentes que têm tentado nos criar
os demônios não poderão mais alegar desconhecimento da subjetividade
ou mesmo, irrelevância dela, para manterem um reinado
ou tentar reconquistar o que não se sabe muito bem, por eles, que foi perdido
sob o brilho da lâmina de nosso olhar, para todo o sempre,
terão se apequenado e a si mesmos, condenado, sangrado.
voltarão da Terra do Nunca ou como nossos animais de estimação
estarão sempre a brincar e fazer travessuras nas e com as nossas coisas sem saber a quem elas pertencem.
Buscando um pouco de empatia, um pouco de carinho, um pouco de comida. Uma almofada nova.
Assim a teoria da evolução se consolida.
O tempo não existe, mas o que ele mede, não perdoa.
domingo, 21 de Setembro de 2008
Título
E ninguém mais vai me pedir para ser auxiliar do mestre de cerimônias e nem para vestir-me de preto às 14 horas de sábado. Ninguém mais vai me falar das sete virtudes e ninguém mais vai vendar meus olhos por três horas e nem me guiar pelo som da voz enquanto atravesso cortinas de fumaça com odor.
E ninguém vai aparecer vestido como membro da Ku Klux Klan usando vermelho dizendo que se eu quisesse, a hora de desistir era a aquela.
Nem roupas de carnaval com brasão bordado pendurada nas paredes de uma sala esperando por meninos pra brincar de cavaleiro
E ninguém vai me fazer andar com os olhos vendados dentro de um perímetro, sendo seguido por outros cegos, logo atrás de um sujeito que vestido parecia um vendedor de bíblias, carregando nas mãos uma almofada com uma coroa em cima.
Nem a palavra "tio" para me referir à pessoas cuja pronúncia do nome não seria nenhum desrespeito, para me distanciar
E nem terei de, ajoelhado, com a mão sobre um livro, fazer juramento de segredo sobre qualquer profecia.
Não precisarei venerar, nem ouvir história de cavaleiros.
E ninguém vai precisar de apertos secretos de mão com o polegar para me reconhecer ou ser reconhecido
nem usar palavras distintas - mas pelo grupo conhecidas - para que eles saibam diante de quem eles estão
Não precisarei mais orgulhar meu pai, nem defender a idéia de uma pátria. Não precisarei fingir pureza, por deixar de prestar meu companheirismo, fidelidade e cortesia somente àqueles que a lei protege. Não farei referência às coisas sagradas oriundas do medo. Não aprenderei a deixar meu braço em "L" ao apertar a mão, tampouco estenderei o outro sobre o ombro de um amigo para ele ver que já estivemos na mesma escola. Não pedirei socorro em público, cruzando os braços, rezando por uma coincidência.
Não comparecerei à cerimônia pública com ar de quem deixou de fazer algo que fez anteriormente só para deixar as pessoas curiosas - como se elas tivessem interesse.
Não explanarei sobre virtudes como se esse fosse meu tema de casa, nem vou decorar juramentos para que seja colada uma nova honraria na minha aura. Não venerarei qualquer número, não me perguntarei o significado das letras, não andarei sobre piso xadrez, não prestarei atenção à cordas nas alturas, nem pilares, cadeiras, velas, candelabros, autos, escadas, cortina, preceptor, diácono, norte, sul, leste, oeste. Ou martelos de madeira, homenagens, honras, música, nem coisa alguma.
Só se deixa de levar um segredo a sério de todo depois que o revelamos.
E ninguém vai aparecer vestido como membro da Ku Klux Klan usando vermelho dizendo que se eu quisesse, a hora de desistir era a aquela.
Nem roupas de carnaval com brasão bordado pendurada nas paredes de uma sala esperando por meninos pra brincar de cavaleiro
E ninguém vai me fazer andar com os olhos vendados dentro de um perímetro, sendo seguido por outros cegos, logo atrás de um sujeito que vestido parecia um vendedor de bíblias, carregando nas mãos uma almofada com uma coroa em cima.
Nem a palavra "tio" para me referir à pessoas cuja pronúncia do nome não seria nenhum desrespeito, para me distanciar
E nem terei de, ajoelhado, com a mão sobre um livro, fazer juramento de segredo sobre qualquer profecia.
Não precisarei venerar, nem ouvir história de cavaleiros.
E ninguém vai precisar de apertos secretos de mão com o polegar para me reconhecer ou ser reconhecido
nem usar palavras distintas - mas pelo grupo conhecidas - para que eles saibam diante de quem eles estão
Não precisarei mais orgulhar meu pai, nem defender a idéia de uma pátria. Não precisarei fingir pureza, por deixar de prestar meu companheirismo, fidelidade e cortesia somente àqueles que a lei protege. Não farei referência às coisas sagradas oriundas do medo. Não aprenderei a deixar meu braço em "L" ao apertar a mão, tampouco estenderei o outro sobre o ombro de um amigo para ele ver que já estivemos na mesma escola. Não pedirei socorro em público, cruzando os braços, rezando por uma coincidência.
Não comparecerei à cerimônia pública com ar de quem deixou de fazer algo que fez anteriormente só para deixar as pessoas curiosas - como se elas tivessem interesse.
Não explanarei sobre virtudes como se esse fosse meu tema de casa, nem vou decorar juramentos para que seja colada uma nova honraria na minha aura. Não venerarei qualquer número, não me perguntarei o significado das letras, não andarei sobre piso xadrez, não prestarei atenção à cordas nas alturas, nem pilares, cadeiras, velas, candelabros, autos, escadas, cortina, preceptor, diácono, norte, sul, leste, oeste. Ou martelos de madeira, homenagens, honras, música, nem coisa alguma.
Só se deixa de levar um segredo a sério de todo depois que o revelamos.
sexta-feira, 19 de Setembro de 2008
Eu acho maravilhoso

Anda... anda na ponta das tuas raízes sobre o chão desse sertão. Faz elas aguentarem teu peso, suporta a dor como uma bailarina sustentando o corpo na ponta dos dedos, achatando as sapatilhas. Não teme o tempo carregado que com cinza e negro ameaça, tampouco a chuva que surra esse solo. Melhor: corre! É inevitável, a chuva que amedronta vai fazer barro desse chão rachado e partido, no qual tuas raízes, pouco a pouco, passos menores passarão a dar, até não mais se locomoverem. Até que elas patinem na terra, deslizem dentro dela, fincando-se mais fundo, procurando o centro desse mundo, esperando então por um dia de sol para secar-lhe a terra que te cerca para permitir que os seus braços voltem a crescer em novo solo úmido e fértil. Poderia uma árvore achar estranho o incomum nascimento de frutos em seus galhos, pela simples mudança de solo? Ninguém nos ensina a ousar. Ninguém desenha a felicidade. Árvore, pedra, gente. Papel e papel.
segunda-feira, 15 de Setembro de 2008
Longevidade = baixo metabolismo + castrar-se
A testosterona é mais prejudicial ao corpo do que o hábito de fumar.
Um estudo sério tendo eunucos como objeto de pesquisa há de me legitimar.
A testosterona é mais prejudicial ao corpo do que o hábito de fumar.
Um estudo sério tendo eunucos como objeto de pesquisa há de me legitimar.
domingo, 14 de Setembro de 2008
:P
Sair de uma festa sem beijar alguém é tão fácil como sair da vida sem ter amado.
Me perdoem os infelizes, mas isso requer dedicação.
Me perdoem os infelizes, mas isso requer dedicação.
E não é o mundo uma festa?
É sempre noite
não desliguem a música jamais
não parar de dançar nunca
quando o corpo se entrega se pode dançar em pensamento
luzes do dia compelem e não devem significar
qualquer dançarino de sério tornar
a festa é bagaceira, o sol é a única luz, mas temos efeitos coloridos bem legais
por quê parar se só vimos mais uma coisa bonita no caminho?
Por quê se ocupar com outra coisa? - você por acaso trabalha na casa?
É, eu acho que você não está se divertindo nenhum pouco.
E você não deixa simplesmente essas luzes mudarem, não é?
A azul é pra você estar dentro de um quarto, a vermelha, dum cabaré
você trabalha aqui para ter parado de dançar? Leva uma bandeja a algum lugar?
Você acredita em alguma coisa do que está vendo, exceto de que a música está tocando?
Não estou ouvindo seus passos
Dance! Dance! Dança! Dança! Dança!
Canso... danço sozinho.
O importante é não deixar de ouvir... a música... tocar.
Se existo como sou, não sou o único que não veio aqui só para ver a luz do dia.
É inevitável: nascemos e morremos no meio do salão.
Que bom!
não desliguem a música jamais
não parar de dançar nunca
quando o corpo se entrega se pode dançar em pensamento
luzes do dia compelem e não devem significar
qualquer dançarino de sério tornar
a festa é bagaceira, o sol é a única luz, mas temos efeitos coloridos bem legais
por quê parar se só vimos mais uma coisa bonita no caminho?
Por quê se ocupar com outra coisa? - você por acaso trabalha na casa?
É, eu acho que você não está se divertindo nenhum pouco.
E você não deixa simplesmente essas luzes mudarem, não é?
A azul é pra você estar dentro de um quarto, a vermelha, dum cabaré
você trabalha aqui para ter parado de dançar? Leva uma bandeja a algum lugar?
Você acredita em alguma coisa do que está vendo, exceto de que a música está tocando?
Não estou ouvindo seus passos
Dance! Dance! Dança! Dança! Dança!
Canso... danço sozinho.
O importante é não deixar de ouvir... a música... tocar.
Se existo como sou, não sou o único que não veio aqui só para ver a luz do dia.
É inevitável: nascemos e morremos no meio do salão.
Que bom!
Aquecimento
Esse céu estrelado eu conheço
É feito de cacau e chamam de diamante negro
Um firmamento desse gosto anima
E faz brincar qualquer criança
Nas horas de tédio eu sento e choro
Mamãe me deixe comprar mais um
Eu comi aquele mas eu dei um pedaço pro Arnaldo
Ele não comeu, mas eu juro que não queria jogar fora
Ele lambeu o último pedaço que havia
E eu continuo com vontade

Já fabricamos nosso céu: nossa piscina
Diamante Negro, maior que qualquer galáxia
As leva nos bolsos
Daqui do chão de onde meus pés estão fixados
Plantados, enterrados de tal maneira que preciso
Esforçar-me para flutuar
Eles me dão a impressão de estar dentro das quatro linhas
É um céu de chocolate, nossos fabricantes estariam orgulhosos
Mas meus pés sempre estão dentro do campo de futebol.
Nunca fora da linha. Sempre dentro dela, ou em cima da mesma.
Em cima da linha é um passivo ponto de observação.
Me é permitido abstrair até a sola do meu pé
Mas não devo, ou melhor, deve haver alguma outra maneira
De pensar os pés e acima deles. Mas na mesma altura e acima
É fora da linha, é fora do campo.
O futebol se me apresenta como uma tradução de algo que não
podíamos ler.
E eu sei que devo me importar com o lugar onde estou
Mas eu não falo nem vejo pelos pés
Daqui não há limites, daqui vejo todos os meus músculos
Sinto, em silêncio, toda força que não uso
E vou ter que virar as costas para o fazê-lo
E agir como se todo esse céu de cacau estivesse dentro da minha cabeça
Assim ocupo meu lugar, assim sei quem sou
Dessa forma, o mundo suja meus sapatos mas ele nunca me viu descalço
Sou qualquer coisa de univérsico.
Esse céu estrelado eu conheço
É feito de cacau e chamam de diamante negro
Um firmamento desse gosto anima
E faz brincar qualquer criança
Nas horas de tédio eu sento e choro
Mamãe me deixe comprar mais um
Eu comi aquele mas eu dei um pedaço pro Arnaldo
Ele não comeu, mas eu juro que não queria jogar fora
Ele lambeu o último pedaço que havia
E eu continuo com vontade

Já fabricamos nosso céu: nossa piscina
Diamante Negro, maior que qualquer galáxia
As leva nos bolsos
Daqui do chão de onde meus pés estão fixados
Plantados, enterrados de tal maneira que preciso
Esforçar-me para flutuar
Eles me dão a impressão de estar dentro das quatro linhas
É um céu de chocolate, nossos fabricantes estariam orgulhosos
Mas meus pés sempre estão dentro do campo de futebol.
Nunca fora da linha. Sempre dentro dela, ou em cima da mesma.
Em cima da linha é um passivo ponto de observação.
Me é permitido abstrair até a sola do meu pé
Mas não devo, ou melhor, deve haver alguma outra maneira
De pensar os pés e acima deles. Mas na mesma altura e acima
É fora da linha, é fora do campo.
O futebol se me apresenta como uma tradução de algo que não
podíamos ler.
E eu sei que devo me importar com o lugar onde estou
Mas eu não falo nem vejo pelos pés
Daqui não há limites, daqui vejo todos os meus músculos
Sinto, em silêncio, toda força que não uso
E vou ter que virar as costas para o fazê-lo
E agir como se todo esse céu de cacau estivesse dentro da minha cabeça
Assim ocupo meu lugar, assim sei quem sou
Dessa forma, o mundo suja meus sapatos mas ele nunca me viu descalço
Sou qualquer coisa de univérsico.
sábado, 13 de Setembro de 2008
Portal
Eu nunca fui começado. É difícil pensar-me assim ao concluir isso. Isso é completamente fora daquilo que entendo que sou. É negar-me a mim mesmo completamente. Tenho medo da minha imaginação. Não raro ela me ultrapassa e não sobra nada de mim pois essa imaginação desarma meu detector de mentiras. Por vezes sinto-me empurrado nessa direção, enquanto estou imaginando, sinto uma curiosidade tão imensa que me deixo absorver totalmente por meus pensamentos. Pensamentos não preferíveis, não selecionados, tentam apenas ver o que é possível de um navio invadido por todos os lados por centenas de piratas. A cadeira ainda não pisada pelo pirata que escorrega por um poste de luz, antes de chegar até a mim como uma nota que ressoa em meu ouvido, parece um espaço não ocupado, um espaço onde penso poder ser livre. Quem me dera saber o que se faz com essa liberdade. Quando percebo a falta de qualquer tipo de sentido num pequeno espaço, o vejo como sagrado e não ouso criar qualquer coisa naquele lugar. Ao mesmo tempo que o percebo e não lhe dou sentido, me sinto tentado a sentar no seu lugar, estar no espaço dentro da área que ele delimita. Ao mesmo tempo, essa cadeira, algumas vezes assusta, parece uma cama. Pode parecer um leito. Aí, percebo o quanto estou absorvido na realidade de permitir-me essa imaginação. Imaginação que tem vida por si só e pode me conduzir. Não há nada de bom nisso. O receio que sinto é o mesmo de um cego sendo guiado por uma voz ou nem isso, então. O risco de dar um passo em falso ou ser atropelado é verdadeiro. Não sendo apenas essa questão nesse descoberto desconhecido absoluto no qual percebo-me sem ter início, temo pela minha ampulheta e retorno. A vida é sim nesse retorno, a partir dele. O qual após retornado, me faz sentir-me desconexo do momento anterior. É tão internalizada essa habilidade para poder perceber fora de mim um universo sem sentido que, quando “retorno” ao deixar de fazer isso, percebo que passei um tempo sem ter o tempo contado. Antes do interstício, estou numa posição, e sem meditar, continuando meu banho, como foi como aconteceu nessa última vez, internalizo por meio da abstração e minha imaginação, que eu descreveria mais como uma suprema visão solitária que se auto-abastece, até permitir que eu retorne novamente, me deixa numa posição diferente da anterior que eu estava quando embarquei nessa “viagem”. Nesse momento, tenho a assimilação e a sensação de um tempo que ficou para trás sem que eu percebesse. De um pensamento que se findou em si lá atrás e não teve continuidade até o nascimento de outro e eu reconhecer a necessidade de manter-me nesse nascido pensamento que me leva a continuar meu banho, já razoavelmente tranqüilo, apanhar a toalha e depois sair dele para não mais ficar entregue dessa maneira. Se eu não conseguisse me incluir para me ver como parte das minhas abstrações, me lamentaria por isso. Agora que posso, desejo não ter conseguido. Ao mesmo tempo, não tenho certeza se há uma maneira de viver com isso que é o que todos fazem. Não sei também mas disso tenho quase certeza, se que é algo que ainda vai passar, tão logo eu trate isso. Ou se eu realmente estou louco. (não sou. Estou.)
quarta-feira, 10 de Setembro de 2008
Deitado na cama com minha boca de borracha
guardanapo na mão e sacos de papel nos pés
escrevo no guardanapo por telefone
e quando erro, apago tudo com meu lábio inferior
Houdini, o mágico, de batuta e cartola
trajado de pingüim, apresenta o espetáculo
diz “abracadabra” e a carta vira passarinho
e entra nadando
Caminho da água por entre pedras da terra morta
rio desliza pelo canto, desvia da garganta
corrente que toca a margem mas foge do meio
língua morta que recepciona o esgoto
gordura de cadáveres por um lado, coca-cola pelo outro
corpo sem pudor, mente sem moral, jeito sem frescura
pessoas não tem coragem de segurar onde a língua toca
mais corajoso que nós mesmos é pedaço de nós
e noz pra boca engolir sem o corpo tocar é noz moscada
veia e chão que voadoras não tocam.
guardanapo na mão e sacos de papel nos pés
escrevo no guardanapo por telefone
e quando erro, apago tudo com meu lábio inferior
Houdini, o mágico, de batuta e cartola
trajado de pingüim, apresenta o espetáculo
diz “abracadabra” e a carta vira passarinho
e entra nadando
Caminho da água por entre pedras da terra morta
rio desliza pelo canto, desvia da garganta
corrente que toca a margem mas foge do meio
língua morta que recepciona o esgoto
gordura de cadáveres por um lado, coca-cola pelo outro
corpo sem pudor, mente sem moral, jeito sem frescura
pessoas não tem coragem de segurar onde a língua toca
mais corajoso que nós mesmos é pedaço de nós
e noz pra boca engolir sem o corpo tocar é noz moscada
veia e chão que voadoras não tocam.
quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
Pelicano: símbolo da coragem de morrer e de manter vivo.
* * *
Os homens são como peixes em aquários, lagos, rios e oceanos do universo.
* * *
Gentileza é não dar chance a outra pessoa para que ela sinta vontade de dizer “não”. Gentileza é não constranger as pessoas a dizerem sempre “sim”. O verdadeiro cavalheiro espera que as coisas lhe sejam dadas. Não as solicita.
* * *
Arrumar resposta temporária para uma pergunta, por ora, sem resposta apenas para satisfazer uma pretensão de auto-controle, é o mesmo que dizer que a igreja é um chiqueiro apenas por ainda não terem avistado o padre sair detrás da cortina.
Tenhamos calma! Embora rodeado de suínos, ainda não vi nenhuma espiga de milho.
* * *
Para os pais, os filhos são um troféu. E entre outros pais existe a disputa para ver quem tem o melhor filho. Sem o término dessa disputa, inicia-se outra, entre o pai e a mãe, para ver quem tem mais mérito ou demérito, dependendo dos defeitos e qualidades do filho.
* * *
Quando o homem vencer a morte, ninguém mais estará vivo. Estarão todos ligados.
* * *
Já que a perfeição é uma coisa muito difícil de alcançar, não é maravilhoso livrarmo-nos dessa busca, alegando ser ela, inalcançável? Seus preguiçosos!
* * *
Humanismo...
querem que o homem seja forte.
Mas os fracos o impedem de usar a sua força por que não é moral.
Querem que o homem seja inteligente, mas limitam seu pensamento, castrando-o e acrescentam a religião.
Querem que o homem seja corajoso, mas fazem ele temer o inferno ou pior, estipulam o valor de sua coragem e a pagam com gratidão inútil.
Querem que o homem seja bom, mas tira-lhe o prazer disto – o bem – fazer, pois dizem ser sua obrigação assim sê-lo.
Querem que o homem inove sempre, mas o primeiro que pensa diferente, é reprimido.
Querem que o homem seja líder, mas ninguém se dispõem a seguí-lo.
Que deve ser o homem afinal, senão a tradução dos seus desejos maléficos?
* * *
O melhor momento de fazer o bem é quando você tem motivos para fazer o mal.
* * *
Demonstrar desinteresse por uma pessoa, sem motivo declarado, é coisa que não te perdoam.
* * *
O homem trai por poder, a mulher, por vingança. Todavia, mesmo a mulher sendo mais vingativa do que o homem, a maldade do homem é muito maior do que a da mulher. É simplesmente tão grande que ele nem se atreve a cometê-la.
* * *
O fato de não possuirmos desejo é muito mais intrigante do que o fato de que a ele resistimos.
* * *
A desilusão é o primeiro passo na direção da luz.
* * *
A proposta pode não ser minha, mas o feitor da gentileza sou eu que sobreponho-me sobre todas as coisas.
* * *
Não preciso que ninguém me puna. Faço isso melhor do que ninguém.
* * *
Te abandono e me vou. Sigo minha vida. Nem te explico porquê. Mas escreve nesse papel para me lembrar sempre que por mais que eu quisesse te fazer voar, você insistia em manter os pés no chão. Vôo sozinho então, e mais alto ainda, porque não precisarei carregar o peso algum.
* * *
O que há de melhor no ser humano eu vejo quando olho pra dentro de mim mesmo.
* * *
O mais próximo que se chega de “Deus” é escrever um livro: você o planeja, o cria, o desenvolve e o abandona, respectivamente.
* * *
Os dias são de tristeza, as tardes são longas.
* * *
Calma! Calma! Meu Deus, mas matei um homem! Não...não...não..! Matei um pedaço de carne.... matei-o, eis tudo. Como se tivesse atropelado um cão, um gato, salvo que esses não têm identidade e CPF.
* * *
26-08-2008
O único milagre que eu já vi, o único que reconheço como tal e que é a mais intrigante sobre todas as coisas, seja na época que for, é o fato de não sermos canibais. Incluo os vegetarianos nesta questão. Não tem a ver com quem come ou não, carne. Desculpem, as aparências deverão sempre enganar.
* * *
Os homens são como peixes em aquários, lagos, rios e oceanos do universo.
* * *
Gentileza é não dar chance a outra pessoa para que ela sinta vontade de dizer “não”. Gentileza é não constranger as pessoas a dizerem sempre “sim”. O verdadeiro cavalheiro espera que as coisas lhe sejam dadas. Não as solicita.
* * *
Arrumar resposta temporária para uma pergunta, por ora, sem resposta apenas para satisfazer uma pretensão de auto-controle, é o mesmo que dizer que a igreja é um chiqueiro apenas por ainda não terem avistado o padre sair detrás da cortina.
Tenhamos calma! Embora rodeado de suínos, ainda não vi nenhuma espiga de milho.
* * *
Para os pais, os filhos são um troféu. E entre outros pais existe a disputa para ver quem tem o melhor filho. Sem o término dessa disputa, inicia-se outra, entre o pai e a mãe, para ver quem tem mais mérito ou demérito, dependendo dos defeitos e qualidades do filho.
* * *
Quando o homem vencer a morte, ninguém mais estará vivo. Estarão todos ligados.
* * *
Já que a perfeição é uma coisa muito difícil de alcançar, não é maravilhoso livrarmo-nos dessa busca, alegando ser ela, inalcançável? Seus preguiçosos!
* * *
Humanismo...
querem que o homem seja forte.
Mas os fracos o impedem de usar a sua força por que não é moral.
Querem que o homem seja inteligente, mas limitam seu pensamento, castrando-o e acrescentam a religião.
Querem que o homem seja corajoso, mas fazem ele temer o inferno ou pior, estipulam o valor de sua coragem e a pagam com gratidão inútil.
Querem que o homem seja bom, mas tira-lhe o prazer disto – o bem – fazer, pois dizem ser sua obrigação assim sê-lo.
Querem que o homem inove sempre, mas o primeiro que pensa diferente, é reprimido.
Querem que o homem seja líder, mas ninguém se dispõem a seguí-lo.
Que deve ser o homem afinal, senão a tradução dos seus desejos maléficos?
* * *
O melhor momento de fazer o bem é quando você tem motivos para fazer o mal.
* * *
Demonstrar desinteresse por uma pessoa, sem motivo declarado, é coisa que não te perdoam.
* * *
O homem trai por poder, a mulher, por vingança. Todavia, mesmo a mulher sendo mais vingativa do que o homem, a maldade do homem é muito maior do que a da mulher. É simplesmente tão grande que ele nem se atreve a cometê-la.
* * *
O fato de não possuirmos desejo é muito mais intrigante do que o fato de que a ele resistimos.
* * *
A desilusão é o primeiro passo na direção da luz.
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A proposta pode não ser minha, mas o feitor da gentileza sou eu que sobreponho-me sobre todas as coisas.
* * *
Não preciso que ninguém me puna. Faço isso melhor do que ninguém.
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Te abandono e me vou. Sigo minha vida. Nem te explico porquê. Mas escreve nesse papel para me lembrar sempre que por mais que eu quisesse te fazer voar, você insistia em manter os pés no chão. Vôo sozinho então, e mais alto ainda, porque não precisarei carregar o peso algum.
* * *
O que há de melhor no ser humano eu vejo quando olho pra dentro de mim mesmo.
* * *
O mais próximo que se chega de “Deus” é escrever um livro: você o planeja, o cria, o desenvolve e o abandona, respectivamente.
* * *
Os dias são de tristeza, as tardes são longas.
* * *
Calma! Calma! Meu Deus, mas matei um homem! Não...não...não..! Matei um pedaço de carne.... matei-o, eis tudo. Como se tivesse atropelado um cão, um gato, salvo que esses não têm identidade e CPF.
* * *
26-08-2008
O único milagre que eu já vi, o único que reconheço como tal e que é a mais intrigante sobre todas as coisas, seja na época que for, é o fato de não sermos canibais. Incluo os vegetarianos nesta questão. Não tem a ver com quem come ou não, carne. Desculpem, as aparências deverão sempre enganar.
Não respondo às tuas acusações! Permaneço calado porque calado torno-te injusto! Assim deveriam pensar todos os inocentes.
* * *
Assim fazem as pessoas com seres humanos maravilhosos que morrem: lhe desejam luz e lhe enviam para a escuridão.
* * *
As pessoas precisam esperar para celebrar uma vitória. São capazes de cancelar uma festa – como sempre ocorre – em caso de derrota. Em um Estado Alterado de Percepção, eu celebraria até mesmo a minha própria derrota, a minha morte só para não abrir mão do esplendor que há em me divertir um pouco mais.
* * *
2007 - Linhas! Quem precisa delas? Eis até onde vai a repressão. Não quero mais viver precisando dizer o que não é errado ao que pensa saber, você me diz que é sargento, eu digo que somos generais. Soldado era eu. É você. Você pensa que está amadurecendo e eu te digo que fui testemunha do meu próprio nascimento.
Ao caixa de super-mercado sou a maçã verde mordida. Mas é que não tem saída, o pecador não nasce da fruta do pecado amadurecida. Antes disso, é pecador, tem a vida pra fisgar algo que lhe dê alegria. Aí o umbigo do universo, a maçã podre mordida se vê como pêlo do ânus da sociedade falida, alma desconhecedora e desconhecida. De tão louca, é esquecida, por até hoje não ter conseguido transcender.
Por isso fica sempre de frente, especialmente, por estar de lado, não tem coragem de mostrar ao céu a barriga, nunca foi nada por um dia ousar sentir-se algo, diante de coisa nenhuma. Isso é solidão.
Admirador de luz das estrelas, brilhe mais que a noite!Admirador de luz das estrelas, seja a estrela porque tua luz é vontade!
Admirador de luz das estrelas, você agora olha para o espelho. Eu nem lembro mais da mentira e quando estou diante dela, me escondo.
Meu tempo não tem preço. Não está a venda. Não vale mais que o de ninguém e ao mesmo tempo, nem menos. Mesmo sendo assim, é tudo que temos: o espaço.
Calcular o deslocamento com algarismos é como calcular a satisfação de uma pessoa alimentada pelos gases que, possível e audivelmente, emita.
Sobre o espaço e vontade, o que eu ia dizer mesmo sobre o tempo?
ah, mas você não sabe. Não sabe, não.
És feliz por vender seu tempo por um valor mais alto que outro que o vende por uma quantia menor. Desejaria que não existisse alguém cujo tempo seja, aos olhos dos outros, mais valioso do que o seu próprio tempo e fosse compensado proporcionalmente. Dinheiro é materialização, ou melhor, representação de. Não o desejo! Minha vontade dispensa representação mas ao mesmo tempo é de transcendência tão admirável que é presenteada. Não tenho dinheiro, mas eu sou tua recompensa. Minha recompensa. Uma pessoa vendo alguém com mais boa sorte que a sua só poderia ver nesse indivíduo que sabe se deslocar bem no espaço, a chance de envelhecer mais vagarosamente ou mesmo alimentar o sonho de recriar-se numa criança, por medo de se desvincular da existência do seu meio palpável de interferir na Realidade e em outras menores mentiras. Seu objetivo final será sempre sair da loucura que esteve até agora e ainda está, em busca de um meio de vida relacionado a uma verdade mais elevada. Mas ela não quer e nem sabe. Ama a música... ah, se ela soubesse onde a arte, na verdade, leva! Por isso é bom que não saibam, pois por falta de coerência, fugiriam da beleza de ser humano tal como Cristo fugiu da loucura que naquele tempo já haviam criado. Ela nunca mais ligaria o rádio. Nunca mais assistira um filme. Privaria-se da vida pensando na morte e se apagaria para sempre. Conheço pessoas assim. É o mais belo da arte: levar-te a um meio quando você pensa no fim de algo sem duração. A arte retrata o tempo mas é sua inimiga. Toda apreciação visa eliminar o tempo. Uns dizem que diante de uma felicidade muito grande o tempo pára. Mas é só impressão. É que a felicidade grande demais nos retira do espaço contemporâneo. Nos remete ao passado e as tribos que somos e fomos. Tanta alegria! Em tanta felicidade, contar o tempo é idiotice. O dia não tem fim. O espaço é o tempo e hoje eu posso viver em qualquer época!
Eu sei o que fazer!
A estrela mais bonita. Estrela da própria vida. Na plataforma! Na plataforma com as mãos se mexendo, meu corpo vai encolhendo, desaparecendo, por que esse sorriso tão alegre mostrou que de onde venho vindo, trago comigo o brilho que vejo e não desejo, por certeza de estar ligado.
Eu já fui para a lua.
* * *
Alguns homens não têm a altura do ódio que sentem.
* * *
Não há nada mais agradável do que ser amado por alguém que você despreza.
* * *
Aos que amam sem serem amados, escondemos os motivos que fariam essa pessoa esquecer quem ama, porque nesse momento de exposição, nos sentimos mais fortes do que ela.
* * *
Quando somos rejeitados por quem amamos, por que não nos sentimos tão mal quando sabemos que a pessoa amada também está sofrendo por outra pessoa? É porque quando ela sofre mais do que nós mesmos, nos sentimos justiçados.
* * *
No que diz respeito a relações humanas, quando brigamos com outra pessoa e saímos em todas as direções falando mal dela, não o fazemos para que alguém nos reconheça à razão ou para que o outro fique com má fama. O fazemos não por desabafo, mas para que não nos submetamos ao que sabemos que não devemos nos submeter. Precisa-se ainda de prova que diga que a maior pressão que o ser humano possa sofrer vem das outras pessoas e não dele mesmo? Que vergonha!
* * *
Somente falamos mal dos outros em público para impedirmos a nós mesmos de voltar atrás ou a aceitar uma situação determinada que nos causou grande sofrimento ou constrangimento. É impedirmo-nos pela censura dos outros, já que pela nossa, não o faríamos. Aí dizem os homens mais altos: “não me importo com os outros ou com o que eles pensam”. Mas ainda ficam receosos e perguntam depois de um bom tempo: “Não vais fazer pouco de mim se eu retroceder?” ao que o outro responde: “Eu, não! Mas você, não vai?”.
* * *
Um desejador passa a ser objeto de desejo quando demonstra algo, mas sobretudo quando não demonstra.
* * *
Opinião boa é a solicitada.
* * *
Assim fazem as pessoas com seres humanos maravilhosos que morrem: lhe desejam luz e lhe enviam para a escuridão.
* * *
As pessoas precisam esperar para celebrar uma vitória. São capazes de cancelar uma festa – como sempre ocorre – em caso de derrota. Em um Estado Alterado de Percepção, eu celebraria até mesmo a minha própria derrota, a minha morte só para não abrir mão do esplendor que há em me divertir um pouco mais.
* * *
2007 - Linhas! Quem precisa delas? Eis até onde vai a repressão. Não quero mais viver precisando dizer o que não é errado ao que pensa saber, você me diz que é sargento, eu digo que somos generais. Soldado era eu. É você. Você pensa que está amadurecendo e eu te digo que fui testemunha do meu próprio nascimento.
Ao caixa de super-mercado sou a maçã verde mordida. Mas é que não tem saída, o pecador não nasce da fruta do pecado amadurecida. Antes disso, é pecador, tem a vida pra fisgar algo que lhe dê alegria. Aí o umbigo do universo, a maçã podre mordida se vê como pêlo do ânus da sociedade falida, alma desconhecedora e desconhecida. De tão louca, é esquecida, por até hoje não ter conseguido transcender.
Por isso fica sempre de frente, especialmente, por estar de lado, não tem coragem de mostrar ao céu a barriga, nunca foi nada por um dia ousar sentir-se algo, diante de coisa nenhuma. Isso é solidão.
Admirador de luz das estrelas, brilhe mais que a noite!Admirador de luz das estrelas, seja a estrela porque tua luz é vontade!
Admirador de luz das estrelas, você agora olha para o espelho. Eu nem lembro mais da mentira e quando estou diante dela, me escondo.
Meu tempo não tem preço. Não está a venda. Não vale mais que o de ninguém e ao mesmo tempo, nem menos. Mesmo sendo assim, é tudo que temos: o espaço.
Calcular o deslocamento com algarismos é como calcular a satisfação de uma pessoa alimentada pelos gases que, possível e audivelmente, emita.
Sobre o espaço e vontade, o que eu ia dizer mesmo sobre o tempo?
ah, mas você não sabe. Não sabe, não.
És feliz por vender seu tempo por um valor mais alto que outro que o vende por uma quantia menor. Desejaria que não existisse alguém cujo tempo seja, aos olhos dos outros, mais valioso do que o seu próprio tempo e fosse compensado proporcionalmente. Dinheiro é materialização, ou melhor, representação de. Não o desejo! Minha vontade dispensa representação mas ao mesmo tempo é de transcendência tão admirável que é presenteada. Não tenho dinheiro, mas eu sou tua recompensa. Minha recompensa. Uma pessoa vendo alguém com mais boa sorte que a sua só poderia ver nesse indivíduo que sabe se deslocar bem no espaço, a chance de envelhecer mais vagarosamente ou mesmo alimentar o sonho de recriar-se numa criança, por medo de se desvincular da existência do seu meio palpável de interferir na Realidade e em outras menores mentiras. Seu objetivo final será sempre sair da loucura que esteve até agora e ainda está, em busca de um meio de vida relacionado a uma verdade mais elevada. Mas ela não quer e nem sabe. Ama a música... ah, se ela soubesse onde a arte, na verdade, leva! Por isso é bom que não saibam, pois por falta de coerência, fugiriam da beleza de ser humano tal como Cristo fugiu da loucura que naquele tempo já haviam criado. Ela nunca mais ligaria o rádio. Nunca mais assistira um filme. Privaria-se da vida pensando na morte e se apagaria para sempre. Conheço pessoas assim. É o mais belo da arte: levar-te a um meio quando você pensa no fim de algo sem duração. A arte retrata o tempo mas é sua inimiga. Toda apreciação visa eliminar o tempo. Uns dizem que diante de uma felicidade muito grande o tempo pára. Mas é só impressão. É que a felicidade grande demais nos retira do espaço contemporâneo. Nos remete ao passado e as tribos que somos e fomos. Tanta alegria! Em tanta felicidade, contar o tempo é idiotice. O dia não tem fim. O espaço é o tempo e hoje eu posso viver em qualquer época!
Eu sei o que fazer!
A estrela mais bonita. Estrela da própria vida. Na plataforma! Na plataforma com as mãos se mexendo, meu corpo vai encolhendo, desaparecendo, por que esse sorriso tão alegre mostrou que de onde venho vindo, trago comigo o brilho que vejo e não desejo, por certeza de estar ligado.
Eu já fui para a lua.
* * *
Alguns homens não têm a altura do ódio que sentem.
* * *
Não há nada mais agradável do que ser amado por alguém que você despreza.
* * *
Aos que amam sem serem amados, escondemos os motivos que fariam essa pessoa esquecer quem ama, porque nesse momento de exposição, nos sentimos mais fortes do que ela.
* * *
Quando somos rejeitados por quem amamos, por que não nos sentimos tão mal quando sabemos que a pessoa amada também está sofrendo por outra pessoa? É porque quando ela sofre mais do que nós mesmos, nos sentimos justiçados.
* * *
No que diz respeito a relações humanas, quando brigamos com outra pessoa e saímos em todas as direções falando mal dela, não o fazemos para que alguém nos reconheça à razão ou para que o outro fique com má fama. O fazemos não por desabafo, mas para que não nos submetamos ao que sabemos que não devemos nos submeter. Precisa-se ainda de prova que diga que a maior pressão que o ser humano possa sofrer vem das outras pessoas e não dele mesmo? Que vergonha!
* * *
Somente falamos mal dos outros em público para impedirmos a nós mesmos de voltar atrás ou a aceitar uma situação determinada que nos causou grande sofrimento ou constrangimento. É impedirmo-nos pela censura dos outros, já que pela nossa, não o faríamos. Aí dizem os homens mais altos: “não me importo com os outros ou com o que eles pensam”. Mas ainda ficam receosos e perguntam depois de um bom tempo: “Não vais fazer pouco de mim se eu retroceder?” ao que o outro responde: “Eu, não! Mas você, não vai?”.
* * *
Um desejador passa a ser objeto de desejo quando demonstra algo, mas sobretudo quando não demonstra.
* * *
Opinião boa é a solicitada.
“Eu” e “mim” são pessoas totalmente diferentes. “Eu” é minha capacidade; “mim”, é minha necessidade.
Sala de aquário que eu não vou mais mergulhar.
Se olho sentado num banco de praça para o chão, o parque e o céu, o meu sujeito é óbvio: a árvore.
* * *
Parques: eu conheço essa palavra. É como hoje são conhecidos onde mandamos nossas crianças. Mas quem iria dizer que é o recinto de atividades físicas usado no passado para treinar crianças no império dos helenos, apátridas e dos etruscos?
* * *
Como em Tróia, assim são as pessoas e as cidades. As pessoas não-artistas não estão mortas, não. Estão no seu papel como sempre estiveram. Os artistas continuam compondo, criando mesmo, sabendo o único caminho que lhe resta. O artista é o amigo no barco, o motorista na faixa dupla, o que tenta construir um suporte para fazer a travessia à vida, à consciência e o retorno a floresta ao não-artista que não sabe andar.
* * *
Nem os animais respeitam aquilo que os homens atribuíram conceitos de honra e respeitabilidade. Onde está a loucura?
* * *
O artista é o responsável por fazer o Pinóquio se sentir um menino (uma pessoa num ser livre da natureza além).
Se olho sentado num banco de praça para o chão, o parque e o céu, o meu sujeito é óbvio: a árvore.
* * *
Parques: eu conheço essa palavra. É como hoje são conhecidos onde mandamos nossas crianças. Mas quem iria dizer que é o recinto de atividades físicas usado no passado para treinar crianças no império dos helenos, apátridas e dos etruscos?
* * *
Como em Tróia, assim são as pessoas e as cidades. As pessoas não-artistas não estão mortas, não. Estão no seu papel como sempre estiveram. Os artistas continuam compondo, criando mesmo, sabendo o único caminho que lhe resta. O artista é o amigo no barco, o motorista na faixa dupla, o que tenta construir um suporte para fazer a travessia à vida, à consciência e o retorno a floresta ao não-artista que não sabe andar.
* * *
Nem os animais respeitam aquilo que os homens atribuíram conceitos de honra e respeitabilidade. Onde está a loucura?
* * *
O artista é o responsável por fazer o Pinóquio se sentir um menino (uma pessoa num ser livre da natureza além).
Isso é uma coisa que me tranqüiliza, achar natural, e também me condena, embora não possa cumprir pena sem agredir minha personificação.
* * *
13-04-2007
Bem, eu caí dentro do buraco
“Que tal a vista daí?”
Fausto conhece o bilheteiro – disse a tatuíra
E na calçada, desviando do bueiro, pessoas continuaram caminhando.
Me sinto mal por fazer alguém ter de entrar nesse buraco para me tirar.
Espero que a corda não arrebente. Temo pelo contagio da minha doença. Temo por mim mesmo. Num sentido ou no outro. Talvez eu devesse apenas abrir a torneira...
E por isso, procuro lembrar a mim mesmo que aqui no nordeste, suamos, mas não sentimos sede.
O que eu estou fazendo aqui?
Crer em Deus é desejável quando penso no infinito universo.
Mas o que fazer quando se mata o salva-vidas, sem saber nadar?
Bóias são vendidas em nobres lojas,
Ou fabricadas em finos lençóis,
Talvez agora eu tenha percebido que a única vontade que me leva é o sopro do ar
Tenho medo do fim
Por não saber em que parte do espaço me situo
Espero um dia sair desse cercado
E cair sincero num delicado abraço seguro
Antes de cair do pé de maçãs.
* * *
Após ter mirado e atirado, o simples caçador lamenta-se por ter abatido o animal certo. Mas agora o animal está morto e a sua mira, enferrujada.
* * *
13-04-2007
“Bobinho!” – eis o que sou diante da vida. Ao mesmo tempo, temo pela minha maldade e mais ainda pela minha bondade que me machuca.
* * *
Olho para dentro de mim e vejo poesia.
Mas não gosto dos seus versos.
Esse livro eu já li mais de mil vezes
E ainda culpo a bibliotecária por tê-lo me emprestado.
* * *
“Poesia à dois” – são versos que me iludem
mas sentado diante da folha com a caneta
te deixo que comece apenas quando eu terminar –
eu que já não sei mais dançar.
* * *
Doce riacho que reflete o frontal lado
Salve-me e me una a teu espelho
Que a rosa vermelha que eu vejo em teus cabelos
Finalmente, das minhas orelhas eu tenha coragem de deixar cair.
E boiar.
* * *
Ei valentão! Você aí mesmo com bala na agulha. Comprando ração para seus objetos preferidos e confortável quanto à sua superioridade por não ter de pedir aos bois para que te alcancem o presunto, no mercado.
* * *
Quando criança, lembro que, às vezes, estabelecia uma condição para tomar banho: que antes a empregada sentasse no meu colo. Eu disse que era criança, não santo.
* * *
13-04-2007
Bem, eu caí dentro do buraco
“Que tal a vista daí?”
Fausto conhece o bilheteiro – disse a tatuíra
E na calçada, desviando do bueiro, pessoas continuaram caminhando.
Me sinto mal por fazer alguém ter de entrar nesse buraco para me tirar.
Espero que a corda não arrebente. Temo pelo contagio da minha doença. Temo por mim mesmo. Num sentido ou no outro. Talvez eu devesse apenas abrir a torneira...
E por isso, procuro lembrar a mim mesmo que aqui no nordeste, suamos, mas não sentimos sede.
O que eu estou fazendo aqui?
Crer em Deus é desejável quando penso no infinito universo.
Mas o que fazer quando se mata o salva-vidas, sem saber nadar?
Bóias são vendidas em nobres lojas,
Ou fabricadas em finos lençóis,
Talvez agora eu tenha percebido que a única vontade que me leva é o sopro do ar
Tenho medo do fim
Por não saber em que parte do espaço me situo
Espero um dia sair desse cercado
E cair sincero num delicado abraço seguro
Antes de cair do pé de maçãs.
* * *
Após ter mirado e atirado, o simples caçador lamenta-se por ter abatido o animal certo. Mas agora o animal está morto e a sua mira, enferrujada.
* * *
13-04-2007
“Bobinho!” – eis o que sou diante da vida. Ao mesmo tempo, temo pela minha maldade e mais ainda pela minha bondade que me machuca.
* * *
Olho para dentro de mim e vejo poesia.
Mas não gosto dos seus versos.
Esse livro eu já li mais de mil vezes
E ainda culpo a bibliotecária por tê-lo me emprestado.
* * *
“Poesia à dois” – são versos que me iludem
mas sentado diante da folha com a caneta
te deixo que comece apenas quando eu terminar –
eu que já não sei mais dançar.
* * *
Doce riacho que reflete o frontal lado
Salve-me e me una a teu espelho
Que a rosa vermelha que eu vejo em teus cabelos
Finalmente, das minhas orelhas eu tenha coragem de deixar cair.
E boiar.
* * *
Ei valentão! Você aí mesmo com bala na agulha. Comprando ração para seus objetos preferidos e confortável quanto à sua superioridade por não ter de pedir aos bois para que te alcancem o presunto, no mercado.
* * *
Quando criança, lembro que, às vezes, estabelecia uma condição para tomar banho: que antes a empregada sentasse no meu colo. Eu disse que era criança, não santo.
14-04-2007
Meu nome!
Eu já não preciso mais dele
Auxiliou o fato de não mais ouvi-lo
Ou pronunciá-lo.
Hoje percebo quantas de suas letras me tornei.
E quanto espaço ainda há entre elas para ser preenchido.
É preciso uma ponte!
Entre uma letra e outra
Para que eu possa naturalmente vagar
Sem mais forçar-me a procurar.
Achar as vogais e concentrar a força na sílaba tônica.
Assim, escrevê-lo-ei fácil como minha assinatura.
* * *
Como um joguete do destino
Jamais entenderei como me ama dessa maneira
Nessa intensidade
Como pode me amar assim?
Eu, que tão confuso não sei como corresponder-te apropriadamente.
Eu posso compreender o amor de pai.
E posso descobrir todos os mistérios do Universo.
Mas tendo a natureza me feito homem
Jamais compreenderei o amor de mãe.
* * *
Às vezes eu não existo. De fato!
Minhas roupas não me pertencem
Tenho medo que me abandonem
Especialmente as calças cuja personalidade eu encorajo autonomia,
Deixando-as sujas
Talvez um dia ela vá embora
Mas continuará existindo
Minha vontade é uma lembrança.
* * *
Quem é meu melhor amigo mesmo? Uma letra: M.
Uma é dissílaba, a outra, trissílaba.
* * *
Interceder mulheres!
Onde está meu medo?
Aquele que eu abracei tantas noites...
Terá encontrado sua real dimensão quando dei-me conta de salvar a mim mesmo ou fui esquecido por um medo maior ainda?
* * *
Falta-me agressividade para escrever as vogais
Do meu próprio nome
Preciso de uma briga
Ser, é mais difícil do que pressupor do alto da minha representação.
* * *
É isso o que é?! Parem o carrocel!!
* * *
Já ruminei minha desesperança!
* * *
Uma vida é muito para não experimentar todas as coisas.
* * *
Sou Verlaine tentando me tornar Rimbaud. Haja-me mediocridade!
* * *
A além que se vê o tempo todo em segunda e se não vê algo agradável interpreta outra cena na mesma velocidade e mudança de direção do Azulzinho que rege o trânsito.
* * *
Não se trata de poesia. A poesia é o espelho. Trata-se de enxergar melhor e compartilhar essa visão com desinteresse, por mais dura que possa ser aos outros. E não ter medo! Pois se ver apropriadamente e conseguir ser, não poderão me machucar.
* * *
17-04-2007
Todo dia sirvo no buffê a minha dose de sofrimento. E quando não consigo esperar pela janta, eu o almoço.
* * *
(Fulano) era um homem gentil, atencioso e refém do próprio corpo. Seria uma grande surpresa se um dia conseguisse ultrapassar a superfície desse lago escuro.
* * *
Crise total, espaço-temporal, especista, motivacional, sexual. Olhar para tudo e procurar o que é real, ao animal, eis meu caminho na tentativa desesperada de não destruir minhas personificações.
* * *
Estou inventando tudo...?
* * *
Sentir-se completamente à vontade é não estar à vontade.
* * *
Caminhando pra qualquer lugar
Eu mesmo!
Esticando e encurtando os passos
Desvio das formigas.
Meu nome!
Eu já não preciso mais dele
Auxiliou o fato de não mais ouvi-lo
Ou pronunciá-lo.
Hoje percebo quantas de suas letras me tornei.
E quanto espaço ainda há entre elas para ser preenchido.
É preciso uma ponte!
Entre uma letra e outra
Para que eu possa naturalmente vagar
Sem mais forçar-me a procurar.
Achar as vogais e concentrar a força na sílaba tônica.
Assim, escrevê-lo-ei fácil como minha assinatura.
* * *
Como um joguete do destino
Jamais entenderei como me ama dessa maneira
Nessa intensidade
Como pode me amar assim?
Eu, que tão confuso não sei como corresponder-te apropriadamente.
Eu posso compreender o amor de pai.
E posso descobrir todos os mistérios do Universo.
Mas tendo a natureza me feito homem
Jamais compreenderei o amor de mãe.
* * *
Às vezes eu não existo. De fato!
Minhas roupas não me pertencem
Tenho medo que me abandonem
Especialmente as calças cuja personalidade eu encorajo autonomia,
Deixando-as sujas
Talvez um dia ela vá embora
Mas continuará existindo
Minha vontade é uma lembrança.
* * *
Quem é meu melhor amigo mesmo? Uma letra: M.
Uma é dissílaba, a outra, trissílaba.
* * *
Interceder mulheres!
Onde está meu medo?
Aquele que eu abracei tantas noites...
Terá encontrado sua real dimensão quando dei-me conta de salvar a mim mesmo ou fui esquecido por um medo maior ainda?
* * *
Falta-me agressividade para escrever as vogais
Do meu próprio nome
Preciso de uma briga
Ser, é mais difícil do que pressupor do alto da minha representação.
* * *
É isso o que é?! Parem o carrocel!!
* * *
Já ruminei minha desesperança!
* * *
Uma vida é muito para não experimentar todas as coisas.
* * *
Sou Verlaine tentando me tornar Rimbaud. Haja-me mediocridade!
* * *
A além que se vê o tempo todo em segunda e se não vê algo agradável interpreta outra cena na mesma velocidade e mudança de direção do Azulzinho que rege o trânsito.
* * *
Não se trata de poesia. A poesia é o espelho. Trata-se de enxergar melhor e compartilhar essa visão com desinteresse, por mais dura que possa ser aos outros. E não ter medo! Pois se ver apropriadamente e conseguir ser, não poderão me machucar.
* * *
17-04-2007
Todo dia sirvo no buffê a minha dose de sofrimento. E quando não consigo esperar pela janta, eu o almoço.
* * *
(Fulano) era um homem gentil, atencioso e refém do próprio corpo. Seria uma grande surpresa se um dia conseguisse ultrapassar a superfície desse lago escuro.
* * *
Crise total, espaço-temporal, especista, motivacional, sexual. Olhar para tudo e procurar o que é real, ao animal, eis meu caminho na tentativa desesperada de não destruir minhas personificações.
* * *
Estou inventando tudo...?
* * *
Sentir-se completamente à vontade é não estar à vontade.
* * *
Caminhando pra qualquer lugar
Eu mesmo!
Esticando e encurtando os passos
Desvio das formigas.
18-10-2006 – quarta 09:18
É na leveza das minhas pernas
A terra encantada
O paraíso de Rizzo
A noite pintada
Arco íris da lua
Árvore de prédio
O macaco escorou a banana em seu descanso
E agora dança sem tédio
Sem tédio e louco
Com luzes piscantes
Azul e laranja
São rostos de diamante
Um copo é pequeno
Pequena pode ser a casa de Alice
Quase tarde saí do copo!
Antes que o Sargento Garcia visse
Entre meus olhos e as coisas, a pele
Lisa, escamosa e fria
Sua forma em todos os lugares
Produto daquela que cria
Sente minha pele, amor?
Sente, sente, sente, sente, sente!
Agora que os palhaços e os trapezistas da noite foram embora, apresente um pouco de compostura e me faça o condenador chamar e meu dedo em riste, argüir.
* * *
14-04-2007
E a gente vai levando
Seguindo e cantando
A nossa tragédia
Eu e Dom Quixote
* * *
O maior e inevitável pesadelo do voyeurista é o exibicionista
Incapaz de ser, ele procura o há de pior na humanidade e se sente aliviado por não ter feito nada.
“E o voyeurista?”
-Não sei.
* * *
Dorian Gray, Dorian Gray – advertiu a mãe após ter feito a barba.
* * *
Abraçar a solidão: assim fazem as correntes do portão do castelo quando se recusam a abrí-lo.
* * *
Já contou até 2007 hoje?
* * *
Que acúmulo de diferentes olhares, risos, pausas, falas e reações eu fiz! Esse personagem é tão fantástico que eu mesmo não consigo vir à superfície! Ao longo dos anos coloquei traços de personalidade – imaginando reações que elas provocariam – no liquidificador, modelei um novo cérebro para meu corpo e me mandei calar a boca. Enquanto isso, espero minha vez de falar. Mas ele nunca termina. E se termina, sempre parece estar próximo de causar ou ser encontrado. Por algo imaginário, mas ele não me diz. E eu acredito nele.
É na leveza das minhas pernas
A terra encantada
O paraíso de Rizzo
A noite pintada
Arco íris da lua
Árvore de prédio
O macaco escorou a banana em seu descanso
E agora dança sem tédio
Sem tédio e louco
Com luzes piscantes
Azul e laranja
São rostos de diamante
Um copo é pequeno
Pequena pode ser a casa de Alice
Quase tarde saí do copo!
Antes que o Sargento Garcia visse
Entre meus olhos e as coisas, a pele
Lisa, escamosa e fria
Sua forma em todos os lugares
Produto daquela que cria
Sente minha pele, amor?
Sente, sente, sente, sente, sente!
Agora que os palhaços e os trapezistas da noite foram embora, apresente um pouco de compostura e me faça o condenador chamar e meu dedo em riste, argüir.
* * *
14-04-2007
E a gente vai levando
Seguindo e cantando
A nossa tragédia
Eu e Dom Quixote
* * *
O maior e inevitável pesadelo do voyeurista é o exibicionista
Incapaz de ser, ele procura o há de pior na humanidade e se sente aliviado por não ter feito nada.
“E o voyeurista?”
-Não sei.
* * *
Dorian Gray, Dorian Gray – advertiu a mãe após ter feito a barba.
* * *
Abraçar a solidão: assim fazem as correntes do portão do castelo quando se recusam a abrí-lo.
* * *
Já contou até 2007 hoje?
* * *
Que acúmulo de diferentes olhares, risos, pausas, falas e reações eu fiz! Esse personagem é tão fantástico que eu mesmo não consigo vir à superfície! Ao longo dos anos coloquei traços de personalidade – imaginando reações que elas provocariam – no liquidificador, modelei um novo cérebro para meu corpo e me mandei calar a boca. Enquanto isso, espero minha vez de falar. Mas ele nunca termina. E se termina, sempre parece estar próximo de causar ou ser encontrado. Por algo imaginário, mas ele não me diz. E eu acredito nele.
15-04-2007
A quantidade de liberdade que eu necessito é simplesmente total. Total em mim mesmo. Sem situar-me no tempo ou no espaço. Ir adiante! Amar, mas saber a hora de ir embora pois é claro que sempre haverá o que ou quem amar.
Diante de tudo, se não houver amor, eu posso ser iluminado pelo sol, acariciado pela água. Por isso me chamaram.
Na floresta, as árvores têm donos e eles – os macacos – passeiam por outras árvores de macacos amistosos. Ele reconhece a soberania deles e tem a sua soberania pressuposta – enquanto ainda não for visitado.
Nada nos pertence.
No meu prédio não deveriam haver portas, não deveriam haver regras exceto colher sua liberdade da videira da forma que lhe aprouver, sendo carinhoso e terno. Alguém assim não se importaria em receber três, quinze ou vinte, naquilo que lhe está escriturado. E tampouco se importaria se fosse por um dia ou toda a eternidade, pois se resolvesse iria até a casa dos vizinhos sem nenhuma bagagem, exceto o coração no seu peito e assim circularia, sendo vizinho de todos e de ninguém.
* * *
Está ficando difícil de ver as pessoas, mas não posso fazer nada a respeito. Não devo!
É como é!
* * *
Tô muito assustado. Eu quero ser o medico.
Com a sabedoria, aprendendo a usá-la. Minha condenação é expressar meus sentimentos. O papel tem sido minha amante e a caneta, minha pele.
Transamos ininterruptamente.
* * *
Fui até a sacada
Olhei o mundo achatado
E depois disso, a mim, em segunda pessoa.
Sentindo-se oprimido, sozinho.
Mas consegui de onde eu estava, sorrir.
Teria gostado de mim mesmo.
E pensaria que “mim” estava achando o sol muito agradável.
* * *
A distorção da visão ocasionada pelo fogo ou calor, lembrou-me de algo: ando vendo “portais”.
* * *
Tudo na minha personalidade são estreitos corredores horizontais e um grande corredor vertical que os liga e significa intensidade. Ao norte, o mal, ao sul, o bem. É estranho, não deveria ser assim, mas eu não consigo abrir as portas dos corredores horizontais distante daquele que os liga, assim acabo indo, não vou além, mas também não volto.
Porque amanhã eu tento de novo.
* * *
Preciso descobrir de algo que esse animal gosta. Psicótico! Eu!
* * *
Eu não consigo ver as pessoas. Que realidade tão insuportável é essa que eu ignoro?
* * *
Estou sendo carregado pelo mundo, na verdade.
* * *
Fudidaço!
* * *
Tenho que sair do poço, mas meu mergulho não termina. Vontade de me internar. Sinto medo e pior: penso que devo amá-lo.
* * *
15-04-2007
Loucura é poder cantar e mirar
Com a vassoura
É varrer esse chão, sem sabão
É ser um animal infeliz num chafariz
Eu só quero cantar e dançar
Essa ilusão
Eu deveria ligar para ela, falar e dizer que a amo.
Que sempre amei e não vejo o fim desse amor.
Mas no meu atual momento, ou ela não acreditaria ou ficaria preocupada comigo.
Sem desculpa, mas preciso melhorar antes de qualquer coisa. – DESCULPA SIM!
* * *
Até onde leva a negação!
Assim sou, aceitando ou invertendo tudo que aprendi.
Assim sou, procurando, procurando pelos cantos. Procurando!
Analisando minha vida e todos à minha volta como um joalheiro.
Minha vida na ponta dos meus dedos, procurando enxergar.
Tocando mais leve, mais solto. E solto.
Procurando valor. Procurando algo que me fizesse comprá-la.
Mas só pensei em colocar a mão no bolso quando vi o brilho da tua alma, meu amor infinito.
Minha moeda é o coração e eu seu que se vierdes, o trará consigo.
Sendo de um jeito ou de outro.
Achando saber quem eu sou ou não sabendo mais, em absoluto.
Reconhecendo você, eu descobri que não sou nem um, nem outro.
Apenas aquele que eu tinha medo de ser.
Me perdoe
Eu amo você muito.
* * *
Me tornei o Diabo pela primeira vez de verdade.
Ele andou passeando por perto, aparecendo aos poucos pra cobrar a conta.
É assim, ele lhe desorientará espaço e temporalmente e você terá medo por haver se tornado àquilo que romanticamente via como a realidade do homem.
Quando o Diabo se aproxima e você não consegue expulsá-lo, é bom descobrir rapidamente o que você veio fazer aqui e reconhecer o que realmente importa – parece tão simples – para poder matá-lo. Do contrario, sua mente o consumirá aos poucos e destruirá aquilo que a abastace.
Sou caprichoso demais!
Exijo demais de mim e não consigo relaxar!
Preciso assumir a minha idiotice e parar de me sentir criticado pelos olhares de TODOS!
Que crise!
A quantidade de liberdade que eu necessito é simplesmente total. Total em mim mesmo. Sem situar-me no tempo ou no espaço. Ir adiante! Amar, mas saber a hora de ir embora pois é claro que sempre haverá o que ou quem amar.
Diante de tudo, se não houver amor, eu posso ser iluminado pelo sol, acariciado pela água. Por isso me chamaram.
Na floresta, as árvores têm donos e eles – os macacos – passeiam por outras árvores de macacos amistosos. Ele reconhece a soberania deles e tem a sua soberania pressuposta – enquanto ainda não for visitado.
Nada nos pertence.
No meu prédio não deveriam haver portas, não deveriam haver regras exceto colher sua liberdade da videira da forma que lhe aprouver, sendo carinhoso e terno. Alguém assim não se importaria em receber três, quinze ou vinte, naquilo que lhe está escriturado. E tampouco se importaria se fosse por um dia ou toda a eternidade, pois se resolvesse iria até a casa dos vizinhos sem nenhuma bagagem, exceto o coração no seu peito e assim circularia, sendo vizinho de todos e de ninguém.
* * *
Está ficando difícil de ver as pessoas, mas não posso fazer nada a respeito. Não devo!
É como é!
* * *
Tô muito assustado. Eu quero ser o medico.
Com a sabedoria, aprendendo a usá-la. Minha condenação é expressar meus sentimentos. O papel tem sido minha amante e a caneta, minha pele.
Transamos ininterruptamente.
* * *
Fui até a sacada
Olhei o mundo achatado
E depois disso, a mim, em segunda pessoa.
Sentindo-se oprimido, sozinho.
Mas consegui de onde eu estava, sorrir.
Teria gostado de mim mesmo.
E pensaria que “mim” estava achando o sol muito agradável.
* * *
A distorção da visão ocasionada pelo fogo ou calor, lembrou-me de algo: ando vendo “portais”.
* * *
Tudo na minha personalidade são estreitos corredores horizontais e um grande corredor vertical que os liga e significa intensidade. Ao norte, o mal, ao sul, o bem. É estranho, não deveria ser assim, mas eu não consigo abrir as portas dos corredores horizontais distante daquele que os liga, assim acabo indo, não vou além, mas também não volto.
Porque amanhã eu tento de novo.
* * *
Preciso descobrir de algo que esse animal gosta. Psicótico! Eu!
* * *
Eu não consigo ver as pessoas. Que realidade tão insuportável é essa que eu ignoro?
* * *
Estou sendo carregado pelo mundo, na verdade.
* * *
Fudidaço!
* * *
Tenho que sair do poço, mas meu mergulho não termina. Vontade de me internar. Sinto medo e pior: penso que devo amá-lo.
* * *
15-04-2007
Loucura é poder cantar e mirar
Com a vassoura
É varrer esse chão, sem sabão
É ser um animal infeliz num chafariz
Eu só quero cantar e dançar
Essa ilusão
Eu deveria ligar para ela, falar e dizer que a amo.
Que sempre amei e não vejo o fim desse amor.
Mas no meu atual momento, ou ela não acreditaria ou ficaria preocupada comigo.
Sem desculpa, mas preciso melhorar antes de qualquer coisa. – DESCULPA SIM!
* * *
Até onde leva a negação!
Assim sou, aceitando ou invertendo tudo que aprendi.
Assim sou, procurando, procurando pelos cantos. Procurando!
Analisando minha vida e todos à minha volta como um joalheiro.
Minha vida na ponta dos meus dedos, procurando enxergar.
Tocando mais leve, mais solto. E solto.
Procurando valor. Procurando algo que me fizesse comprá-la.
Mas só pensei em colocar a mão no bolso quando vi o brilho da tua alma, meu amor infinito.
Minha moeda é o coração e eu seu que se vierdes, o trará consigo.
Sendo de um jeito ou de outro.
Achando saber quem eu sou ou não sabendo mais, em absoluto.
Reconhecendo você, eu descobri que não sou nem um, nem outro.
Apenas aquele que eu tinha medo de ser.
Me perdoe
Eu amo você muito.
* * *
Me tornei o Diabo pela primeira vez de verdade.
Ele andou passeando por perto, aparecendo aos poucos pra cobrar a conta.
É assim, ele lhe desorientará espaço e temporalmente e você terá medo por haver se tornado àquilo que romanticamente via como a realidade do homem.
Quando o Diabo se aproxima e você não consegue expulsá-lo, é bom descobrir rapidamente o que você veio fazer aqui e reconhecer o que realmente importa – parece tão simples – para poder matá-lo. Do contrario, sua mente o consumirá aos poucos e destruirá aquilo que a abastace.
Sou caprichoso demais!
Exijo demais de mim e não consigo relaxar!
Preciso assumir a minha idiotice e parar de me sentir criticado pelos olhares de TODOS!
Que crise!
Só se evita aquilo que muito se deseja ou àquilo que não conseguimos resistir.
* * *
Por trás das cuecas, o imã soberano aponta para a mulher de aparelhos, que mostra os dentes e seu sorriso metálico.
* * *
Tive a idéia da monografia por um capricho: fechar com 12 fotos o álbum do orkut (foto com touca do Inter. Idéia: analisar a linguagem do filme “Chicago” e os elementos que eles usaram. Falar das aparições do Hitchcock, relacionando com o desenho do “Onde está Wally”.
* * *
26-11-06
Hoje o Inter meteu 4 X 1 no Palmeiras no Parque Antarctica. O Brasil inteiro fala na estréia de Pato Alexandre que fez um gol e três assistências para os outros gols. O menino de 17 anos disputará o Mundial em dezembro.
Esse desempenho surpreendente e o fato de ainda não ter visto os lances, fazem com que minha mente, nesse momento, esse jogador tem uma áurea de genialidade em volta de si. E será assim até que eu veja os lances.
Nunca tinha visto jogar e como muitos, dizia que era craque. Pato Alexandre começou fazendo um gol após jogar um minuto e meio como profissional. E no restante dos 45 minutos, três assistências.
Até a imprensa folclórica carioca baba no menino. Que eu deveria pensar?
* * *
Por trás das cuecas, o imã soberano aponta para a mulher de aparelhos, que mostra os dentes e seu sorriso metálico.
* * *
Tive a idéia da monografia por um capricho: fechar com 12 fotos o álbum do orkut (foto com touca do Inter. Idéia: analisar a linguagem do filme “Chicago” e os elementos que eles usaram. Falar das aparições do Hitchcock, relacionando com o desenho do “Onde está Wally”.
* * *
26-11-06
Hoje o Inter meteu 4 X 1 no Palmeiras no Parque Antarctica. O Brasil inteiro fala na estréia de Pato Alexandre que fez um gol e três assistências para os outros gols. O menino de 17 anos disputará o Mundial em dezembro.
Esse desempenho surpreendente e o fato de ainda não ter visto os lances, fazem com que minha mente, nesse momento, esse jogador tem uma áurea de genialidade em volta de si. E será assim até que eu veja os lances.
Nunca tinha visto jogar e como muitos, dizia que era craque. Pato Alexandre começou fazendo um gol após jogar um minuto e meio como profissional. E no restante dos 45 minutos, três assistências.
Até a imprensa folclórica carioca baba no menino. Que eu deveria pensar?
2006- Fala-se muito da tragédia e, em especial, da grega. A gloriosa tragédia que deu origem ao teatro, às peças, à literatura, ao cinema, à vida. E, no entanto, apenas nos emocionamos quando a tragédia está diante de nós, isto é, quando não fazemos parte dela. Analisando a morte, o falecimento de um ente querido nos emociona, mas não choramos pela nossa tragédia, mas pela do nosso novo moribundo. Quem de nós terá coragem de viver, respirar e celebrar a própria tragédia como algo lindo e intocável? Quem de nós tem tato e força para degustar a poesia da própria queda? Ah, estou rodeado ultimamente de tantas coisas belas e maravilhosas que tenho que fazer um esforço quase sobrenatural para sair um momento de minha vida e escrever nesse pedaço de papel.
Meus parentes e amigos me perderam quando deram-se oportunidade de viver sozinho? Não abro mão dessa vida de não precisar ouvir e nem falar, por nada.
Meus parentes e amigos me perderam quando deram-se oportunidade de viver sozinho? Não abro mão dessa vida de não precisar ouvir e nem falar, por nada.
Idéia para curta: homem falando no telefone fica sabendo que um conhecido morreu. Ex: Simão. Não dá a mínima mas tempos depois cruza com alguém parecido com ele na rua. E é ele. Se aproximando, ele descobre que aquela é uma cidade que as pessoas vão depois que morrem. Ridículo!!! Coisa de Religioso LIXO!!!
Idéia para curta: homem é levado a um lugar estranho, claro, como se fosse o céu. Depois, espera para ser castrado. Mostrar esperando e sendo levado. Voz dele em OFF, falando.
* * *
2006
Reconhecendo a minha geração muito mais preparada, embora no interior, haja um atraso moral e comportamental de muitos deles ainda, eu finalmente entendi PORQUE as pessoas têm filhos. É o ideal das pessoas pro mundo (talvez). Sinto que tenho obrigação de reproduzir pois são os inconscientes da loucura que é o mundo que o homem criou que não devem se reproduzir. Ainda haverá um mundo sem governos, sem fronteiras, sem dinheiro, onde hajam comunidades (e eu sinto que eu finalmente entendi isso). Exemplo que se estende ao vegetarianismo. Ser vegetariano é obrigação moral, demonstração de respeito. Mais digno é comer cadáver humano na churrascaria. Falam da MORAL E ÉTICA... É a geração de Gandhi. Por isso não dá pra parar. É como se nosso comportamento e cultura fossem os primeiros assim como o desenvolvimento da sensibilidade humana fosse influenciar aos poucos e gradativamente as outras pessoas por questão dos nossos valores serem mais elevados e libertários. Eis a questão: de 2 se faz 4, de 4, 8. Além das pessoas familiares e as não-familiares que essa idéia é apresentada ou experimentada, seguida por um tempo ou permanentemente, adote esses costumes de cuidado e respeito com os outros.
* * *
2006-2007
A homofobia nasceu de um vicio de linguagem: manifestar interesse sexual referindo-o a um homem ou uma mulher ao invés de uma pessoa. A linguagem, no caso, criou a separação de gênero e criou a opção – o que, teoricamente, impediria um “heterossexual” de tornar-se “homossexual” ou “bissexual” pois, na sociedade a coerência é vista como qualidade e gera admiração e “mudar” a opção, no caso, refletiria como incoerência além de “revelar” dentro dessa concepção – instabilidade e, consequentemente, causar insegurança nos outros.
Assim sendo, não se optaria por uma pessoa que se deseja, mas uma pessoa dentro de gênero inicial ao que fomos educados – heterossexualmente – para seguir.
Idéia para curta: homem é levado a um lugar estranho, claro, como se fosse o céu. Depois, espera para ser castrado. Mostrar esperando e sendo levado. Voz dele em OFF, falando.
* * *
2006
Reconhecendo a minha geração muito mais preparada, embora no interior, haja um atraso moral e comportamental de muitos deles ainda, eu finalmente entendi PORQUE as pessoas têm filhos. É o ideal das pessoas pro mundo (talvez). Sinto que tenho obrigação de reproduzir pois são os inconscientes da loucura que é o mundo que o homem criou que não devem se reproduzir. Ainda haverá um mundo sem governos, sem fronteiras, sem dinheiro, onde hajam comunidades (e eu sinto que eu finalmente entendi isso). Exemplo que se estende ao vegetarianismo. Ser vegetariano é obrigação moral, demonstração de respeito. Mais digno é comer cadáver humano na churrascaria. Falam da MORAL E ÉTICA... É a geração de Gandhi. Por isso não dá pra parar. É como se nosso comportamento e cultura fossem os primeiros assim como o desenvolvimento da sensibilidade humana fosse influenciar aos poucos e gradativamente as outras pessoas por questão dos nossos valores serem mais elevados e libertários. Eis a questão: de 2 se faz 4, de 4, 8. Além das pessoas familiares e as não-familiares que essa idéia é apresentada ou experimentada, seguida por um tempo ou permanentemente, adote esses costumes de cuidado e respeito com os outros.
* * *
2006-2007
A homofobia nasceu de um vicio de linguagem: manifestar interesse sexual referindo-o a um homem ou uma mulher ao invés de uma pessoa. A linguagem, no caso, criou a separação de gênero e criou a opção – o que, teoricamente, impediria um “heterossexual” de tornar-se “homossexual” ou “bissexual” pois, na sociedade a coerência é vista como qualidade e gera admiração e “mudar” a opção, no caso, refletiria como incoerência além de “revelar” dentro dessa concepção – instabilidade e, consequentemente, causar insegurança nos outros.
Assim sendo, não se optaria por uma pessoa que se deseja, mas uma pessoa dentro de gênero inicial ao que fomos educados – heterossexualmente – para seguir.
O que mais amamos em nossos filhos, são os nossos genes.
* * *
22-11-2006 – ônibus
Ultimamente, a ternura que ando revelando é a coisa mais lírica, mais doce, mais sincera que eu já vi esse grão de açúcar produzir. É tanta ternura que o meu tom de voz é convicto, gentil e realmente vem do coração. É loucura o nome que dão os que não podem sentir. E a sensibilidade é o que difere o homem do vegetal. Ah, me abraça de uma vez nessa lotação. Queremos ambos a mesma coisa. Não é estranho reagir como quem não sabe o que fazer? Como quem não está diante da situação? Vê em mim e em ti dois macacos e saberemos o que fazer. 23 anos. E o inverno finalmente termina. Quanta beleza me trás a primavera! Me faz quase abrir mão do verão. Quase. É apenas a primavera e eu já desabrochei ou estou para desabrochar. Que deleite maravilhoso ou veneno mortal me reservará o próximo solstício?
20h30 – casa
Nasci em 25 de junho. Quatro dia antes do início do inverno. Não sabia eu que essa estação duraria 22 anos. É por isso que eu me sinto tão bem por não tremer de frio num tempo que eu não escolhi. Que venha! Que venha, querida primavera e traga contigo a mesma intensidade ao dar à luz a vida, a beleza e a poesia com a mesma violência com que rios e riachos cujo fundo de linha fina turquesa não se associará a agulha de não servirá para costurar na terra junto à superfície congelada. É proibido patinar ou esquiar sobre o rio. O rio, por outro lado, proíbe que alguém deslize sobre ele. Ninguém é capaz de realmente viver, esquivando-se de suas escolhas. Mas estes ainda têm o cemitério.
* * *
20-11-2006
“Pare!” – gritou o policial.
“Sente-se bem?”, eu perguntei.
Todos os papéis devem ser abandonados, todos os uniformes queimados. O homem é ator. Mas nesse teatro de cenário urbano, nesse quadro pós-moderno dos prédios e das casas da Polis que vivo, todo o significado deve ser desconstruído para que encontremos o significado. Eu sou o que sou. O que me atrapalha, às vezes, é que pessoas deveriam ser, não são. Eu amo todas elas, é claro, mas eu não sei porque elas não se amam.
* * *
O mundo é. E o que eu faço nele é quem nós somos.
* * *
A natureza está confinada e é refém do conquistador. Somente o homem pode levantar-se e abandonar esse adjetivo que só nos orgulha quando somos ainda jovens demais e ainda estúpidos demais.
* * *
20-11-2006
Só há um caminho
Não adianta falar
Segue-o sozinho
E o sol irá encontrar
À beleza só te leva o amor
E seja como for
Nossas mãos, vamos dar
Amor, meu grande amor,
O sentimento que me umedece os olhos agora você sabe que existe
E eu quero tudo e o que eu não quero, também
Eu estou preparado
É tão lindo e é só amor.
* * *
Amor é o nome que podemos dar aquilo tudo que a razão não pode contestar
* * *
É tudo amor, mas é preciso olhar.
* * *
Eu sou um cão ladrando pela refeição. Se sou um bicho do mato.
* * *
Sou um servente, um lobo, um louco, não um
* * *
Sou uma pessoa boa. O resto, são curiosidades.
* * *
22-11-2006 – ônibus
Ultimamente, a ternura que ando revelando é a coisa mais lírica, mais doce, mais sincera que eu já vi esse grão de açúcar produzir. É tanta ternura que o meu tom de voz é convicto, gentil e realmente vem do coração. É loucura o nome que dão os que não podem sentir. E a sensibilidade é o que difere o homem do vegetal. Ah, me abraça de uma vez nessa lotação. Queremos ambos a mesma coisa. Não é estranho reagir como quem não sabe o que fazer? Como quem não está diante da situação? Vê em mim e em ti dois macacos e saberemos o que fazer. 23 anos. E o inverno finalmente termina. Quanta beleza me trás a primavera! Me faz quase abrir mão do verão. Quase. É apenas a primavera e eu já desabrochei ou estou para desabrochar. Que deleite maravilhoso ou veneno mortal me reservará o próximo solstício?
20h30 – casa
Nasci em 25 de junho. Quatro dia antes do início do inverno. Não sabia eu que essa estação duraria 22 anos. É por isso que eu me sinto tão bem por não tremer de frio num tempo que eu não escolhi. Que venha! Que venha, querida primavera e traga contigo a mesma intensidade ao dar à luz a vida, a beleza e a poesia com a mesma violência com que rios e riachos cujo fundo de linha fina turquesa não se associará a agulha de não servirá para costurar na terra junto à superfície congelada. É proibido patinar ou esquiar sobre o rio. O rio, por outro lado, proíbe que alguém deslize sobre ele. Ninguém é capaz de realmente viver, esquivando-se de suas escolhas. Mas estes ainda têm o cemitério.
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20-11-2006
“Pare!” – gritou o policial.
“Sente-se bem?”, eu perguntei.
Todos os papéis devem ser abandonados, todos os uniformes queimados. O homem é ator. Mas nesse teatro de cenário urbano, nesse quadro pós-moderno dos prédios e das casas da Polis que vivo, todo o significado deve ser desconstruído para que encontremos o significado. Eu sou o que sou. O que me atrapalha, às vezes, é que pessoas deveriam ser, não são. Eu amo todas elas, é claro, mas eu não sei porque elas não se amam.
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O mundo é. E o que eu faço nele é quem nós somos.
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A natureza está confinada e é refém do conquistador. Somente o homem pode levantar-se e abandonar esse adjetivo que só nos orgulha quando somos ainda jovens demais e ainda estúpidos demais.
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20-11-2006
Só há um caminho
Não adianta falar
Segue-o sozinho
E o sol irá encontrar
À beleza só te leva o amor
E seja como for
Nossas mãos, vamos dar
Amor, meu grande amor,
O sentimento que me umedece os olhos agora você sabe que existe
E eu quero tudo e o que eu não quero, também
Eu estou preparado
É tão lindo e é só amor.
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Amor é o nome que podemos dar aquilo tudo que a razão não pode contestar
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É tudo amor, mas é preciso olhar.
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Eu sou um cão ladrando pela refeição. Se sou um bicho do mato.
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Sou um servente, um lobo, um louco, não um
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Sou uma pessoa boa. O resto, são curiosidades.
Açougue dos animais no cemitério. Cães levam carne embrulhada saindo do cemitério. Pessoas estranham. Uma pessoa come a carne que é humana. Um macaco a condecora diante de uma vaca. Ele sorri
* * *
Escrever da minha loucura de domingo. Fim é na segunda depois de telefonemas. Na sacada, fumando, nada aconteceu.
2007
* * *
Ando me sentindo mal. Emocionalmente retardado. Fora. Com dificuldades sérias de relacionar-me ou expressar-me, estando exposto, sujeito a aproximação dos outros, temendo isso, a mercê de mim mesmo. Tenho de me lembrar como é dialogar, reagir, entender, ser claro e sucinto. Confuso totalmente, tentando mudar, sem espontaneidade, agindo minimamente, como acho que deveria, sem conseguir fazer isso automaticamente. Isso me faz mal. Em relação aos outros e à mim mesmo. Além disso, não consigo pensar em nada além dessa coisa toda. Isso me desconsola em relação a tudo que vivi, aprendi e acreditei. E me dá medo, medo de descobrir que não sei de nada.
2006- Idéia- com as variações climáticas, o gelo derretendo, o nível de água subindo, ventos mudando=> dar uma explicação plausível para que a gravidade pudesse variar dos seus 9.8m/s2 aqui na terra, sem o uso de simuladores. Relacionar a viagem da árvore do parque de exposições (seus galhos pareciam algas marinhas no fundo do mar, enquanto dançava ao vento). O ar, o vento, esse céu é uma cama tal como a água e se equivale a ela. É ela, de fato. A origem é o vento pelos dois de oxigênio + 1 de hidrogênio que juntos compõem quase 70% do planeta e de nós mesmos, seres vivos. Relacionar o vento com a gravidade e depois com o sol como pai criador de tudo e como causador. Já havia acontecido essas transformações na terra. Climáticas e de gravidade. Explicar que foi isso que possibilitou ao homem, tornar-se bípede: a gravidade, do jeito que está, favorece a nós, descendentes dos macacos. Poucas espécies assim “beneficiadas” ou só o homem e o macaco mesmo.
A curva dramática da idéia: a variação da gravidade faz o homem sentir-se mais confortável, locomovendo-se arrastando-se ou (o que pensei depois que é a tendência, já que antes, teoricamente, “éramos mais pesados”) voando, com a diminuição da força da gravidade. O homem se vê exposto aos outros animais, se locomovendo como eles e tendo de sobreviver A ELES, como se se tornasse presas deles. Eles teriam que ir a algum lugar. Solucionar o problema (da gravidade) de forma artificial no mundo todo com uma invenção científica? Não! Fazer como que as comunidades em todo o mundo ou todas as pessoas descobrirem um jeito de se proteger ou de se não se expor tanto. E continuar vivendo nesse mundo alterado? Ou isso acontece quando temos condições de levar nossa “arca” para outro planeta e começar tudo de novo? Outra: se o ser humano se tornasse “pesado demais” para se locomover, ele poderia começar a se arrastar. E um cientista na TV poderia dizer que a evolução (como hoje falam dos minguinhos do pé) seria o homem perder os braços. Os ossos e o tamanho se reduziriam gradativamente com o passar dos milhares de anos e que por causa da umidade, a pele do homem sem braços que se arrasta, estaria sempre úmida, consequentemente, gelada. Nesse momento, uma mulher vendo TV se horroriza e fala indignada que não quer se transformar numa cobra. O cientista continua dizendo que por essa evolução, o pescoço desapareceria e os humanos ficariam mais estreitos e mais baixos que nem uma cobra.
* * *
Escrever da minha loucura de domingo. Fim é na segunda depois de telefonemas. Na sacada, fumando, nada aconteceu.
2007
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Ando me sentindo mal. Emocionalmente retardado. Fora. Com dificuldades sérias de relacionar-me ou expressar-me, estando exposto, sujeito a aproximação dos outros, temendo isso, a mercê de mim mesmo. Tenho de me lembrar como é dialogar, reagir, entender, ser claro e sucinto. Confuso totalmente, tentando mudar, sem espontaneidade, agindo minimamente, como acho que deveria, sem conseguir fazer isso automaticamente. Isso me faz mal. Em relação aos outros e à mim mesmo. Além disso, não consigo pensar em nada além dessa coisa toda. Isso me desconsola em relação a tudo que vivi, aprendi e acreditei. E me dá medo, medo de descobrir que não sei de nada.
2006- Idéia- com as variações climáticas, o gelo derretendo, o nível de água subindo, ventos mudando=> dar uma explicação plausível para que a gravidade pudesse variar dos seus 9.8m/s2 aqui na terra, sem o uso de simuladores. Relacionar a viagem da árvore do parque de exposições (seus galhos pareciam algas marinhas no fundo do mar, enquanto dançava ao vento). O ar, o vento, esse céu é uma cama tal como a água e se equivale a ela. É ela, de fato. A origem é o vento pelos dois de oxigênio + 1 de hidrogênio que juntos compõem quase 70% do planeta e de nós mesmos, seres vivos. Relacionar o vento com a gravidade e depois com o sol como pai criador de tudo e como causador. Já havia acontecido essas transformações na terra. Climáticas e de gravidade. Explicar que foi isso que possibilitou ao homem, tornar-se bípede: a gravidade, do jeito que está, favorece a nós, descendentes dos macacos. Poucas espécies assim “beneficiadas” ou só o homem e o macaco mesmo.
A curva dramática da idéia: a variação da gravidade faz o homem sentir-se mais confortável, locomovendo-se arrastando-se ou (o que pensei depois que é a tendência, já que antes, teoricamente, “éramos mais pesados”) voando, com a diminuição da força da gravidade. O homem se vê exposto aos outros animais, se locomovendo como eles e tendo de sobreviver A ELES, como se se tornasse presas deles. Eles teriam que ir a algum lugar. Solucionar o problema (da gravidade) de forma artificial no mundo todo com uma invenção científica? Não! Fazer como que as comunidades em todo o mundo ou todas as pessoas descobrirem um jeito de se proteger ou de se não se expor tanto. E continuar vivendo nesse mundo alterado? Ou isso acontece quando temos condições de levar nossa “arca” para outro planeta e começar tudo de novo? Outra: se o ser humano se tornasse “pesado demais” para se locomover, ele poderia começar a se arrastar. E um cientista na TV poderia dizer que a evolução (como hoje falam dos minguinhos do pé) seria o homem perder os braços. Os ossos e o tamanho se reduziriam gradativamente com o passar dos milhares de anos e que por causa da umidade, a pele do homem sem braços que se arrasta, estaria sempre úmida, consequentemente, gelada. Nesse momento, uma mulher vendo TV se horroriza e fala indignada que não quer se transformar numa cobra. O cientista continua dizendo que por essa evolução, o pescoço desapareceria e os humanos ficariam mais estreitos e mais baixos que nem uma cobra.
02-12-2006 (11h – ressaca)
Logo no começo quando vi que ela não bebia e ela disse que era assim mesmo, eu pensei, “ela não bebe?!”. Isso o que pensei no momento da recusa. De manhã, após não ter pego ela, gasto 60 reais, aproximadamente, ficado na festa sozinho (embora estivesse boa), voltado exausto de trem às 5 horas da manhã, chegado as 5h40min e depois, só conseguir dormir 3 horas e meia por causa dos dois guaranás-cerebral que eu tomei antes da festa ainda, ao acordar, bebi água, morto de sede que estava e pensei: “Não beber. É o último grau da caretice”.
Logo no começo quando vi que ela não bebia e ela disse que era assim mesmo, eu pensei, “ela não bebe?!”. Isso o que pensei no momento da recusa. De manhã, após não ter pego ela, gasto 60 reais, aproximadamente, ficado na festa sozinho (embora estivesse boa), voltado exausto de trem às 5 horas da manhã, chegado as 5h40min e depois, só conseguir dormir 3 horas e meia por causa dos dois guaranás-cerebral que eu tomei antes da festa ainda, ao acordar, bebi água, morto de sede que estava e pensei: “Não beber. É o último grau da caretice”.
2007
Tudo. Absolutamente tudo que eu vejo no mundo eu sei que está dentro de cada um de nós. Não há espaço para tanto. Por isso, entramos na onda que esquecemos daquele jeito que chamamos, jacaré. De qualquer forma, isso me deixa claro que não podemos rejeitar o mundo ou parte dele como alguém que não leva algo de um jeito ou de outro dentro de si. O mundo é como cada um de nós fizemos e fizemos sozinhos cada um, dentro de nós mesmo.
* * *
Beijos de açúcar não lavam cabelos. Só quando não me olho que sou o espelho. Negativo com negativo. Perna com braço, cabelo na boca, rosto no peito, me olha, me ajeito, algo de positivo para a alma, nutritivo. Cantos, pele, sono, cabelo. Assim brinco com Peter Pan. No momento sou a sombra. E também Peter Pan. E tu és também Peter Pan e a sombra. Cada um cuida da sua, ou melhor, esquece dela.
* * *
Não sei porque sobrevivo em um corpo mas viver apenas me é possível tendo dois deles disponíveis.
* * *
Acho que já estou preparado para aceitar que discorde de mim sobre as mentiras que eu digo sem saber.
* * *
As hipóteses que fundamentam uma discussão dizem mais sobre a pessoa que as utiliza como exemplos do que o caminho que percorreu para chegar até ali.
* * *
Existe uma maneira de morrer: é vendo o que é o doutor, o que corta, o que usa boné, o que come molusco, que se faz de louco quando não se faz porque fazer-se de louco ao outro é onde a verdade jaz.
* * *
Por mais difícil que seja, por pouco que veja, eu digo a verdade mais simples: a policia é o bandido. A policia é o bandido. Não é nem por eu me sentir reprimido que eu digo que a policia é o bandido.
* * *
A verdade é a hipótese.
* * *
Existem hipóteses que são verdadeiros universos pra quem um dia, em segredo de si mesmo, sonhou ser astronauta.
* * *
A imaginação só existe por causa das mentiras. Fôssemos verdade, jamais se ouviria falar dela.
Tudo. Absolutamente tudo que eu vejo no mundo eu sei que está dentro de cada um de nós. Não há espaço para tanto. Por isso, entramos na onda que esquecemos daquele jeito que chamamos, jacaré. De qualquer forma, isso me deixa claro que não podemos rejeitar o mundo ou parte dele como alguém que não leva algo de um jeito ou de outro dentro de si. O mundo é como cada um de nós fizemos e fizemos sozinhos cada um, dentro de nós mesmo.
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Beijos de açúcar não lavam cabelos. Só quando não me olho que sou o espelho. Negativo com negativo. Perna com braço, cabelo na boca, rosto no peito, me olha, me ajeito, algo de positivo para a alma, nutritivo. Cantos, pele, sono, cabelo. Assim brinco com Peter Pan. No momento sou a sombra. E também Peter Pan. E tu és também Peter Pan e a sombra. Cada um cuida da sua, ou melhor, esquece dela.
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Não sei porque sobrevivo em um corpo mas viver apenas me é possível tendo dois deles disponíveis.
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Acho que já estou preparado para aceitar que discorde de mim sobre as mentiras que eu digo sem saber.
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As hipóteses que fundamentam uma discussão dizem mais sobre a pessoa que as utiliza como exemplos do que o caminho que percorreu para chegar até ali.
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Existe uma maneira de morrer: é vendo o que é o doutor, o que corta, o que usa boné, o que come molusco, que se faz de louco quando não se faz porque fazer-se de louco ao outro é onde a verdade jaz.
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Por mais difícil que seja, por pouco que veja, eu digo a verdade mais simples: a policia é o bandido. A policia é o bandido. Não é nem por eu me sentir reprimido que eu digo que a policia é o bandido.
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A verdade é a hipótese.
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Existem hipóteses que são verdadeiros universos pra quem um dia, em segredo de si mesmo, sonhou ser astronauta.
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A imaginação só existe por causa das mentiras. Fôssemos verdade, jamais se ouviria falar dela.
Não saber quem tu é, é o mesmo que lembrar de tudo o que você já fez na vida e suspeitar das próprias intenções na época. Loucura?
* * *
A imaginação não reproduz o que é real demais.
* * *
Vivemos no passado e projetando o futuro para que o presente não nos sugue a vida.
* * *
Estar, de fato, fica próximo da verdade, vizinha da morte.
* * *
Ir até o estado em que as palavras não te envolvem ou significam. Sem memória, sem imaginação, sem noção.
* * *
Quando se tem de se esforçar pra acreditar nas palavras e aceitam elas, mesmo sendo mentiras, porque mais tarde, talvez, elas não possam ser esquecidas, pois assim esqueceria de mim mesmo para sempre. Tornaria-me algo diferente e sem memória.
* * *
Junto de si é distante do outro.
* * *
2005-2006
-É natural da mulher vingar-se de todos os relacionamentos espontâneos que teve – leia-se, socialmente e todos os desrespeitos que sofreu – na relação que vêm a seguir quando o seu parceiro é o mais disposto de todos a respeitá-la.
-Ser trocado por alguém menos favorecido esteticamente incomoda mais do que ser trocado por alguém mais bobo, porque para o rejeitado, a pressuposição natural é de que embora o outro seja menos atraente que o rejeitado, a lógica leva a crer que a sua pessoa é melhor que a do outro. Da aparência, não temos culpa, da pessoa, é culpa nossa. Sua feiúra é compensável.
* * *
A imaginação não reproduz o que é real demais.
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Vivemos no passado e projetando o futuro para que o presente não nos sugue a vida.
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Estar, de fato, fica próximo da verdade, vizinha da morte.
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Ir até o estado em que as palavras não te envolvem ou significam. Sem memória, sem imaginação, sem noção.
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Quando se tem de se esforçar pra acreditar nas palavras e aceitam elas, mesmo sendo mentiras, porque mais tarde, talvez, elas não possam ser esquecidas, pois assim esqueceria de mim mesmo para sempre. Tornaria-me algo diferente e sem memória.
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Junto de si é distante do outro.
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2005-2006
-É natural da mulher vingar-se de todos os relacionamentos espontâneos que teve – leia-se, socialmente e todos os desrespeitos que sofreu – na relação que vêm a seguir quando o seu parceiro é o mais disposto de todos a respeitá-la.
-Ser trocado por alguém menos favorecido esteticamente incomoda mais do que ser trocado por alguém mais bobo, porque para o rejeitado, a pressuposição natural é de que embora o outro seja menos atraente que o rejeitado, a lógica leva a crer que a sua pessoa é melhor que a do outro. Da aparência, não temos culpa, da pessoa, é culpa nossa. Sua feiúra é compensável.
12/04/2007
Olhar o horizonte tem me dado apreensão do infinito. Quem são os ratos pra condenar um espírito livre ou preso em si mesmo? Talvez, gatos! Olho para as estrelas e digo: fiquem aí.
* * *
Quem, tão raso e arrogante, me pergunta quem eu sou, como se eu fosse leviano o bastante para demarcar minhas próprias fronteiras?
* * *
O garoto do supermercado foi até a prateleira para remarcar o preço da mercadoria, mas ela já havia se consumido.
* * *
Eu sou o animal. A pessoa a que eu me refiro é a minha idealização de mim mesmo, por meio de vontades, por mim, aceitáveis e tidas como ideais.
Olhar o horizonte tem me dado apreensão do infinito. Quem são os ratos pra condenar um espírito livre ou preso em si mesmo? Talvez, gatos! Olho para as estrelas e digo: fiquem aí.
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Quem, tão raso e arrogante, me pergunta quem eu sou, como se eu fosse leviano o bastante para demarcar minhas próprias fronteiras?
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O garoto do supermercado foi até a prateleira para remarcar o preço da mercadoria, mas ela já havia se consumido.
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Eu sou o animal. A pessoa a que eu me refiro é a minha idealização de mim mesmo, por meio de vontades, por mim, aceitáveis e tidas como ideais.
Kooyanisqatsi
2006 – sobre o documentário Kooyanisqatsi
Cena=> pessoas indo em direção a plataforma do trem. Foco numa pessoa só foco de atenção. O trem chega, todos entram menos essa pessoa. Seu nome que é um nome curto e o titulo do filme aparece no canto inferior direito.
-O planeta é uma ferida. Os outros também. A via láctea poderia ser um pulmão do universo. As nuvens que passam no mundo dentro da atmosfera, a fumaça de uma tragada do universo. Como feridas, estamos fadados a destruir tudo ou apenas sermos destruídos pela imunidade do universo.
-Nossas indústrias ajudam no processo. Só pararemos depois que os rios secarem
-A energia nuclear abre a ferida.
-Carro=> empilhados num pátio parecem letras de um luminoso
-mísseis enviados ao espaço: cura do planeta
-construções ajudam-nos a destruir o planeta e os prédios em que vivemos. Todos os prédios têm uma abelha rainha. Extraímos o néctar do mundo e os guardamos em nossas casas. Podemos culpar alguém por destruir nosso lar, considerando o que fizemos com as abelhas e suas colméias?
-E qual será o primeiro edifício cuja cobertura será além da atmosfera? A humanidade é uma praga que tenta se tornar, racionalmente, no que era, irracionalmente.
-Mulheres se colocam entre o homem e os gastos e o leva até ele assim como rato é levado pelo queijo à gaiola ou ratoeira.
- A noite o homem escolheu fazer do mundo um vagalume. Extraímos dos animais as suas melhores características e não percebemos que a inteligência que temos num nível mais alto é apenas mais uma delas que não pode nos ser subtraída senão pela auto-subtração.
-homem se diverte com representações infantis de sua própria alienação
-o ciclo não pára de se repetir. É necessário ir a algum lugar? Por que, se já estamos aqui?
-corremos, morremos, vivemos, lutamos em nome de uma bandeira, um símbolo que só deveria ter significado a quem o criou. Eu não agüento mais. Eu não agüento mais.
Cena=> pessoas indo em direção a plataforma do trem. Foco numa pessoa só foco de atenção. O trem chega, todos entram menos essa pessoa. Seu nome que é um nome curto e o titulo do filme aparece no canto inferior direito.
-O planeta é uma ferida. Os outros também. A via láctea poderia ser um pulmão do universo. As nuvens que passam no mundo dentro da atmosfera, a fumaça de uma tragada do universo. Como feridas, estamos fadados a destruir tudo ou apenas sermos destruídos pela imunidade do universo.
-Nossas indústrias ajudam no processo. Só pararemos depois que os rios secarem
-A energia nuclear abre a ferida.
-Carro=> empilhados num pátio parecem letras de um luminoso
-mísseis enviados ao espaço: cura do planeta
-construções ajudam-nos a destruir o planeta e os prédios em que vivemos. Todos os prédios têm uma abelha rainha. Extraímos o néctar do mundo e os guardamos em nossas casas. Podemos culpar alguém por destruir nosso lar, considerando o que fizemos com as abelhas e suas colméias?
-E qual será o primeiro edifício cuja cobertura será além da atmosfera? A humanidade é uma praga que tenta se tornar, racionalmente, no que era, irracionalmente.
-Mulheres se colocam entre o homem e os gastos e o leva até ele assim como rato é levado pelo queijo à gaiola ou ratoeira.
- A noite o homem escolheu fazer do mundo um vagalume. Extraímos dos animais as suas melhores características e não percebemos que a inteligência que temos num nível mais alto é apenas mais uma delas que não pode nos ser subtraída senão pela auto-subtração.
-homem se diverte com representações infantis de sua própria alienação
-o ciclo não pára de se repetir. É necessário ir a algum lugar? Por que, se já estamos aqui?
-corremos, morremos, vivemos, lutamos em nome de uma bandeira, um símbolo que só deveria ter significado a quem o criou. Eu não agüento mais. Eu não agüento mais.
segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
22-11-2006 (6h da manhã, nascer do sol e nuvens no prédio olhando pra Feitoria)
Um cachorro cheio de espinhos pulando da nuvem, flutuando no céu se aproxima de um prédio, abraçando-os com as garras e pressionando sua barriga chega de babilônicos espinhos contra as janelas. Um dragão? Um urso! Um pato gigantesco! Vi seu bico sobre a cobertura e seu peito lindo daqui debaixo. Uma pequena mudança e é um Deus Grego, na verdade, com o braço direito (que era o pescoço do pato) sobre a cabeça, formando um “L”, de cabeça para baixo, pintando o prédio com a ponta do pincel, tocando as janelas.
Um Deus Grego!
Um Louco! Quem eu sou? O Heleno que aprendeu a atravessar a rua!
Um cachorro cheio de espinhos pulando da nuvem, flutuando no céu se aproxima de um prédio, abraçando-os com as garras e pressionando sua barriga chega de babilônicos espinhos contra as janelas. Um dragão? Um urso! Um pato gigantesco! Vi seu bico sobre a cobertura e seu peito lindo daqui debaixo. Uma pequena mudança e é um Deus Grego, na verdade, com o braço direito (que era o pescoço do pato) sobre a cabeça, formando um “L”, de cabeça para baixo, pintando o prédio com a ponta do pincel, tocando as janelas.
Um Deus Grego!
Um Louco! Quem eu sou? O Heleno que aprendeu a atravessar a rua!
20-08-2007 (aula de roteiro)
Restaurado
Jogo a linha e o anzol no rio
Penso em peixes
Sou herbívoro
Procuro por botas
Uso chinelos
Gosto do contato.
No inverno não pesco
Dança da cadeira em volta do fogão à lenha,
Uso pantufas
Deixo a bota na beira do rio
Me esqueço dos peixes
Lembro disso
E como parte heterogênea e material
Vejo brilhar frias por meu corpo escriturado –
Minhas escamas.
Restaurado
Jogo a linha e o anzol no rio
Penso em peixes
Sou herbívoro
Procuro por botas
Uso chinelos
Gosto do contato.
No inverno não pesco
Dança da cadeira em volta do fogão à lenha,
Uso pantufas
Deixo a bota na beira do rio
Me esqueço dos peixes
Lembro disso
E como parte heterogênea e material
Vejo brilhar frias por meu corpo escriturado –
Minhas escamas.
sexta-feira, 25 de Julho de 2008
se fores em qualquer momento do dia acometido por um medo de que as coisas se tornaram outras diferentes do que imaginara, elas já terão se tornado sem que você perceba.
A minha personalidade é a boca de um cão, salivando. Eu explico: há cem anos um doutor fez uma experiência num laboratório, cheio de cães. Pouco antes de alimentar a população de animais nos quais fazia a experiência, o doutor tocava uma campainha que todos os animais ouviam. Em seguida vinha ele com a comida de cada um deles e os animais se alimentavam. A experiência se repetia sempre. A cada vez que os animais iam ser alimentados, eles ouviam aquela campainha e logo depois recebiam a comida.
Um tempo depois, os cães se acostumaram com o barulho da campainha e tão logo que o doutor a tocasse, eles já estavam com a boca salivando. Se babando, literalmente. Ele pôde observar que o barulho da campainha estava aos animais associados com a hora de se alimentar e toda vez que a campainha tocava, eles podiam não receber comida, mas ficavam perto das grades, salivando. Essa é a minha personalidade. E por isso, talvez me seja tão difícil me livrar dela. Talvez não personalidade propriamente. Essa é a persona que vive dentro de mim. É o meu lado medroso. Salivo ininterruptamente! A campainha é o simples acordar. Aliás, mesmo dormindo é como se eu estivesse ouvindo a campainha.
Eu só percebo que é a campainha e não a comida em um breve momento em que percebo que ela e tão somente ela está sendo tocada para enganar-me. Nesse momento eu sei que eu não tenho nada para esperar e finalmente me vejo em mim novamente, como se fosse a primeira vez.
Um tempo depois, os cães se acostumaram com o barulho da campainha e tão logo que o doutor a tocasse, eles já estavam com a boca salivando. Se babando, literalmente. Ele pôde observar que o barulho da campainha estava aos animais associados com a hora de se alimentar e toda vez que a campainha tocava, eles podiam não receber comida, mas ficavam perto das grades, salivando. Essa é a minha personalidade. E por isso, talvez me seja tão difícil me livrar dela. Talvez não personalidade propriamente. Essa é a persona que vive dentro de mim. É o meu lado medroso. Salivo ininterruptamente! A campainha é o simples acordar. Aliás, mesmo dormindo é como se eu estivesse ouvindo a campainha.
Eu só percebo que é a campainha e não a comida em um breve momento em que percebo que ela e tão somente ela está sendo tocada para enganar-me. Nesse momento eu sei que eu não tenho nada para esperar e finalmente me vejo em mim novamente, como se fosse a primeira vez.
Sensações
Não tenho de medo de qualquer sensação exceto aquela que me faz sentir como um visitante do mundo. Tenho medo de não conseguir acreditar mais, afetivamente falando, que me sinto em casa. Tenho medo de sentir isso e do intervalo de tempo até conseguir superar essa sensação. É perigoso sentir algo dessa familiaridade. Como se sentir um intruso na casa de desconhecidos, um mendigo numa festa particular e não ter uma nave espacial ao lado para se enfiar e decolar. Vontade de sumir? Antes disso, é ter medo de não ser capaz de evitar que isso aconteça – quando você já sumiu – e ter de fazer essa vigília o tempo todo.
Chapter 24
A letra “O” é azul
O número 7 é a jovem luz
Quando a escuridão é acrescida por um
Não sou eu que digo, está tudo no capítulo 24
O dente sangra diante da corda que o enforcaria
Os gatos são coveiros, tenho dito isso
Ei, você, recortada de uma revista
Sabe onde fica Queóras?
Eu sou o lenhador com um machado no ombro
Que corta toras de madeira às seis e meia da manhã
Tia Nélvi passando mel no pão caminhando descalça
Tira as cinzas do fogão
Urso!? Ventania!? Pulguentos...
Xícara de chá com pó ao fundo como adoçante
Madeira entra pela portinhola, calor sai pela chapa
Acordamos sempre tão loucos...
O número 7 é a jovem luz
Quando a escuridão é acrescida por um
Não sou eu que digo, está tudo no capítulo 24
O dente sangra diante da corda que o enforcaria
Os gatos são coveiros, tenho dito isso
Ei, você, recortada de uma revista
Sabe onde fica Queóras?
Eu sou o lenhador com um machado no ombro
Que corta toras de madeira às seis e meia da manhã
Tia Nélvi passando mel no pão caminhando descalça
Tira as cinzas do fogão
Urso!? Ventania!? Pulguentos...
Xícara de chá com pó ao fundo como adoçante
Madeira entra pela portinhola, calor sai pela chapa
Acordamos sempre tão loucos...
sexta-feira, 11 de Julho de 2008
Passando pela cidade onde nasci. Só de passagem.
É caprichosa a natureza. Muitas frutas nascem e morrem no pé. Outras caem de maduras. E outras, não têm a mesma sorte.
* * *
Odeio viajar de ônibus. Não sei como já não arranquei meu nariz fora de tanto que cocei, esfreguei e passei saliva. Não consigo deixá-lo em paz.
Quanto mais machucado, melhor, eu receio.
* * *
Lancheria – 21h40
Ao meu lado um homem come um bife com queijo em cima. Ele tira o primeiro pedaço. Não prova doença nenhuma de onívoro, como me perguntaram há pouco tempo se eu não reconhecia dessa forma. Acredito que rastreei mais uma ingênua agressividade. Mas isso não é nenhum atenuante - a ingenuidade.
Uma lancheria é bem mais hostil do que se imagina. E infinitamente mais hostil do que se vê.
* * *
Comer carne deixa burro e surdo. É facilmente comprovado estatisticamente. Basta fazer o pedido de um xis ou torrada sem presunto, hamburger, frango ou qualquer tipo de carne pra se ver diante do bloqueio. Seria hilário se não fosse tão frustrante.
* * *
11h20 – passei de Estrela – Pensando sobre “O Mágico de Oz”, ele me parece um discurso sobre a chegada na vida adulta. Apenas um homem atrás da cortina. A quem chega a essa altura do caminho, “tornar-se quem se é”, não é mais visto como algo simples. Não há faixa de chegada, nem podium. Aqui morrem os deuses pela segunda vez.
* * *
Aparentemente, ao alcance da visão de cada um em cada lugar, existem mil magos. Cada um deles oferecendo o que não preciso e pensando em segredo a pena que me será atribuída se eu não der ouvidos às suas loucuras. Ninguém mostra como cair no mundo.
* * *
Estação Mathias Velho. Catracas. Esse é o meu mundo.
* * *
Odeio viajar de ônibus. Não sei como já não arranquei meu nariz fora de tanto que cocei, esfreguei e passei saliva. Não consigo deixá-lo em paz.
Quanto mais machucado, melhor, eu receio.
* * *
Lancheria – 21h40
Ao meu lado um homem come um bife com queijo em cima. Ele tira o primeiro pedaço. Não prova doença nenhuma de onívoro, como me perguntaram há pouco tempo se eu não reconhecia dessa forma. Acredito que rastreei mais uma ingênua agressividade. Mas isso não é nenhum atenuante - a ingenuidade.
Uma lancheria é bem mais hostil do que se imagina. E infinitamente mais hostil do que se vê.
* * *
Comer carne deixa burro e surdo. É facilmente comprovado estatisticamente. Basta fazer o pedido de um xis ou torrada sem presunto, hamburger, frango ou qualquer tipo de carne pra se ver diante do bloqueio. Seria hilário se não fosse tão frustrante.
* * *
11h20 – passei de Estrela – Pensando sobre “O Mágico de Oz”, ele me parece um discurso sobre a chegada na vida adulta. Apenas um homem atrás da cortina. A quem chega a essa altura do caminho, “tornar-se quem se é”, não é mais visto como algo simples. Não há faixa de chegada, nem podium. Aqui morrem os deuses pela segunda vez.
* * *
Aparentemente, ao alcance da visão de cada um em cada lugar, existem mil magos. Cada um deles oferecendo o que não preciso e pensando em segredo a pena que me será atribuída se eu não der ouvidos às suas loucuras. Ninguém mostra como cair no mundo.
* * *
Estação Mathias Velho. Catracas. Esse é o meu mundo.
domingo, 22 de Junho de 2008
imaginação X tempo = memória
memória X imaginação = conceito
conceito X tempo = identidade
B (partida) - A (chegada) = espaço
espaço X velocidade (A - B) = tempo
identidade / imaginação X espaço-tempo = verdade
verdade - conceito = estar
memória X imaginação = conceito
conceito X tempo = identidade
B (partida) - A (chegada) = espaço
espaço X velocidade (A - B) = tempo
identidade / imaginação X espaço-tempo = verdade
verdade - conceito = estar
quarta-feira, 21 de Maio de 2008
Pra mim sempre foi claro que vivemos numa ilha.
A questão que se me apresenta é compreender a natural inserção do ser humano na vida social e o início da vida adulta.
Nesse lugar de náufragos perambulantes que já disseram ter visto um milhão de navios flutuantes nas alturas, não incomoda nenhum pouco será que ninguém saiba de nós?
Não fosse real essa sede afogada, porquê têm esses forasteiros tantas vertingens?
Não que eu reclame, vivo muito bem, especialmente nos últimos meses.
Eu sou o Rodrigo! Eu sou o Rodrigo!
Mas daqui de onde essa rede está estendida, não me falta sol, nem mosquitos, tampouco religião.
Não é nossa culpa.
Ilhas são paradisíacas. Como imaginar à única delas algo diferente, tendo essa diversidade de longitudes e latitudes?
É a falta de uma política verdadeiramente externa que convence os que dispensam, calados, contrapontos, numa delicadeza invisível e supostamente livre de culpa pelo desinteresse de conhecimento em tornar consciente, ou pouco fazendo do não-manifesto por próprio conforto.
Deus salvaria os ateus dos religiosos, mas não salva os religiosos dos ateus. Prova de que tudo vai indo bem.
Assim, somente assim, a comunicação chega ao nível do divino.
A questão que se me apresenta é compreender a natural inserção do ser humano na vida social e o início da vida adulta.
Nesse lugar de náufragos perambulantes que já disseram ter visto um milhão de navios flutuantes nas alturas, não incomoda nenhum pouco será que ninguém saiba de nós?
Não fosse real essa sede afogada, porquê têm esses forasteiros tantas vertingens?
Não que eu reclame, vivo muito bem, especialmente nos últimos meses.
Eu sou o Rodrigo! Eu sou o Rodrigo!
Mas daqui de onde essa rede está estendida, não me falta sol, nem mosquitos, tampouco religião.
Não é nossa culpa.
Ilhas são paradisíacas. Como imaginar à única delas algo diferente, tendo essa diversidade de longitudes e latitudes?
É a falta de uma política verdadeiramente externa que convence os que dispensam, calados, contrapontos, numa delicadeza invisível e supostamente livre de culpa pelo desinteresse de conhecimento em tornar consciente, ou pouco fazendo do não-manifesto por próprio conforto.
Deus salvaria os ateus dos religiosos, mas não salva os religiosos dos ateus. Prova de que tudo vai indo bem.
Assim, somente assim, a comunicação chega ao nível do divino.
Fantástico! Brilhante! Estupendo!
É a vida acontecendo! Nesse momento!
Nada a mudar! As opções apreciadas e somente o tempo.
Não como empecilho, mas solução.
O tempo e minha saúde!
Vejo as coisas aí. Aqui.
Estou no meio do acontecimento.
Que maravilha!
É a vida acontecendo! Nesse momento!
Nada a mudar! As opções apreciadas e somente o tempo.
Não como empecilho, mas solução.
O tempo e minha saúde!
Vejo as coisas aí. Aqui.
Estou no meio do acontecimento.
Que maravilha!
Poderia querer um corpo novo para poder destruir. Poderia querer um cérebro novo para danificar.
Mas mais que tudo, quereria a inocência de volta para corrompê-la outra vez.
Mas mais que tudo, quereria a inocência de volta para corrompê-la outra vez.
quinta-feira, 1 de Maio de 2008
Eu, por Arnaldo
Gosto de observar o infância de um gato pelos olhos de uma criança. O adulto em mim o adotou após conseguir cuidar responsavelmente de uma planta. Demanda de uma atenção maior além de dedicação e paciência, de custo completamente irrelevante em relação às alegrias que a simples observação de suas brincadeiras têm me provocado. Arnaldo é um adorável gato vira-lata preto com branco que descobri gostar de azeitona, queijo, iogurte, massa e algumas outras coisas. É o segundo mês que dividimos o mesmo teto e, por vezes, consigo me observar pelos seus olhos. Conviver assim, além do prazer que proporciona, lança um olhar permanente sobre sua pessoa pelo ponto de vista do bichano. Engraçado como é difícil ser íntimo, morando sozinho. Um verdadeiro paradoxo. Por outro lado, a invasão de um felino ao lugar onde moro, me permite inúmeros momentos a mais de intimidade mesmo comigo mesmo, do que se continuasse a morar sozinho. Como passamos longe de nós mesmos! Longe, mas tão longe que não conseguiríamos nos ver acenando se estivéssemos nos despedindo de nós mesmos a algumas quadras de distância, embora o tempo todo tenhamos estado sob nossa própria pele.
À noite, sobre a cama, ele costuma correr atrás do próprio rabo e às vezes pára, atento a qualquer movimento. Eu apenas o observo de canto. Seu rabo mexe involuntariamente e ele estica o pescoço, virando o rosto para o mesmo e volta a tentar alcançá-lo novamente. É como se observasse a si mesmo pelos meus olhos. Quando corcundo, arqueia as costas, abaixa a cabeça, vira as orelhas e anda de lado como se estivesse embriagado, eu rio debochadamente dele e ele fica sem qualquer reação. Em seguida, desconcertado, emite um baixo barulho e sai correndo novamente ou tenta me arranhar, abraçando meus braços. Me questiono em alguns momentos se ele é capaz de assimilar um deboche escancarado por uma risada de boca aberta de frente pra ele, de forma que pareça algo sem sentido. Talvez não pelo motivo dela que eu quereria passar ou interpretação, mas o desconcerto dele é visível, assim como a reação em tomar um outro rumo naquele momento. No final desta tarde, ele estava sentado sobre minhas pernas enquanto eu navegava na internet. Ele vez por outra fica olhando pra mim e eu fico o olhando também. Em seguida, sentou-se de frente para o computador, sobre a minha perna esquerda apenas e ficou acompanhando a seta do mouse. Outra vez ele já tentou pegá-la empurrando o monitor pra trás. Como se acompanhado estivesse – e estava – resolvi procurar algo que pudesse ser do seu interesse. Fui ao google e escrevi gatos. Depois, cliquei em imagens e comecei a abrir fotos de gatos e gatas. Fotos grandes. Arnaldo continuou olhando atento. Eu arrastava a seta do mouse até o canto, onde não era possível vê-la, senão ele ficaria distraído com ela. Olhamos umas cinco fotos e depois ele desceu da minha perna. Voltei a fazer o que estava fazendo. É outra forma que usei para ver sinal de algum reconhecimento da parte dele. Já o havia segurado na frente do espelho. Dessa vez, o observei como alguém que investiga se ele deseja outra companhia dividindo o apartamento. Não sei se cheguei a torcer para que ele tivesse uma reação que denunciasse isso, mas fiquei atento. Acho que isso responde a minha pergunta. Talvez, não. Obviamente, sou eu quem desejo essa ou outro tipo de companhia.
Como já disse, me vejo pelos olhos de Arnaldo. Suas necessidades e desejos são apenas os que eu consigo imaginar que também tenho. E eu tenho. Dou pela falta.
Mia o gato dentro de mim.
À noite, sobre a cama, ele costuma correr atrás do próprio rabo e às vezes pára, atento a qualquer movimento. Eu apenas o observo de canto. Seu rabo mexe involuntariamente e ele estica o pescoço, virando o rosto para o mesmo e volta a tentar alcançá-lo novamente. É como se observasse a si mesmo pelos meus olhos. Quando corcundo, arqueia as costas, abaixa a cabeça, vira as orelhas e anda de lado como se estivesse embriagado, eu rio debochadamente dele e ele fica sem qualquer reação. Em seguida, desconcertado, emite um baixo barulho e sai correndo novamente ou tenta me arranhar, abraçando meus braços. Me questiono em alguns momentos se ele é capaz de assimilar um deboche escancarado por uma risada de boca aberta de frente pra ele, de forma que pareça algo sem sentido. Talvez não pelo motivo dela que eu quereria passar ou interpretação, mas o desconcerto dele é visível, assim como a reação em tomar um outro rumo naquele momento. No final desta tarde, ele estava sentado sobre minhas pernas enquanto eu navegava na internet. Ele vez por outra fica olhando pra mim e eu fico o olhando também. Em seguida, sentou-se de frente para o computador, sobre a minha perna esquerda apenas e ficou acompanhando a seta do mouse. Outra vez ele já tentou pegá-la empurrando o monitor pra trás. Como se acompanhado estivesse – e estava – resolvi procurar algo que pudesse ser do seu interesse. Fui ao google e escrevi gatos. Depois, cliquei em imagens e comecei a abrir fotos de gatos e gatas. Fotos grandes. Arnaldo continuou olhando atento. Eu arrastava a seta do mouse até o canto, onde não era possível vê-la, senão ele ficaria distraído com ela. Olhamos umas cinco fotos e depois ele desceu da minha perna. Voltei a fazer o que estava fazendo. É outra forma que usei para ver sinal de algum reconhecimento da parte dele. Já o havia segurado na frente do espelho. Dessa vez, o observei como alguém que investiga se ele deseja outra companhia dividindo o apartamento. Não sei se cheguei a torcer para que ele tivesse uma reação que denunciasse isso, mas fiquei atento. Acho que isso responde a minha pergunta. Talvez, não. Obviamente, sou eu quem desejo essa ou outro tipo de companhia.
Como já disse, me vejo pelos olhos de Arnaldo. Suas necessidades e desejos são apenas os que eu consigo imaginar que também tenho. E eu tenho. Dou pela falta.
Mia o gato dentro de mim.
quinta-feira, 3 de Abril de 2008
sábado, 15 de Março de 2008
Trem das 19
Quando eu lembro da infância eu penso
Tanto tempo se passou
E hoje quando eu me vejo no espelho fazendo outras coisas
Uma doce voz vem de longe e sussurra em meus ouvidos
Para deixar morrer, deixar morrer
Um pouco antes quando eu seguia em linha reta e voltava
Havia uma chance ainda para desistir
Mas a beleza da vida arranca qualquer jovem de casa
E te faz pensar que é melhor deixar morrer, deixar morrer
Se num dia de céu nublado a tristeza bater na sua porta
E te fazer lembrar dos amigos que um dia pensou ter
Lembre-se que antes você nem sabia quando ia receber essa visita
Assim como parecia o tempo todo faltar aquela coisa
Que era deixar morrer, deixar morrer
Sem sono se rolar na cama e o livro na cabeceira ver
Inicie do primeiro capítulo a viver
Quando a história se desenrola se um personagem ou outro sumir
Deixe morrer, deixe morrer
Não tenha medo
O protagonista só morre no fim
Então deixe morrer
Tanto tempo se passou
E hoje quando eu me vejo no espelho fazendo outras coisas
Uma doce voz vem de longe e sussurra em meus ouvidos
Para deixar morrer, deixar morrer
Um pouco antes quando eu seguia em linha reta e voltava
Havia uma chance ainda para desistir
Mas a beleza da vida arranca qualquer jovem de casa
E te faz pensar que é melhor deixar morrer, deixar morrer
Se num dia de céu nublado a tristeza bater na sua porta
E te fazer lembrar dos amigos que um dia pensou ter
Lembre-se que antes você nem sabia quando ia receber essa visita
Assim como parecia o tempo todo faltar aquela coisa
Que era deixar morrer, deixar morrer
Sem sono se rolar na cama e o livro na cabeceira ver
Inicie do primeiro capítulo a viver
Quando a história se desenrola se um personagem ou outro sumir
Deixe morrer, deixe morrer
Não tenha medo
O protagonista só morre no fim
Então deixe morrer
quinta-feira, 13 de Março de 2008
Manual para novos pais
Na minha observação, ser mal criado pelos pais parece ser fundamental. Renova-se o sentido da vida. Fosse de outra forma, qual seria a esperança de um homem prestes a se tornar pai, senão a de corrigir erros que com ele foram cometidos e que tão profundamente o despedaçaram? Distância dessa fortuna, rogamos, Senhor. Há que se ensinar mal sempre! E então façamos isso cada vez pior! Ao aprendiz cabe ser o merecedor único de suas virtudes e vítima primeira de seus defeitos. Não devemos também deixar de tentar arrancá-los das mesmas virtudes, arrastando-os pelo chão por suas patas sempre que possível, e obrigando-os a rasgar o chão com a força das suas unhas até que elas se quebrem e saia sangue de seus dedos. A boa uva da parreira que dá o sagrado vinho não deve ter seu sabor alterado pelos anti-inseticidas que lhe são despejados do avião que voa sobre elas. Assim se funde mais profundamente no coração de um homem as coisas que ele acredita. Quando o tempo de ser pai se aproximar, não me preocuparei com mimos e histórias de dormir. Uma régua e uma cinta devem garantir tudo que é necessário para que um indivíduo cresça forte e saudável.
Assim se completa o ciclo da vida.
Assim se completa o ciclo da vida.
quinta-feira, 6 de Março de 2008
Para meu amigo Vincent
Só há uma máscara. Sua fôrma são as palavras. Van Gogh tentou ignorar as dos outros mas ficou com a sua.
Ele deveria ter cortado a língua.
Ele deveria ter cortado a língua.
Supernova
Meus olhos funcionam. O cérebro é vesgo. Não há coisa mais entediante do que pensar no futuro. Eu ainda nem lavei aquela louça, nem tomei aquele banho, nem cortei as unhas. O cabelo cresce rápido demais. Ainda não ouvi todas as músicas por vezes suficientes.
Se eu arrumasse o apartamento, talvez tivesse ânimo para dar um passeio de bicicleta antes que o verão termine.
Pensar em dinheiro me frustra. Devê-lo me deixa inerte. Existem becos com saídas. Existem caminhos desconhecidos que apenas o insistente estar permite conhecer. Ser testemunha do teu abandono e corpo abraçado pela tua absoluta solidão.
Eis então, meu amigo. Quem você pensava que era? Quanto esforço empregou, ou melhor, de quanto se privou para continuar seguindo estes patos indo até a lagoa? Que costumes adquirir? Que hábitos adotar? Que argumento relevar? Que amizade reconhecer? Partir do nada.
Vidas simultâneas, futuro alternativo. Não deixar de morrer jamais. Tantas vezes quantas forem o número de vidas.
Se eu arrumasse o apartamento, talvez tivesse ânimo para dar um passeio de bicicleta antes que o verão termine.
Pensar em dinheiro me frustra. Devê-lo me deixa inerte. Existem becos com saídas. Existem caminhos desconhecidos que apenas o insistente estar permite conhecer. Ser testemunha do teu abandono e corpo abraçado pela tua absoluta solidão.
Eis então, meu amigo. Quem você pensava que era? Quanto esforço empregou, ou melhor, de quanto se privou para continuar seguindo estes patos indo até a lagoa? Que costumes adquirir? Que hábitos adotar? Que argumento relevar? Que amizade reconhecer? Partir do nada.
Vidas simultâneas, futuro alternativo. Não deixar de morrer jamais. Tantas vezes quantas forem o número de vidas.
Pequeno porco dos meus sentimentos
Então se revela a mim como a um médico que doente estivesse fosse, o real motivo do cortejo.
O homem se dirige a mulher, tradicionalmente, por um fator biológico. Nela são gerados os descendentes. Mas isso não é o que importa, e tampouco é sorte delas. A mulher sempre tem um pouco mais do que oferece. Já o homem, geralmente, não tem sequer o que oferece. Costumeiramente ele não sabe disso ou não se importa. Em outras, isso não se releva por consentimento mútuo. É uma responsabilidade pequena a de ser homem. E talvez só as mulheres sabem realmente como é pequena. A ele, principalmente, talvez não importe, necessariamente, amar para estar com uma pessoa. Para a mulher muitas vezes se vê que é, e pouco isso é bobagem. O homem sobre isso pode ser leviano - por não ter uma particularidade comum com o cavalo marinho - , mas ele é bom e sincero, até onde pode. A mulher é o ser azarado, cortejado. Quanta paciência, quanto controle!
A mulher não corre toda vez que alguém que ela deseja, abre os braços para ela. É da sua natureza se insinuar ou manifestar intenções. Neste ponto, alguns cavalheiros poderiam reclamar a falta de iniciativa delas e se apóiam para tal suposição na luta delas por direito. Um erro de interpretação comum. A mulher faz o homem descobrir o amor dentro de si. Ela deixa que ele cresça dentro do homem as coisas que ele anseia e até encoraja que se exteriorizem violenta e apaixonadamente, mas é inteligente o suficiente para não causá-la.
Dentro de cada homem há um porquinho destes que se guardam moedas no qual ele guarda suas coisas sutis, delicadas e ternas como se fossem suas economias - e alguém haverá de dizer que não são? - e é com estas que ele vai comprar para si um amor tão bom ou ruim como as coisas que ele andou guardando dentro de si.
O homem se dirige a mulher, tradicionalmente, por um fator biológico. Nela são gerados os descendentes. Mas isso não é o que importa, e tampouco é sorte delas. A mulher sempre tem um pouco mais do que oferece. Já o homem, geralmente, não tem sequer o que oferece. Costumeiramente ele não sabe disso ou não se importa. Em outras, isso não se releva por consentimento mútuo. É uma responsabilidade pequena a de ser homem. E talvez só as mulheres sabem realmente como é pequena. A ele, principalmente, talvez não importe, necessariamente, amar para estar com uma pessoa. Para a mulher muitas vezes se vê que é, e pouco isso é bobagem. O homem sobre isso pode ser leviano - por não ter uma particularidade comum com o cavalo marinho - , mas ele é bom e sincero, até onde pode. A mulher é o ser azarado, cortejado. Quanta paciência, quanto controle!
A mulher não corre toda vez que alguém que ela deseja, abre os braços para ela. É da sua natureza se insinuar ou manifestar intenções. Neste ponto, alguns cavalheiros poderiam reclamar a falta de iniciativa delas e se apóiam para tal suposição na luta delas por direito. Um erro de interpretação comum. A mulher faz o homem descobrir o amor dentro de si. Ela deixa que ele cresça dentro do homem as coisas que ele anseia e até encoraja que se exteriorizem violenta e apaixonadamente, mas é inteligente o suficiente para não causá-la.
Dentro de cada homem há um porquinho destes que se guardam moedas no qual ele guarda suas coisas sutis, delicadas e ternas como se fossem suas economias - e alguém haverá de dizer que não são? - e é com estas que ele vai comprar para si um amor tão bom ou ruim como as coisas que ele andou guardando dentro de si.
quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008
uvas e pêssegos
Luzes me queimam como um turbilhão
Meu rosto ou suas maçãs como a casca aveludada de um pêssego miram o quintal do pé
Desnudam jardins e florescem.
Há mais frutas de diferentes cores e variadas texturas que eu não sei onde permanece a esperança de certeza que se julga superior a qualquer número ou distinção.
Pingos de suor, fruta sã e sal de fruta, escorre efervescente e pinga como de um pano encharcado quando torcido.
E fica a derramar em mesas de terra traços de sua pele morena avermelhada.
Meu rosto ou suas maçãs como a casca aveludada de um pêssego miram o quintal do pé
Desnudam jardins e florescem.
Há mais frutas de diferentes cores e variadas texturas que eu não sei onde permanece a esperança de certeza que se julga superior a qualquer número ou distinção.
Pingos de suor, fruta sã e sal de fruta, escorre efervescente e pinga como de um pano encharcado quando torcido.
E fica a derramar em mesas de terra traços de sua pele morena avermelhada.
quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008
gatos
Não é a primeira vez que sonho com gatos.
Mas com certeza é a primeira vez que sonho com um que dá cria a um filhote minúsculo que ele carrega grudado sobre a sobrancelha esquerda, como se fosse um piercing, levemente grudado ao invés de preso a ela. Um gato minúsculo e agora outra bizarrice: o mesmo era uma circunferência plana e pequena, igualzinho - só que menor -, a um bottom. Agora talvez dê pra imaginar que ele não tinha braços, pernas, ou mesmo corpo. Tudo o que necessitava era sua cabeça, embora eu não soubesse como alimentá-lo e tivesse essa preocupação. E era exatamente ela que estava desenhada no bottom como que posando pra uma fotografia, recém saída da fábrica.
Um amigo meu da época em que fiz o primeiro grau me causou uma preocupação maior quando fui assistido por um casal de desconhecidos pouco depois que ele se bateu de leve no gato, o suficiente para derrubar o gato da sua sobrancelha. Agora, entre seus patas dianteiras, ao perigo exposto do raspão de suas unhas, eu o via numa situação delicada aquele gato em forma de bottom. Senti-me culpado por faltar as aulas de biologia quando não pude ter certeza se deveria alimentar aquele minúsculo ser - era o que mais fazia sentido - e o risco dele ter sido desgrudado da sobrancelha do outro. Deveria haver alguma espécie de cordão umbilical que o alimentasse e o permitisse que se desenvolvesse. Nenhuma resposta. Olhei em volta e estava num mercado que fechou já há dez anos. Nem em sonhos ele parecia melhor, continuava sendo a porcaria que era.
Mas com certeza é a primeira vez que sonho com um que dá cria a um filhote minúsculo que ele carrega grudado sobre a sobrancelha esquerda, como se fosse um piercing, levemente grudado ao invés de preso a ela. Um gato minúsculo e agora outra bizarrice: o mesmo era uma circunferência plana e pequena, igualzinho - só que menor -, a um bottom. Agora talvez dê pra imaginar que ele não tinha braços, pernas, ou mesmo corpo. Tudo o que necessitava era sua cabeça, embora eu não soubesse como alimentá-lo e tivesse essa preocupação. E era exatamente ela que estava desenhada no bottom como que posando pra uma fotografia, recém saída da fábrica.
Um amigo meu da época em que fiz o primeiro grau me causou uma preocupação maior quando fui assistido por um casal de desconhecidos pouco depois que ele se bateu de leve no gato, o suficiente para derrubar o gato da sua sobrancelha. Agora, entre seus patas dianteiras, ao perigo exposto do raspão de suas unhas, eu o via numa situação delicada aquele gato em forma de bottom. Senti-me culpado por faltar as aulas de biologia quando não pude ter certeza se deveria alimentar aquele minúsculo ser - era o que mais fazia sentido - e o risco dele ter sido desgrudado da sobrancelha do outro. Deveria haver alguma espécie de cordão umbilical que o alimentasse e o permitisse que se desenvolvesse. Nenhuma resposta. Olhei em volta e estava num mercado que fechou já há dez anos. Nem em sonhos ele parecia melhor, continuava sendo a porcaria que era.
segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008
Aos poucos reconheço uma nova plataforma.
Não é sinal, de forma alguma, do que está por vir.
Mas é uma coisa que vem junto com as outras, com certeza.
Não é sinal, de forma alguma, do que está por vir.
Mas é uma coisa que vem junto com as outras, com certeza.
domingo, 10 de Fevereiro de 2008
estranhos seres
Não é preciso viajar até o espaço sideral. É só viajar até a noite.
Quando há luz, não é, quando não há, geralmente se dorme.
Esse fenômeno biológico-cultural dificulta a leitura das perguntas primeiras, mas responde.
Não vá ao espaço sideral, vá até a noite e o espaço virá até você.
Quer discos voadores? Ande até a sua garagem.
Viagem até a noite!
Não leva nem tempo, é só um giro. Contar o tempo parece tão infantil quanto contar carneirinhos.
Ser parte de realidades, formar opiniões sem ouvir qualquer pensamento.
Nenhum sussurro.
Quando há luz, não é, quando não há, geralmente se dorme.
Esse fenômeno biológico-cultural dificulta a leitura das perguntas primeiras, mas responde.
Não vá ao espaço sideral, vá até a noite e o espaço virá até você.
Quer discos voadores? Ande até a sua garagem.
Viagem até a noite!
Não leva nem tempo, é só um giro. Contar o tempo parece tão infantil quanto contar carneirinhos.
Ser parte de realidades, formar opiniões sem ouvir qualquer pensamento.
Nenhum sussurro.
sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008
acordes
Na praia, os banhistas pegam ondas e vão com elas até o raso.
Chamam de pegar jacaré. É um jacaré ao quadrado então.
Ou você acha que quando está dormindo não tem um jacaré te levando?
* * *
Eu ganhei uma bola de páscoa, enrolada em papel de Natal.
O presente quem deu foi Constantino, papai disse que ele era legal.
De futebol veio no outro ano, de basquete essa era maior.
No fusca azul não quer entrar trazendo bolas, levando pedras
não vou perguntar por que Constantino não quer se casar.
* * *
Eu compro o meu sono a bicicleta. Mas agora eu não posso, o mercado está fechado. Levanto, bebo e como. Ouço música e fumo um cigarro.
Eu estou cansado mas às quatro e meia na rua não tem ninguém vendendo o meu cansaço.
Tenho a bicicleta mas é como comida congelada, só vai dar para o café da manhã.
Eu compro meu sono a bicicleta. Cigarro, aqui, cigarro que companha o sonâmbulo.
* * *
Fazer comprar uma música e levar pra casa. Ela não cabe no apartamento pelas medidas.
Esta música não precisa ser montada a partir daqui se já não coube. Faço outra, trago outra.
Serve parte na sacada mas não passa pela mesa. Desvia da cadeira o sustenido, mas ela não cabe de novo.
Chamam de pegar jacaré. É um jacaré ao quadrado então.
Ou você acha que quando está dormindo não tem um jacaré te levando?
* * *
Eu ganhei uma bola de páscoa, enrolada em papel de Natal.
O presente quem deu foi Constantino, papai disse que ele era legal.
De futebol veio no outro ano, de basquete essa era maior.
No fusca azul não quer entrar trazendo bolas, levando pedras
não vou perguntar por que Constantino não quer se casar.
* * *
Eu compro o meu sono a bicicleta. Mas agora eu não posso, o mercado está fechado. Levanto, bebo e como. Ouço música e fumo um cigarro.
Eu estou cansado mas às quatro e meia na rua não tem ninguém vendendo o meu cansaço.
Tenho a bicicleta mas é como comida congelada, só vai dar para o café da manhã.
Eu compro meu sono a bicicleta. Cigarro, aqui, cigarro que companha o sonâmbulo.
* * *
Fazer comprar uma música e levar pra casa. Ela não cabe no apartamento pelas medidas.
Esta música não precisa ser montada a partir daqui se já não coube. Faço outra, trago outra.
Serve parte na sacada mas não passa pela mesa. Desvia da cadeira o sustenido, mas ela não cabe de novo.
domingo, 3 de Fevereiro de 2008
Cinema
Penso que ir ao cinema assistir a um filme bem acompanhado é a única maneira possível de dar a qualquer um deles a real importância que merecem.
sábado, 2 de Fevereiro de 2008
Querido aluno Rodrigo!
Muitas vezes paro e fico olhando-te; penso... ele é um rapaz bonito, nasceu num berço abençoado por Deus, tem tudo o que um rapaz de tua idade deseja, é saudável, inteligente, sensível, gosta de poesia, sabe sorrir... enfim, é filho de Deus. Então, por que motivo age de forma tão importuna e desmedida em sala de aula? Será que eu, professora S., sou tão insignificante, as aulas que preparo e o que ensino é tão fora da realidade e não serve para nada? Será que ler, falar e escrever estão fora de moda? Não, essas coisas são as que eu acredito que ajudam o indivíduo a ocupar com dignidade o seu espaço na sociedade. Porque é através da leitura, reflexão, concentração que organizamos o pensamento e podemos nos relacionar como seres humanos, com cidadania. Você não está deixando eu exercer a minha cidadania, eu preciso trabalhar, eu preciso dar aulas, passar o que sei a pessoas como você e os demais da sala, mas para isso é preciso que exista harmonia, sintonia, amor e principalmente respeitar a liberdade do outro.
O espaço na sala de aula é nosso, é democrático, porém cada um precisa saber a sua hora. Você é meu aluno há quase dois anos, quantas coisas aprendemos juntos, deixe-me mostrar s coisas, vamos caminhar na amizade, no amor, no respeito. Muitos na sala querem estudar. Logo estaremos no 2º Grau, como é gostoso de ouvir que sou um bom aluno respeitador, organizado, estudioso. Sinto uma tristeza imensa quando passas a aula toda atrapalhando. Eu quero ser feliz, fazê-lo feliz, não brigar.
Aguardo tua resposta em forma de atitude.
Um abraço da professora S. S.
08/08/97
O espaço na sala de aula é nosso, é democrático, porém cada um precisa saber a sua hora. Você é meu aluno há quase dois anos, quantas coisas aprendemos juntos, deixe-me mostrar s coisas, vamos caminhar na amizade, no amor, no respeito. Muitos na sala querem estudar. Logo estaremos no 2º Grau, como é gostoso de ouvir que sou um bom aluno respeitador, organizado, estudioso. Sinto uma tristeza imensa quando passas a aula toda atrapalhando. Eu quero ser feliz, fazê-lo feliz, não brigar.
Aguardo tua resposta em forma de atitude.
Um abraço da professora S. S.
08/08/97
sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008
au bientot!
Eu conheci uma vez uma mulher que fumava diamantes
Vivia pelada pelo apartamento e pra sair colocava uma camisola
Ajeitava o bonito cabelo loiro na frente do espelho
Apanhava o guarda-chuva perto do tanque e pulava da sacada
Ela ia até a padaria mas o que ela queria era comprar cigarros
Passar por cima da creche onde as crianças brincavam a encantava
E lá de baixo, as crianças mais ativas apontavam o dedo e saíam correndo
Ela tinha medo de acenar.
Vivia pelada pelo apartamento e pra sair colocava uma camisola
Ajeitava o bonito cabelo loiro na frente do espelho
Apanhava o guarda-chuva perto do tanque e pulava da sacada
Ela ia até a padaria mas o que ela queria era comprar cigarros
Passar por cima da creche onde as crianças brincavam a encantava
E lá de baixo, as crianças mais ativas apontavam o dedo e saíam correndo
Ela tinha medo de acenar.
terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
Centopeia Amarela
Oh não!
Eu vi um trem amarelo na minha janela!
Ele começa a andar como uma centopéia sobre os trilhos e desaparece debaixo da cobertura também amarela da estação, sendo o último vagão, o resquício do rabo da minhoca que ainda não mergulhou totalmente até o fundo da terra.
Eu vi um trem amarelo na minha janela!
Ele começa a andar como uma centopéia sobre os trilhos e desaparece debaixo da cobertura também amarela da estação, sendo o último vagão, o resquício do rabo da minhoca que ainda não mergulhou totalmente até o fundo da terra.
Eu, feiticeiro.
Não existe destino, mas a vida é mapeada. Dos risos, sou profeta, a diversão é garantida.
O único muro que derrubei
Então...
Você ficou sabendo do muro...
Magnânima alegria sentiu ao reconhecê-lo
Ao atirar pedras com bodoques na parede
Não pareceu diferente?
Você, não sentiu-se um pouco a pedra jogada?
É ferro o que precisamos.
No final das contas foi só um engano
Você ajudava a construir o muro com suas pedrinhas
Elas batiam no muro e caíam a sua frente.
Cada ser humano vivo já atirou uma pelo menos
Você ajudou a construir o muro
Você colaborou com a formação dessa parede
E essa evidência nem te desperta suspeita...
Pois a própria suspeita é verdadeira para si
Sincera com a razão da sua existência
A cebola do seu almoço tem uma camada a mais
Você gostava de atirar essas pedrinhas no muro
Mas isso era só coisa de criança
Você guardava o bodoque no bolso de trás da calça
E essa era a sua oração
E eu não sei porque você nunca se aproximou do muro...
Seu alvo era tão distante e você já conseguia atingir seu alvo.
Não há pedras de carne para dizer o que sentem ao chegar perto
Mas cada centímetro andado, o exterior mostra, mudando seu interior
Gradativamente...
Não há pedra que derrube o muro pois este muro é você mesmo.
Aproximar-se dele pode ser notável...jogar-se contra ele, o desafio.
Atravessa-lo é a hipoteca do corpo, a morte do sujeito
Liberdade da mente.
Você ficou sabendo do muro...
Magnânima alegria sentiu ao reconhecê-lo
Ao atirar pedras com bodoques na parede
Não pareceu diferente?
Você, não sentiu-se um pouco a pedra jogada?
É ferro o que precisamos.
No final das contas foi só um engano
Você ajudava a construir o muro com suas pedrinhas
Elas batiam no muro e caíam a sua frente.
Cada ser humano vivo já atirou uma pelo menos
Você ajudou a construir o muro
Você colaborou com a formação dessa parede
E essa evidência nem te desperta suspeita...
Pois a própria suspeita é verdadeira para si
Sincera com a razão da sua existência
A cebola do seu almoço tem uma camada a mais
Você gostava de atirar essas pedrinhas no muro
Mas isso era só coisa de criança
Você guardava o bodoque no bolso de trás da calça
E essa era a sua oração
E eu não sei porque você nunca se aproximou do muro...
Seu alvo era tão distante e você já conseguia atingir seu alvo.
Não há pedras de carne para dizer o que sentem ao chegar perto
Mas cada centímetro andado, o exterior mostra, mudando seu interior
Gradativamente...
Não há pedra que derrube o muro pois este muro é você mesmo.
Aproximar-se dele pode ser notável...jogar-se contra ele, o desafio.
Atravessa-lo é a hipoteca do corpo, a morte do sujeito
Liberdade da mente.
Ser um só
Se eu sofro de solidão, é pouco comparado com a solidão que sente o universo de ser um só, ontem e amanhã. É o único altruísta por excelência que se tem conhecimento. Existe para que existam dentro dele outras facções. Não parece óbvio, então, que, como irmãos e beneficiados pelo mesmo altruísmo devemos perceber a existência dessa gentileza que é indispensável a cada um de nós e dada na medida absolutamente suficiente também para cada um? É a mesma história, onde não houver diferença, nós mudaremos; onde houver igualdade, nós roubaremos.
Ó triste e solitário universo, acumulando versos em todos lados da tua existência não-compartilhada.
Eu sou a morte e você?
Ó triste e solitário universo, acumulando versos em todos lados da tua existência não-compartilhada.
Eu sou a morte e você?
segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
les cahiers de la mer
Imagine-se sem um barco dentro do rio
Onde sereias às vezes se aproximam
E fazem respiração boca a boca
Não é difícil ir até o chão
Onde cavalos marinhos com isqueiros apagados
Jogam sapata no fundo do mar
Leões marinhos estressados no trânsito
Olham o relógio e mandam você se danar
Com carros de casco de tartaruga comendo waffers
Na faixa, o peixe espada com cavanhaque de conde
Lhe convida para tomar um chá
Você nunca vai respirar, você nunca vai respirar
Você nunca vai respirar... a morsa há
Sentada numa cadeira de praia, usando óculos de sol
A morsa joga xadrez com águas vivas em fila indiana
e derrota cada uma delas ao mesmo tempo ou uma de cada vez
e depois vai embora porque é época de acasalamento
Vendedor de algas, coloca flores dentro de uma bota de borracha
Ao lado de onde podam bigodes, a foca de costeletas
Liga o rádio e diz que o jogo já vai começar.
Você nunca vai respirar, você nunca vai respirar
Você nunca vai respirar...
Onde sereias às vezes se aproximam
E fazem respiração boca a boca
Não é difícil ir até o chão
Onde cavalos marinhos com isqueiros apagados
Jogam sapata no fundo do mar
Leões marinhos estressados no trânsito
Olham o relógio e mandam você se danar
Com carros de casco de tartaruga comendo waffers
Na faixa, o peixe espada com cavanhaque de conde
Lhe convida para tomar um chá
Você nunca vai respirar, você nunca vai respirar
Você nunca vai respirar... a morsa há
Sentada numa cadeira de praia, usando óculos de sol
A morsa joga xadrez com águas vivas em fila indiana
e derrota cada uma delas ao mesmo tempo ou uma de cada vez
e depois vai embora porque é época de acasalamento
Vendedor de algas, coloca flores dentro de uma bota de borracha
Ao lado de onde podam bigodes, a foca de costeletas
Liga o rádio e diz que o jogo já vai começar.
Você nunca vai respirar, você nunca vai respirar
Você nunca vai respirar...
domingo, 27 de Janeiro de 2008
Quando o avô sai de casa
Quando o planeta vira as costas
Fazem festa os animais na floresta da noite
Bebem, jogam, se divertem, dançam
Aos poucos vão embora. Cada um deles.
Enquanto ela se estende.
Nenhum deles ficará tanto tempo no mesmo lugar durante o dia
Nenhum deles dançará no meio de desconhecidos no trem
Nenhum esperará o tempo passar fora de casa.
Os animais do outro lado do planeta vão se aprontando
Logo, logo, eles sairão
E farão uma festa maior ainda.
Na manhã de encarar o sol imponente
Sem dúvida alimentamos aquilo que sonhamos ser
Para à noite, deixar de lado.
Não existe festa sem sol que não compareça.
Não existe noite sem gente que saia do ovo.
Não existe alegria sem tristeza que seja esquecida.
Fazem festa os animais na floresta da noite
Bebem, jogam, se divertem, dançam
Aos poucos vão embora. Cada um deles.
Enquanto ela se estende.
Nenhum deles ficará tanto tempo no mesmo lugar durante o dia
Nenhum deles dançará no meio de desconhecidos no trem
Nenhum esperará o tempo passar fora de casa.
Os animais do outro lado do planeta vão se aprontando
Logo, logo, eles sairão
E farão uma festa maior ainda.
Na manhã de encarar o sol imponente
Sem dúvida alimentamos aquilo que sonhamos ser
Para à noite, deixar de lado.
Não existe festa sem sol que não compareça.
Não existe noite sem gente que saia do ovo.
Não existe alegria sem tristeza que seja esquecida.
sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008
johnson & johnson
Ainda hoje estava limpando os dentes com um fio dental na frente do espelho. De repente me senti de uma forma estranha e parei com o que estava fazendo.
É curioso sentir medo de fechar a boca antes de retirar os dedos de entre os dentes.
É curioso sentir medo de fechar a boca antes de retirar os dedos de entre os dentes.
Amor Fati
Ali, em verso uno, reunidas estão
As qualidades todas que eu prezei
O conhecimento que eu quis pra mim
A despretensão atenciosa ao ensinar
A delicadeza ao discordar
A discrição em sugerir
Técnica sensível de desconcertar qualquer um
Que por algum motivo ache que já devia saber tudo
Pensamentos que invadem minha mente
Que você sopra e apenas se importa que eu me sinta bem
Em pensar que eles são meus.
O sorriso desavergonhado, a felicidade estampada
Irradiando carinho, plantando amor
Invade qualquer coração de desejo de retribuir
como um caminho surge e é tão bem construído.
É como musica
E o aplauso é a manifestação espontânea de alguém
Que teve seus demônios levados pela onda que a musica jogou
E envia uma onda, mais singela, da maneira que pode,
Para que os seus também desapareçam, se houverem,
Na única clareza de gostar muito desse momento
Espírito e espírito dançando no espaço entre nós
Enquanto os corpos seguem sentados confortavelmente.
Querendo que continue sempre dali pra melhor ainda
Numa veneração pessoal sem término
Identificada estritamente de um amor, não-popularmente, platônico.
Bom ser um de seus pupilos.
As qualidades todas que eu prezei
O conhecimento que eu quis pra mim
A despretensão atenciosa ao ensinar
A delicadeza ao discordar
A discrição em sugerir
Técnica sensível de desconcertar qualquer um
Que por algum motivo ache que já devia saber tudo
Pensamentos que invadem minha mente
Que você sopra e apenas se importa que eu me sinta bem
Em pensar que eles são meus.
O sorriso desavergonhado, a felicidade estampada
Irradiando carinho, plantando amor
Invade qualquer coração de desejo de retribuir
como um caminho surge e é tão bem construído.
É como musica
E o aplauso é a manifestação espontânea de alguém
Que teve seus demônios levados pela onda que a musica jogou
E envia uma onda, mais singela, da maneira que pode,
Para que os seus também desapareçam, se houverem,
Na única clareza de gostar muito desse momento
Espírito e espírito dançando no espaço entre nós
Enquanto os corpos seguem sentados confortavelmente.
Querendo que continue sempre dali pra melhor ainda
Numa veneração pessoal sem término
Identificada estritamente de um amor, não-popularmente, platônico.
Bom ser um de seus pupilos.
Dumbo não pode voar
Não é fácil ser encontrado na floresta
Onde o velho gato louco guarda seu sorriso
Mas se lhe restar uma colher de bravura
De uma régua não verá problema em ter um centímetro de altura
Com uma pena na tromba ele, o velho gato, acredita
E não há nada mais impreciso do que isso
Onde o velho gato louco guarda seu sorriso
Mas se lhe restar uma colher de bravura
De uma régua não verá problema em ter um centímetro de altura
Com uma pena na tromba ele, o velho gato, acredita
E não há nada mais impreciso do que isso
A petulância da magistratura com os ingratos
Sim, sou ingrato
Pago favores com indiferença
Fico aqui pensando comigo
Será que esperam que eu me despertença?
Ora, quando me estendem compreensão então
Que abuso! Deste país sou o mais rico que conheço!
És mesmo o mais rico que desconhece?
Assim, troco seis laranjas verdes por seis maduras
Eita, colheita sem fim mas com um fim.
Pago favores com indiferença
Fico aqui pensando comigo
Será que esperam que eu me despertença?
Ora, quando me estendem compreensão então
Que abuso! Deste país sou o mais rico que conheço!
És mesmo o mais rico que desconhece?
Assim, troco seis laranjas verdes por seis maduras
Eita, colheita sem fim mas com um fim.
Happy New Year
Preciso apenas dar um passo na calçada pra entrar no restaurante que costumo ir algumas vezes durante a semana. Já conheço o lugar, a comida e peço sempre a mesma coisa pra beber. Raras vezes acontece da bebida vir quando já terminei o almoço. Mas é a vantagem de ser vizinho e ganhar a bebida de grátis com o desconto em relação ao preço que custava. Não dá nem pra se irritar. E como a noção deles é boa! Só se fala da noção de alguém quando falta ela, mas a deles é muito boa! Jamais se aproximam da cerca pra perguntar como está o tempo quando o cavalo está pastando. Devo ser justo comigo mesmo também, mas isso me agrada, que posso fazer?
Termino minha refeição e vou até o caixa, pego um pequeno chocolate refeição e pago. A mulher estrábica que fica no caixa e que eu vejo todos os dias, estende a mão e aperta a minha. Deseja um feliz ano novo, vibrações positivas e um ano bem melhor que o que termina daqui 2 dias. Eu fico contente e retribuo os votos apertando a mão dela também, mas ao sair pela porta não posso deixar de perceber minha hesitação ao ouvir as suas palavras. Tivesse as ouvido uns meses atrás ficaria colado nelas e não conseguiria voltar a mim. A prisão das palavras. Mas hoje, não. Não elaborei frases inteiras na minha cabeça quando hesitei, mas o que o pensei na verdade era: será que ela sabe que eu sou louco?
Entrando pela porta do prédio, já dentro do elevador, prestes a chegar no meu andar, balanço as chaves na mão pra pegar a que eu vou usar pra abrir a porta do apartamento e chego a uma resposta: não, ela não tem nem idéia!
Termino minha refeição e vou até o caixa, pego um pequeno chocolate refeição e pago. A mulher estrábica que fica no caixa e que eu vejo todos os dias, estende a mão e aperta a minha. Deseja um feliz ano novo, vibrações positivas e um ano bem melhor que o que termina daqui 2 dias. Eu fico contente e retribuo os votos apertando a mão dela também, mas ao sair pela porta não posso deixar de perceber minha hesitação ao ouvir as suas palavras. Tivesse as ouvido uns meses atrás ficaria colado nelas e não conseguiria voltar a mim. A prisão das palavras. Mas hoje, não. Não elaborei frases inteiras na minha cabeça quando hesitei, mas o que o pensei na verdade era: será que ela sabe que eu sou louco?
Entrando pela porta do prédio, já dentro do elevador, prestes a chegar no meu andar, balanço as chaves na mão pra pegar a que eu vou usar pra abrir a porta do apartamento e chego a uma resposta: não, ela não tem nem idéia!
domingo, 20 de Janeiro de 2008
A evolução da morte
O que você é corresponde apenas ao que você ainda não conseguiu deixar... de ser.
quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
Golden Hair
Ah, toque embaixo de mim, diz o anel no seu dedo.
É bom sentir num lugar aberto uma temperatura mais baixa que a minha
E agradável ainda mais tocar a pele de um braço mais macia que a ponta dos meus dedos
Eu gosto de acariciá-la.
Eu toco em seu braço, mas sou eu que sou tocado.
Minha sensibilidade é total.
Gostaria que saíssemos daqui, mas não me afobo.
Aqui está muito bom.
O olho doce e sedutor é outro visto bem próximo
Eu posso mergulhar dentro dele como um rio profundo sem sentir medo algum.
Agora eu posso sentir. Sim, é isso mesmo.
Lindo de longe. De perto, um espelho do espírito e o bem mais precioso.
Um lar fora da moradia.
As mãos têm cinco dedos para serem abraçadas pelas costas.
Você não me deve nada mesmo, realmente.
É melhor querer mais e mais de ti em mim.
Isso significa "nós".
E quando penso "eu" por um momento
lembro que isso não parecia tão ruim há pouco tempo atrás.
Por isso cultivo o espaço e ando a semear o que depois viram lembranças vivas que arquivo saboreando-as a cada letra, cada palavra.
A experiência originada desta, renovada a iniciativa, a deixando sempre em estado de alerta, preparada, mudando minha forma de ver o mundo a cada "olá", a cada "tchau", a cada "adeus" e a cada prazer.
É bom sentir num lugar aberto uma temperatura mais baixa que a minha
E agradável ainda mais tocar a pele de um braço mais macia que a ponta dos meus dedos
Eu gosto de acariciá-la.
Eu toco em seu braço, mas sou eu que sou tocado.
Minha sensibilidade é total.
Gostaria que saíssemos daqui, mas não me afobo.
Aqui está muito bom.
O olho doce e sedutor é outro visto bem próximo
Eu posso mergulhar dentro dele como um rio profundo sem sentir medo algum.
Agora eu posso sentir. Sim, é isso mesmo.
Lindo de longe. De perto, um espelho do espírito e o bem mais precioso.
Um lar fora da moradia.
As mãos têm cinco dedos para serem abraçadas pelas costas.
Você não me deve nada mesmo, realmente.
É melhor querer mais e mais de ti em mim.
Isso significa "nós".
E quando penso "eu" por um momento
lembro que isso não parecia tão ruim há pouco tempo atrás.
Por isso cultivo o espaço e ando a semear o que depois viram lembranças vivas que arquivo saboreando-as a cada letra, cada palavra.
A experiência originada desta, renovada a iniciativa, a deixando sempre em estado de alerta, preparada, mudando minha forma de ver o mundo a cada "olá", a cada "tchau", a cada "adeus" e a cada prazer.
O tempo não determina teu espaço
Sandálias, perfume, sonhos
Almoço para um
Onde estará agora quem você não procura?
Trocando roupas, fazendo as unhas,
procurando alguma revista velha no canto
Você apenas sorri em resposta
Fácil é viver por destino e por coisas que não vão se arrumar
Lá vai ela mais uma vez
Ela não gosta de bicicletas
Essas coisas acabam com qualquer elegância
Deitada no canto ela sabe o que fazer mas não faz
Não há sabedoria proporcional ao valor da vontade de brincar
Estagnação da energia ao tédio
Da iniciativa sem imaginação
Anos passaram. Você cresceu mas continua a mesma
Não, os brinquedos não diminuiram de tamanho
Por que você não junta algum do chão, então?
Ah, o almoço para um...
Almoço para um
Onde estará agora quem você não procura?
Trocando roupas, fazendo as unhas,
procurando alguma revista velha no canto
Você apenas sorri em resposta
Fácil é viver por destino e por coisas que não vão se arrumar
Lá vai ela mais uma vez
Ela não gosta de bicicletas
Essas coisas acabam com qualquer elegância
Deitada no canto ela sabe o que fazer mas não faz
Não há sabedoria proporcional ao valor da vontade de brincar
Estagnação da energia ao tédio
Da iniciativa sem imaginação
Anos passaram. Você cresceu mas continua a mesma
Não, os brinquedos não diminuiram de tamanho
Por que você não junta algum do chão, então?
Ah, o almoço para um...
sei não, sei não
Eu fiz imagens das pessoas,
e de filmes, fiz pessoas reais.
A moça de saia de pano de prato que viu
o filme e achou elas legais
não me disse que elas não eram reais.
e de filmes, fiz pessoas reais.
A moça de saia de pano de prato que viu
o filme e achou elas legais
não me disse que elas não eram reais.
sei não, sei não 2
Não tem ninguém vivo dentro de cada um de nós.
Estar vivo é estar no limite das vontades entendidas.
Descobrir a morte é antecipar-se à origem da vontade.
Aquele vácuo. Conhece-o? Você conhece o Universo que há.
Ele canta, faz música através de mim. Eu faço coisas mas não estou ali.
E a música, são as coisas que eu posso me envolver para passar o tempo como for e me permite pensar que gosto de umas coisas e não de outras, que sou assim ou assado, quando sequer sou ou tu és. Ruim? Bem, essa é a nossa sintonia.
O Universo tem todas as aparências. Não somos parte de algo, nós somos a coisa toda.
Estar vivo é estar no limite das vontades entendidas.
Descobrir a morte é antecipar-se à origem da vontade.
Aquele vácuo. Conhece-o? Você conhece o Universo que há.
Ele canta, faz música através de mim. Eu faço coisas mas não estou ali.
E a música, são as coisas que eu posso me envolver para passar o tempo como for e me permite pensar que gosto de umas coisas e não de outras, que sou assim ou assado, quando sequer sou ou tu és. Ruim? Bem, essa é a nossa sintonia.
O Universo tem todas as aparências. Não somos parte de algo, nós somos a coisa toda.
sei não, sei não 3
É um alívio imenso pra mim saber que eu tinha razão, mas não os perdoarei nem no infinito por terem se enganado.
Aquário
Eu sou o aquário. O que há em mim é a água.
Mas não é isso que quero que compreenda.
Pouco espero que mergulhe o seu dedo na água.
Antes disso, espero jogar um pouco de água no seu dedo.
Não para mudá-lo, talvez, e isso pode não parecer legal,
para torná-lo mais ele mesmo ainda.
Tocar com o aquário não é possível. Perdoe-me se a única forma
é a escrita de fazer-te encontrar consigo mesma num passeio.
É que eu estou no mesmo lugar esperando.
Busco compartilhar o calor do verão e o frio do inverno.
Mas não é isso que quero que compreenda.
Pouco espero que mergulhe o seu dedo na água.
Antes disso, espero jogar um pouco de água no seu dedo.
Não para mudá-lo, talvez, e isso pode não parecer legal,
para torná-lo mais ele mesmo ainda.
Tocar com o aquário não é possível. Perdoe-me se a única forma
é a escrita de fazer-te encontrar consigo mesma num passeio.
É que eu estou no mesmo lugar esperando.
Busco compartilhar o calor do verão e o frio do inverno.
segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008
Amor, estranho amor
Deitado sobre uma cama crisálida
Só uma coisa me apraz
Sobre o corpo sem emoção que jaz
Apenas o calor lastimo
Não produzir uma refrescância que para sempre me deixe
Uma concha na qual sob forma desfilo e completo
A esperança
Como um verso sucinto você aparece
Trazendo roupas penduradas no cinturão
Eu não sei o seu nome em latim
Perdoe-me a falta de educação
Isso não é o adeus da minha delicadeza
Por favor, fique
Botânica eu aprendi com uma professora muda
Cuidado pouco me falta
Tenho medo da minha própria madeira
Por isso permaneço paralisado
Que é a falta de consciência que nos observa?
Você não precisa se preocupar comigo
Ainda estou observando seus braços arranhados
E fazendo a volta ao teu redor
Estudo manchas de outra natureza por teu ombro de salgueiro
Você sua sem ter visto uma serra que te corte
Ah, mas é tão boa essa época do ano!
Sem disputa de altura, pé vizinho
O tamanho pouco importa contanto que façamos sombra um no outro
Você não precisa se preocupar comigo
Eu me importo contigo
É bom se enfeitar quando chega a época de Natal
Vejo cobrir teu próprio corpo de lâmpadas
Todo caule dedicado para que brilhe mais do que todas da floresta
É bom, é bonito!
Por isso peço desculpas mais uma vez
Não é usual enfeitar-se assim na páscoa
Mas é que é a minha sexta feira santa, entende?
Você não sabe do que eu estou falando...
E como poderia? Não importa...
Me faça sombra por metade do dia que eu te farei na outra metade
À noite, quando dormem os que pensam que madeira não tem vida
Saiamos de mãos dadas, lindo salgueiro
Quiçá encontramos um fogo de chão por aí
E isso nos dê uma boa idéia.
Só uma coisa me apraz
Sobre o corpo sem emoção que jaz
Apenas o calor lastimo
Não produzir uma refrescância que para sempre me deixe
Uma concha na qual sob forma desfilo e completo
A esperança
Como um verso sucinto você aparece
Trazendo roupas penduradas no cinturão
Eu não sei o seu nome em latim
Perdoe-me a falta de educação
Isso não é o adeus da minha delicadeza
Por favor, fique
Botânica eu aprendi com uma professora muda
Cuidado pouco me falta
Tenho medo da minha própria madeira
Por isso permaneço paralisado
Que é a falta de consciência que nos observa?
Você não precisa se preocupar comigo
Ainda estou observando seus braços arranhados
E fazendo a volta ao teu redor
Estudo manchas de outra natureza por teu ombro de salgueiro
Você sua sem ter visto uma serra que te corte
Ah, mas é tão boa essa época do ano!
Sem disputa de altura, pé vizinho
O tamanho pouco importa contanto que façamos sombra um no outro
Você não precisa se preocupar comigo
Eu me importo contigo
É bom se enfeitar quando chega a época de Natal
Vejo cobrir teu próprio corpo de lâmpadas
Todo caule dedicado para que brilhe mais do que todas da floresta
É bom, é bonito!
Por isso peço desculpas mais uma vez
Não é usual enfeitar-se assim na páscoa
Mas é que é a minha sexta feira santa, entende?
Você não sabe do que eu estou falando...
E como poderia? Não importa...
Me faça sombra por metade do dia que eu te farei na outra metade
À noite, quando dormem os que pensam que madeira não tem vida
Saiamos de mãos dadas, lindo salgueiro
Quiçá encontramos um fogo de chão por aí
E isso nos dê uma boa idéia.
domingo, 13 de Janeiro de 2008
Generalize
Eu sou o homem-cápsula
Nasci dentro de um papel laminado
Sujeito, sou comprimido
Não há alguém no planeta que não me tenha no bolso
Curo histerias, alivio desconfortos
Ninguém me chama de massagista
Sou feiticeiro
Minhas mãos não tocam a pessoa
É tudo mágica, sumo, sou absorvido
Como um amor de verdade, torno a sensação plena
Como poderia isso propor algo resumido?
Habito todas as casas
Custo caro e exijo tempo
Não há quem diga ‘não’
E com o perdão da lorota à toa
Encontrais qualquer coisa em ti aí dentro
Menos o que há em mim, adquirido
Que da tua doença engana e persevera
Como a cura, que sente morte, destoa
Até ficar tudo esclarecido.
Acompanho água. Vinho, também serve.
Nasci dentro de um papel laminado
Sujeito, sou comprimido
Não há alguém no planeta que não me tenha no bolso
Curo histerias, alivio desconfortos
Ninguém me chama de massagista
Sou feiticeiro
Minhas mãos não tocam a pessoa
É tudo mágica, sumo, sou absorvido
Como um amor de verdade, torno a sensação plena
Como poderia isso propor algo resumido?
Habito todas as casas
Custo caro e exijo tempo
Não há quem diga ‘não’
E com o perdão da lorota à toa
Encontrais qualquer coisa em ti aí dentro
Menos o que há em mim, adquirido
Que da tua doença engana e persevera
Como a cura, que sente morte, destoa
Até ficar tudo esclarecido.
Acompanho água. Vinho, também serve.
quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008
Tecido
Senti o contato do último aço existente.
Assim pensava. Era o primeiro. Aí me julguei apto a falar da verdade primeira.
Era assim. O espaço era a casca da cebola que se estendia até a ponta do meu dedo, uma camada interior a outra.
Até o centro da minha barriga. Mas e quem caminha nessa ventania?
Ao cortae a cebola e ver as lágrimas caindo, nada desconfiei de que não eram minhas.
Como poderia? Seria o primeiro sujeito o dono ou o intérprete, como preferir.
As lágrimas não eram. Eram pontos atrás da malha de aço como um suor escorrendo num dia de verão. A atravessa.
Única malha de aço, totalmente indestrutível. Vejo-te enfim como uma renda feita na folga de uma menina educada no interior. Vejo cada ponto que brilha atrás da tua onipresença.
A luz do sol não te ilumina pois esbarrada no espaço que a ti se antecipa.
Você é como pequenas bolhas de ar no fundo de um açude escuro que não atinge a superfície. Mas você está aí e agora eu sei.
Olhos não me mostram, assim a percepção não me auxilia, mas está aí sim com certeza.
Vem antes de tudo o mais. Talvez não hajam camadas como eu imaginava, talvez esteja tudo misturado mesmo.
Esse nosso açude está a frente das pequenas bolhas de buracos negros.
Pra se ter idéia de onde está um e outro, em primeiro lugar, do açude jamais veremos a superfície. Estamos submersos. Quanto a proximidade, a água desse espaço está como a sala, assim como as bolhas de buraco negro estão para a sacada.
Logo, a localização não é geográfica. Apenas carece de identificação.
Assim pensava. Era o primeiro. Aí me julguei apto a falar da verdade primeira.
Era assim. O espaço era a casca da cebola que se estendia até a ponta do meu dedo, uma camada interior a outra.
Até o centro da minha barriga. Mas e quem caminha nessa ventania?
Ao cortae a cebola e ver as lágrimas caindo, nada desconfiei de que não eram minhas.
Como poderia? Seria o primeiro sujeito o dono ou o intérprete, como preferir.
As lágrimas não eram. Eram pontos atrás da malha de aço como um suor escorrendo num dia de verão. A atravessa.
Única malha de aço, totalmente indestrutível. Vejo-te enfim como uma renda feita na folga de uma menina educada no interior. Vejo cada ponto que brilha atrás da tua onipresença.
A luz do sol não te ilumina pois esbarrada no espaço que a ti se antecipa.
Você é como pequenas bolhas de ar no fundo de um açude escuro que não atinge a superfície. Mas você está aí e agora eu sei.
Olhos não me mostram, assim a percepção não me auxilia, mas está aí sim com certeza.
Vem antes de tudo o mais. Talvez não hajam camadas como eu imaginava, talvez esteja tudo misturado mesmo.
Esse nosso açude está a frente das pequenas bolhas de buracos negros.
Pra se ter idéia de onde está um e outro, em primeiro lugar, do açude jamais veremos a superfície. Estamos submersos. Quanto a proximidade, a água desse espaço está como a sala, assim como as bolhas de buraco negro estão para a sacada.
Logo, a localização não é geográfica. Apenas carece de identificação.
domingo, 30 de Dezembro de 2007
Dilema
É uma praxe a proliferação de mosquitos no verão.
Malditos... não chegavam até o décimo andar, agora estão conseguindo.
Nas últimas três noites eles entraram pela minha janela e tive de dormir com o abajur ligado. Tenho paciência...
Na noite anterior um deles me encheu tanto o saco que em um momento que ele sentou sobre o lençol, enrolei-o rapidamente no mesmo e dormi sem ele, então.
Agora, eu, na minha tranquilidade, filando um cigarro e bebendo a segunda cerveja.
Tem um maldito enxendo o saco.
Costumo apenas me mover quando eles pousam em mim, mas...
PLAFT!!
Senti um deles no meu antebraço direito e finquei a mão com a violência necessária.
"Foda-se a consciência!", foi o pensamento que me veio a cabeça e me senti bem.
Malditos... não chegavam até o décimo andar, agora estão conseguindo.
Nas últimas três noites eles entraram pela minha janela e tive de dormir com o abajur ligado. Tenho paciência...
Na noite anterior um deles me encheu tanto o saco que em um momento que ele sentou sobre o lençol, enrolei-o rapidamente no mesmo e dormi sem ele, então.
Agora, eu, na minha tranquilidade, filando um cigarro e bebendo a segunda cerveja.
Tem um maldito enxendo o saco.
Costumo apenas me mover quando eles pousam em mim, mas...
PLAFT!!
Senti um deles no meu antebraço direito e finquei a mão com a violência necessária.
"Foda-se a consciência!", foi o pensamento que me veio a cabeça e me senti bem.
Um dos animais do campo
Ah, mas o vento me colocou fraudas por todo o corpo
Elas duram um dia, três se ninguém perceber!
Estou sentado sob o vácuo em frente a uma fogueira
Eu queria saber de onde saíram esses animais...
Sentado sobre uma toalha, não quero que as fraudas encostem a superfície
Haha, quanta petulância! Você é mesmo um idiota completo, veja isso na sua solidão.
Sinto um enjôo, parece que sinto o planeta girando.
Gostaria de estar em pé, mas nessa velocidade, quem tem coragem de se levantar?
Não queria deitar, mas se manter sentado parece tão cansativo.
Revezo o braço que fico escorado, vou para trás e para a frente de pouco em pouco tempo.
Bocejo! Não, mas não estou cansado, há tanta diversão pela frente...
Mas onde está o lugar que eu bocejei?! Eu estive aqui sentado!
Parece tudo igual. Parece!
Lua da noite, você continua aí. As árvores dobram-se e tentam nos pegar.
Não precisamos correr. É tudo imaginação, é sim.
Mas o que tem a frente dos meus pés?
Uma fogueira? Eu já vi essa coisa antes... é um fogão que os escoteiros usam...?
Escoteiros! Haha.... tem animais selvagens a minha volta.
Devo parecer selvagem também, mesmo que não saiba. Não devo temer.
Há algo sobre o fogo.
Na verdade, o javali, um dos animais ao meu lado, fabricou um fino metal com cabo feito de árvore e o macaco de rosto azul e laranja esculpido ao vivo na minha frente com cabelo longo igualmente de madeira, trocou um pedaço de animal por madeira fina trabalhada. O macaco trouxe o cadáver ao javali que cravou seu fino metal no mesmo.
Ele paira sobre o fogo mas ambos animais estão tão indispostos como eu que deixam o cadáver ali mesmo.
Ahh!!! O lugar se dobra! Desdobro, não. Me acalmo e ele volta a sua forma normal.
Não me atrevo a ficar de barriga pra cima, a pressão do céu pode me fazer vomitar.
Me ajeito de novo, meus braços estão cansados de se revezar enquanto permaneço bocejando e acordando em outros lugares.
Que frio! Não consigo nem colocar minha blusa. O vento vem forte e quase me sinto surfando sobre a terra. Destaco o buraco onde devia pôr a cabeça com as duas mãos para não ter erro, mas não tive coragem de atravessa-lo e o jogo longe, no chão. Já chega seu tecido parecer derrubar pó mágico por todos os lugares, não quero colocar minha cabeça ali e perder ela dentro de um buraco negro. Eu olho mais animais a minha volta. Cada um, um tipo, uma espécie, uma cor, mas todos vivos. Eu nem sei que bicho sou!
- Vou pegar o violão! – diz a cobra ao javali.
- Ah, vai ser tão bom se você tocar – responde a capivara.
Tocar? Violão? Eu já ouvi isso! Eu sei o que é! O violão! Bah que viagem, eu fazia aulas no Trauttman quando tinha 7 anos!
- Que que vamos tocar aqui... fala a cobra.
Ninguém diz qualquer coisa. O momento é bastante delicado.
Fizeram algo que já ouvi chamar de lanternas com garrafas de água de 5 litros. Não lembro qual deles fabricou aquilo, nem quem fez as velas. Estavam todas acesas. E essas velas, às vezes, se espalhavam sopradas pelo vento como luzes de lugares que eu já freqüentei que chamam de boates. Quando fico nervoso, o vento sopra, quando perco a noção a chama se diminui, então relaxo e o vento pára de soprar e a vela volta a brilhar como antes e mais forte ainda. Poderíamos fazer danças e ritos para afastar os mals espíritos que querem apagá-la!
A cobra coloca o violão sobre a barriga, nascem braços de seu corpo que o abraçam e movendo sua língua de tempo em tempo, ela pergunta:
- Ta... e agora...?
Como assim? Foi isso o que pensei. Eu gostaria de fazer alguma coisa com aquele violão, mas não me arrisco a levantar nessa velocidade absurda. Não tenho roupa de astrounauta e muito menos estou preso por um cabo pra me arriscar desse jeito.
A cobra não consegue tocar mesmo com seus braços, eis tudo.
Ela se cansa e bate os dedos nas cordas do instrumento.
- beuuuuuunnnnnn!!
Só eu vejo será esse som de papel celofane? Eles vendiam em papelarias, que mundo louco! O celofane está vindo pra cá, se esticam do braço do violão diretamente das cordas mas antes delas serem amarradas para que se aperte. As notas vêm vindo, vêm vindo!
Macaco! Macaco!! Ô macaco!!
Puxo o macaco pelo ombro.
Não ta vendo as notas vindo??!!!
O macaco olha pra mim sério e volta a ficar na posição inicial.
As cordas passaram.
Por que eu me sinto como se tivesse lhe feito algum mal se penso que fiz um bem?
- Vamos comer agora!
Comer? Os animais se aproximam do fino metal com cabo de madeira que segura o cadáver sobre o fogo. Eles estão comendo! Eu estou numa taverna no século XIV e os vikings se atracam com as duas mãos no cadáver, levam os pedaços até a boca e mastigam com olhar furioso, vendo-se seus dentes!
- Energia! Energia!! – diz um dos animais que eu não sei de que espécie é.
Eu me afasto deles. Finalmente me sinto apto a levantar. Não... não... essa não pode ser a realidade! Essa não é a realidade! Não! Mas com quem foi que eu vim parar aqui?!
Amanhã a gente levanta acampamento e vai embora antes do almoço. Pega o carro na praia, guarda as coisas na mochila, consegue o green, bebe umas long necks na estrada e chega em um restaurante a quilo.
Isso faz todo sentido.
Elas duram um dia, três se ninguém perceber!
Estou sentado sob o vácuo em frente a uma fogueira
Eu queria saber de onde saíram esses animais...
Sentado sobre uma toalha, não quero que as fraudas encostem a superfície
Haha, quanta petulância! Você é mesmo um idiota completo, veja isso na sua solidão.
Sinto um enjôo, parece que sinto o planeta girando.
Gostaria de estar em pé, mas nessa velocidade, quem tem coragem de se levantar?
Não queria deitar, mas se manter sentado parece tão cansativo.
Revezo o braço que fico escorado, vou para trás e para a frente de pouco em pouco tempo.
Bocejo! Não, mas não estou cansado, há tanta diversão pela frente...
Mas onde está o lugar que eu bocejei?! Eu estive aqui sentado!
Parece tudo igual. Parece!
Lua da noite, você continua aí. As árvores dobram-se e tentam nos pegar.
Não precisamos correr. É tudo imaginação, é sim.
Mas o que tem a frente dos meus pés?
Uma fogueira? Eu já vi essa coisa antes... é um fogão que os escoteiros usam...?
Escoteiros! Haha.... tem animais selvagens a minha volta.
Devo parecer selvagem também, mesmo que não saiba. Não devo temer.
Há algo sobre o fogo.
Na verdade, o javali, um dos animais ao meu lado, fabricou um fino metal com cabo feito de árvore e o macaco de rosto azul e laranja esculpido ao vivo na minha frente com cabelo longo igualmente de madeira, trocou um pedaço de animal por madeira fina trabalhada. O macaco trouxe o cadáver ao javali que cravou seu fino metal no mesmo.
Ele paira sobre o fogo mas ambos animais estão tão indispostos como eu que deixam o cadáver ali mesmo.
Ahh!!! O lugar se dobra! Desdobro, não. Me acalmo e ele volta a sua forma normal.
Não me atrevo a ficar de barriga pra cima, a pressão do céu pode me fazer vomitar.
Me ajeito de novo, meus braços estão cansados de se revezar enquanto permaneço bocejando e acordando em outros lugares.
Que frio! Não consigo nem colocar minha blusa. O vento vem forte e quase me sinto surfando sobre a terra. Destaco o buraco onde devia pôr a cabeça com as duas mãos para não ter erro, mas não tive coragem de atravessa-lo e o jogo longe, no chão. Já chega seu tecido parecer derrubar pó mágico por todos os lugares, não quero colocar minha cabeça ali e perder ela dentro de um buraco negro. Eu olho mais animais a minha volta. Cada um, um tipo, uma espécie, uma cor, mas todos vivos. Eu nem sei que bicho sou!
- Vou pegar o violão! – diz a cobra ao javali.
- Ah, vai ser tão bom se você tocar – responde a capivara.
Tocar? Violão? Eu já ouvi isso! Eu sei o que é! O violão! Bah que viagem, eu fazia aulas no Trauttman quando tinha 7 anos!
- Que que vamos tocar aqui... fala a cobra.
Ninguém diz qualquer coisa. O momento é bastante delicado.
Fizeram algo que já ouvi chamar de lanternas com garrafas de água de 5 litros. Não lembro qual deles fabricou aquilo, nem quem fez as velas. Estavam todas acesas. E essas velas, às vezes, se espalhavam sopradas pelo vento como luzes de lugares que eu já freqüentei que chamam de boates. Quando fico nervoso, o vento sopra, quando perco a noção a chama se diminui, então relaxo e o vento pára de soprar e a vela volta a brilhar como antes e mais forte ainda. Poderíamos fazer danças e ritos para afastar os mals espíritos que querem apagá-la!
A cobra coloca o violão sobre a barriga, nascem braços de seu corpo que o abraçam e movendo sua língua de tempo em tempo, ela pergunta:
- Ta... e agora...?
Como assim? Foi isso o que pensei. Eu gostaria de fazer alguma coisa com aquele violão, mas não me arrisco a levantar nessa velocidade absurda. Não tenho roupa de astrounauta e muito menos estou preso por um cabo pra me arriscar desse jeito.
A cobra não consegue tocar mesmo com seus braços, eis tudo.
Ela se cansa e bate os dedos nas cordas do instrumento.
- beuuuuuunnnnnn!!
Só eu vejo será esse som de papel celofane? Eles vendiam em papelarias, que mundo louco! O celofane está vindo pra cá, se esticam do braço do violão diretamente das cordas mas antes delas serem amarradas para que se aperte. As notas vêm vindo, vêm vindo!
Macaco! Macaco!! Ô macaco!!
Puxo o macaco pelo ombro.
Não ta vendo as notas vindo??!!!
O macaco olha pra mim sério e volta a ficar na posição inicial.
As cordas passaram.
Por que eu me sinto como se tivesse lhe feito algum mal se penso que fiz um bem?
- Vamos comer agora!
Comer? Os animais se aproximam do fino metal com cabo de madeira que segura o cadáver sobre o fogo. Eles estão comendo! Eu estou numa taverna no século XIV e os vikings se atracam com as duas mãos no cadáver, levam os pedaços até a boca e mastigam com olhar furioso, vendo-se seus dentes!
- Energia! Energia!! – diz um dos animais que eu não sei de que espécie é.
Eu me afasto deles. Finalmente me sinto apto a levantar. Não... não... essa não pode ser a realidade! Essa não é a realidade! Não! Mas com quem foi que eu vim parar aqui?!
Amanhã a gente levanta acampamento e vai embora antes do almoço. Pega o carro na praia, guarda as coisas na mochila, consegue o green, bebe umas long necks na estrada e chega em um restaurante a quilo.
Isso faz todo sentido.
sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007
Nicarágua
E tenho sede
Por isso vou
Aonde?
Nicarágua!
Vou contigo
Mas eu não contenho
Como assim?
É como os gangurus
Não tenho bolsa
Vamos então
Cada um contém a si
E vamos nos contendo
Lado a lado até chegar
Parece uma boa forma de passar o tempo
Contendo sobre o que?
Ah, tem tanta coisa
Isso aí é besteira, tu não sabe sobre o que
Isso é importante agora?
Importa quando estivermos
Então estamos tranqüilos...
Sim, quando for importante
Será do início ao fim.
Diz pela tempo que a palavra propõem?
Enquanto palavra importante,
Assim ela permanece pois não há pausa
Vamos iniciar então
Ainda bem, porque eu tenho sede
Eu também
Vamos Nicarágua
Vamos!
Isso será importante
Sim, pelo tempo que não sentirmos mais sede.
Por isso vou
Aonde?
Nicarágua!
Vou contigo
Mas eu não contenho
Como assim?
É como os gangurus
Não tenho bolsa
Vamos então
Cada um contém a si
E vamos nos contendo
Lado a lado até chegar
Parece uma boa forma de passar o tempo
Contendo sobre o que?
Ah, tem tanta coisa
Isso aí é besteira, tu não sabe sobre o que
Isso é importante agora?
Importa quando estivermos
Então estamos tranqüilos...
Sim, quando for importante
Será do início ao fim.
Diz pela tempo que a palavra propõem?
Enquanto palavra importante,
Assim ela permanece pois não há pausa
Vamos iniciar então
Ainda bem, porque eu tenho sede
Eu também
Vamos Nicarágua
Vamos!
Isso será importante
Sim, pelo tempo que não sentirmos mais sede.
quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007
A Missão, Teddy
Teddy?!
Acorda! Shh... a mãe saiu, vem!
Venha Teddy, ajude o menino, vigie o corredor
Acho que a Naná saiu também
Venha Teddy, vocês agora são milionários
Fica sentado aqui Teddy!
Sente-se Teddy, veja se papai acorda no quarto
Nós vamos conseguir, Teddy!
Preste atenção, Teddy, não deixe o menino bater a cadeira na porta.
Passamos! Shhh...shhhh...
Vocês estão a salvo, Teddy.
Me ajuda a empurrar a cadeira, Teddy... você é muito pesado.
Espere sentado no armário da despensa, Teddy.
Agora sim! Agora vai dar!
Não deixe o menino cair, Teddy.
Segura a porta do armário, Teddy, tô quase alcançando...
Ele está muito perto, Teddy.
Que lata é agora, Teddy? Sem rótulo...
Ele não sabe que lata é, Teddy.
Faz tempo que a mãe não compra!
Ele gosta muito de leite condensado, Teddy.
Vem Teddy, vamos na cozinha pegar o abridor!
Não deixe o menino se cortar, Teddy.
Já peguei a colher sim, Teddy!
Ele não esqueceria disso, Teddy.
Eeeecaa! Fui! Amargo, Teddy!!
Mamãe tirou os rótulos dos cremes de leite também, Teddy.
Acorda! Shh... a mãe saiu, vem!
Venha Teddy, ajude o menino, vigie o corredor
Acho que a Naná saiu também
Venha Teddy, vocês agora são milionários
Fica sentado aqui Teddy!
Sente-se Teddy, veja se papai acorda no quarto
Nós vamos conseguir, Teddy!
Preste atenção, Teddy, não deixe o menino bater a cadeira na porta.
Passamos! Shhh...shhhh...
Vocês estão a salvo, Teddy.
Me ajuda a empurrar a cadeira, Teddy... você é muito pesado.
Espere sentado no armário da despensa, Teddy.
Agora sim! Agora vai dar!
Não deixe o menino cair, Teddy.
Segura a porta do armário, Teddy, tô quase alcançando...
Ele está muito perto, Teddy.
Que lata é agora, Teddy? Sem rótulo...
Ele não sabe que lata é, Teddy.
Faz tempo que a mãe não compra!
Ele gosta muito de leite condensado, Teddy.
Vem Teddy, vamos na cozinha pegar o abridor!
Não deixe o menino se cortar, Teddy.
Já peguei a colher sim, Teddy!
Ele não esqueceria disso, Teddy.
Eeeecaa! Fui! Amargo, Teddy!!
Mamãe tirou os rótulos dos cremes de leite também, Teddy.
Urso Teddy, eu te amo!
Urso Teddy
Com laço vermelho no pescoço
Mas você não é o guardião do meu quarto?
Urso Teddy encostado na cama
Não deixe a empregada te colocar atrás das almofadas
Segurando um compasso sobre uma folha de papel
Urso Teddy, desenha meu mosqueteiro
Você está com fome Teddy?
Eu deixei o meu suor da noite em teu pêlo
Está escuro Urso Teddy
Você vê o rabicho da luz?
O abajur com rosto de palhaço se acende
Papai disse que ele pode pegar fogo
Você tem certeza, Teddy?
Vê os helicópteros Teddy?
Do outro lado do mosqueteiro
Nós estamos protegidos
Oh, Teddy, você nos salvou
Com seu laço vermelho no pescoço
Teddy, você nunca morrerá
Mas eu ainda não achei no chão o seu nariz
Com laço vermelho no pescoço
Mas você não é o guardião do meu quarto?
Urso Teddy encostado na cama
Não deixe a empregada te colocar atrás das almofadas
Segurando um compasso sobre uma folha de papel
Urso Teddy, desenha meu mosqueteiro
Você está com fome Teddy?
Eu deixei o meu suor da noite em teu pêlo
Está escuro Urso Teddy
Você vê o rabicho da luz?
O abajur com rosto de palhaço se acende
Papai disse que ele pode pegar fogo
Você tem certeza, Teddy?
Vê os helicópteros Teddy?
Do outro lado do mosqueteiro
Nós estamos protegidos
Oh, Teddy, você nos salvou
Com seu laço vermelho no pescoço
Teddy, você nunca morrerá
Mas eu ainda não achei no chão o seu nariz
terça-feira, 25 de Dezembro de 2007
Há tempos o casamento era algo considerado absolutamente anti-social. A petulância de um ser querer outro somente para si. Há tempos nas festividades gregas e hoje, nas tribos da África, é meio de disputa entre tribos de territórios diferentes fazer uma celebração que acabe com todos os recursos de tribo anfitriã. Afim de afirmar a sua grandeza diante da outra, a tribo visitante quando se torna anfitriã em outro momento, tem o compromisso de fazer pelo menos uma celebração tão grande quanto a que recebeu ou maior ainda. A ostentação como disputa desenfreada. Ou quando um líder de tribo desejava desafiar o líder de outra, para isso, tinha que matar uma quantidade de seus escravos. Ao outro líder, restava matar um número ainda maior dos seus. tribos que usam máscaras, feiticeiros que usam colares, eleitores que usam bótons, magistrados que usam perucas. O policial armado de roupa verde-azeitona andando no meio das savanas com sua arma, é o caçador. O macaco pendurado nas árvores fazendo palhaçadas, rouba o boné de quem passa sob seu galho. O traje solicitado a festa que você quer comparecer, particular a um dia do ano. Promessa, reza, ritual, poção. Caridade, oferenda, pessoa, deus. Vôo rasante, habilidades de caça, canto. Poesia, música, discurso. tênis, sapato, pé descalço. Asfalto, grama, terra. Ouro, cipó, jóia, madeira. Chapéu, cocar, bússola, cruzeiro do sul. Carro, navio, passeio, destino. Lugar, lugar, lugar. Não há tempo. Não há qualquer. Eu celebro o 25 de dezembro de longe. Não há Natal para mim. Os pagãos celebravam o Sol! Alguém poderia dizer como quem sabe o amanhã que não mais celebram?
Ah, mas não é quando, é onde! Faço festividade estrangeira no espaço que vivo pra fazer desse pedaço de terra um pouco mais de espaço do que tempo. Não há fim! Nem fim!
Ah, mas não é quando, é onde! Faço festividade estrangeira no espaço que vivo pra fazer desse pedaço de terra um pouco mais de espaço do que tempo. Não há fim! Nem fim!
terça-feira, 18 de Dezembro de 2007
Ser não-nascido
Um cachorro no meio da cozinha da minha avó
Mãe da minha mãe, sempre amou animais
Em volta da mesa, ao lado do fogão a lenha
Acontece a troca de informações
É onde fica o senado reunido deliberando
Eu tenho outras preocupações
Tem um animal ao meu lado
Olho para o chão e o vejo
Seu relógio biológico inverteu-se e corre agora
Rápido, rápido, rápido demais!
Rápido demais!
Só eu vejo, o que fazer?
Se não pensar em nada esse animal vai virar areia ou sumir
E não demorará nem dez segundos.
Não, pequeno animal, vou reafirmar teu nascimento!
Ok, ao lado do fogão da minha avó, o banco que ela senta
Ao lado, a pia. A pia, água!
Recipiente!
Despejo água sobre o bicho e parece funcionar bem pouco
Sua transformação volta ao normal um pouco mas não se mantém
Deixo a torneira aberta! Preciso ser rápido!
Encho três copos d’água o mais rápido que posso
Despejo nas costas que não são mais de grãos de areia
Mas de uma pelagem preta com branco macia e bonita
Vejo a transformação, eis sua forma final
Interrompo um pouco minhas ações, sua idade mantém-se
Não precisa mais de água
Ela parece com o mais próximo que eu já tive de um cachorro.
Mãe da minha mãe, sempre amou animais
Em volta da mesa, ao lado do fogão a lenha
Acontece a troca de informações
É onde fica o senado reunido deliberando
Eu tenho outras preocupações
Tem um animal ao meu lado
Olho para o chão e o vejo
Seu relógio biológico inverteu-se e corre agora
Rápido, rápido, rápido demais!
Rápido demais!
Só eu vejo, o que fazer?
Se não pensar em nada esse animal vai virar areia ou sumir
E não demorará nem dez segundos.
Não, pequeno animal, vou reafirmar teu nascimento!
Ok, ao lado do fogão da minha avó, o banco que ela senta
Ao lado, a pia. A pia, água!
Recipiente!
Despejo água sobre o bicho e parece funcionar bem pouco
Sua transformação volta ao normal um pouco mas não se mantém
Deixo a torneira aberta! Preciso ser rápido!
Encho três copos d’água o mais rápido que posso
Despejo nas costas que não são mais de grãos de areia
Mas de uma pelagem preta com branco macia e bonita
Vejo a transformação, eis sua forma final
Interrompo um pouco minhas ações, sua idade mantém-se
Não precisa mais de água
Ela parece com o mais próximo que eu já tive de um cachorro.
sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007
Com acne nos braços, pêlos no corpo
Eu sento sobre uma coisa que não sei o que é
Algo fino estendido sobre nossa jangada
Não me deixa viajar ao oriente facilmente
Como alguém que mergulha ao fundo da piscina
E não pode irromper para ficar em pé do outro lado.
Encontro ecos inanimados vindo de uma caixa
Com algo fino tocando a parede
Tal como fios de cabelo saindo da sua cabeça.
Ao abandono de nossos walkie-talkies
Corpo e caixa. Vamos, apenas vento frio e quente
Nadando maravilhosamente, apresentamos nosso furacão
Sempre se dança e para sempre.
Entretanto, há quem consiga morrer um tempo
E que agüenta chegar na copa que ninguém atende
Para ver o pigmento - cuja cor a ausência do sol não desbota -
dançar.
Com pés de plástico envoltos na pele surrupiada de alguma imagem com nome
Eu resolvi ficar na moradia para ver o vento dançar na frente da folha
Eu sento sobre uma coisa que não sei o que é
Algo fino estendido sobre nossa jangada
Não me deixa viajar ao oriente facilmente
Como alguém que mergulha ao fundo da piscina
E não pode irromper para ficar em pé do outro lado.
Encontro ecos inanimados vindo de uma caixa
Com algo fino tocando a parede
Tal como fios de cabelo saindo da sua cabeça.
Ao abandono de nossos walkie-talkies
Corpo e caixa. Vamos, apenas vento frio e quente
Nadando maravilhosamente, apresentamos nosso furacão
Sempre se dança e para sempre.
Entretanto, há quem consiga morrer um tempo
E que agüenta chegar na copa que ninguém atende
Para ver o pigmento - cuja cor a ausência do sol não desbota -
dançar.
Com pés de plástico envoltos na pele surrupiada de alguma imagem com nome
Eu resolvi ficar na moradia para ver o vento dançar na frente da folha
terça-feira, 4 de Dezembro de 2007
Não pro 192
Nunca passei trote aos bombeiros
E por não ligar pra eles, às vezes eu sinto tanto medo
A casa esteve em chamas!
Quisera eu que a falta de materiais de combustão já fosse perceptível
Sinto medo. Medo de que eles cheguem mesmo que atrasados
Por outro lado, o retrospecto me é favorável
Esses salva-vidas do corpo, eu os conheço, andam com o tanque sem água
São boas as chances de não me decepcionarem
Me agarro!
Não a isso, veja bem, este não é mais o meu endereço
E tantas mãos podem se estender longe das cinzas entre si
Que, ao invés de sentir falta de amizades herdadas ou de costume
Sinto-me grato pelo presente de reconstrução
Desapegados novos amigos de gostos mil e agradáveis moças
De gentil singularidade artístico-estética receptivas
Mas não era o que eu sonhava?
Eu tinha passado do ponto, viajando, e não encontrava
Por isso mantinha sempre as malas perto de mim
E o odor barato daquelas comissárias de vôo, uniformizadas pelo mal gosto
Não se ofendam malas minhas. Meu apego por vocês foi sincero
Eu apenas não sabia que podia deixa-las no chão e seguir caminho
Quanto as comissárias de vôo, sou leviano demais para me preocupar
Com as instruções de segurança e despreocupado demais com dinheiro
Para aceitar seus sorrisos nas suas passagens em troca do ticket que eu comprei.
Esse lugar é bem melhor
E eu tenho que admitir que está ficando melhor a todo momento
Desde que eu acendi aquele fósforo
Um homem louco passou por mim um dia e perguntou o que eu estava fazendo
Eu estava parado na frente da minha casa...
- Esperando pela festa do outro fim de semana... – eu respondi
- Não te cansa gastar teus dias esperando por outro dia? O que fará nesse dia?
- Não sei... o de sempre...
- Por quê não vai embora, então?
- Ir embora...?
- Sim, fazer alguma coisa?
- Eu tenho uma casa aqui. Eu não vou embora assim sem mais nem menos...
- Incendeie ela, já que ninguém mais fará isso por ti. Assim tu pode fazer alguma coisa agora pra sempre.
E por não ligar pra eles, às vezes eu sinto tanto medo
A casa esteve em chamas!
Quisera eu que a falta de materiais de combustão já fosse perceptível
Sinto medo. Medo de que eles cheguem mesmo que atrasados
Por outro lado, o retrospecto me é favorável
Esses salva-vidas do corpo, eu os conheço, andam com o tanque sem água
São boas as chances de não me decepcionarem
Me agarro!
Não a isso, veja bem, este não é mais o meu endereço
E tantas mãos podem se estender longe das cinzas entre si
Que, ao invés de sentir falta de amizades herdadas ou de costume
Sinto-me grato pelo presente de reconstrução
Desapegados novos amigos de gostos mil e agradáveis moças
De gentil singularidade artístico-estética receptivas
Mas não era o que eu sonhava?
Eu tinha passado do ponto, viajando, e não encontrava
Por isso mantinha sempre as malas perto de mim
E o odor barato daquelas comissárias de vôo, uniformizadas pelo mal gosto
Não se ofendam malas minhas. Meu apego por vocês foi sincero
Eu apenas não sabia que podia deixa-las no chão e seguir caminho
Quanto as comissárias de vôo, sou leviano demais para me preocupar
Com as instruções de segurança e despreocupado demais com dinheiro
Para aceitar seus sorrisos nas suas passagens em troca do ticket que eu comprei.
Esse lugar é bem melhor
E eu tenho que admitir que está ficando melhor a todo momento
Desde que eu acendi aquele fósforo
Um homem louco passou por mim um dia e perguntou o que eu estava fazendo
Eu estava parado na frente da minha casa...
- Esperando pela festa do outro fim de semana... – eu respondi
- Não te cansa gastar teus dias esperando por outro dia? O que fará nesse dia?
- Não sei... o de sempre...
- Por quê não vai embora, então?
- Ir embora...?
- Sim, fazer alguma coisa?
- Eu tenho uma casa aqui. Eu não vou embora assim sem mais nem menos...
- Incendeie ela, já que ninguém mais fará isso por ti. Assim tu pode fazer alguma coisa agora pra sempre.
Naipe de Fogo
Oh, belo e deslocado naipe de fogo
Sendo jogado em cima da mesa
Por mãos que não te conhecem
Fazendo rir como coringa num jogo de pôquer
Salta das mãos, naipe de fogo
Salta das mãos destes bêbados.
Ouro, paus, espada e copas
Fazem-te perder-se no meio do ritual
Naipes pensam de ti ser um deles
Cada um sabe que não é um dos que a eles mesmos pertencem
E ninguém faz reuniões para ver qual terreno não te pertence
Julgam-se nobres! Permitem que circule por terrenos adjetivados de próprios
Mas naipe de fogo
Tua carta é teu próprio terreno!
Por isso salta, naipe de fogo
Salta das mãos destes bêbados
Se não se entende ser maldito
Que haja alívio ao consumir a si mesmo
Não no velho jogo das outras cartas
Mas em tua própria chama
Ao escolher, não um, mas todos os jogos que te são possíveis.
Queime o baralho, naipe de fogo, queime todas as cartas
Sendo jogado em cima da mesa
Por mãos que não te conhecem
Fazendo rir como coringa num jogo de pôquer
Salta das mãos, naipe de fogo
Salta das mãos destes bêbados.
Ouro, paus, espada e copas
Fazem-te perder-se no meio do ritual
Naipes pensam de ti ser um deles
Cada um sabe que não é um dos que a eles mesmos pertencem
E ninguém faz reuniões para ver qual terreno não te pertence
Julgam-se nobres! Permitem que circule por terrenos adjetivados de próprios
Mas naipe de fogo
Tua carta é teu próprio terreno!
Por isso salta, naipe de fogo
Salta das mãos destes bêbados
Se não se entende ser maldito
Que haja alívio ao consumir a si mesmo
Não no velho jogo das outras cartas
Mas em tua própria chama
Ao escolher, não um, mas todos os jogos que te são possíveis.
Queime o baralho, naipe de fogo, queime todas as cartas
domingo, 25 de Novembro de 2007
Chegada do recente passeio sem fim
E se quando eu estiver ao seu lado eu esquecer onde estou
E a minha voz desafinar sem eu perceber
Se eu não lembrar o que você disse há 5 segundos
Vai contar outra coisa quando eu perguntar o que foi?
E se eu então ouvir e apenas ficar em silêncio
Você pode me lembrar que eu não sei do que está falando?
Eu fiz uma viagem e retornei onde cresci
Mas eu pensei que tinha nascido quando eu estava fora
Todo meu passado virou imaginação?
Ou eu devo ignorar essa impressão até ela virar memória de novo?
E se você falar baixo comigo e dizer coisas boas
Vai entender que o peso que não me deixa sequer agir
É o que me impede de abraçar essas coisas quando eu mais preciso?
É você meu amigo? Mas o que aconteceu comigo?
Preciso de olhos que vejam por mim e fome que me deixe comer
Não, eu não o conheço, mas eu acreditava que éramos amigos
Me ajude e entenda, eu não me esqueci
É que isto está acontecendo comigo
E se minha mãe conversar comigo e eu não saber em que ano ela está
E não for ela o que eu vejo quando a estou olhando?
Se eu não acreditar que as pessoas são os cabelos que têm
O meu braço, antes, será visto como uma bandeira içada para todo o sempre
À sensibilidade exilada e patriota da minha mente.
E a minha voz desafinar sem eu perceber
Se eu não lembrar o que você disse há 5 segundos
Vai contar outra coisa quando eu perguntar o que foi?
E se eu então ouvir e apenas ficar em silêncio
Você pode me lembrar que eu não sei do que está falando?
Eu fiz uma viagem e retornei onde cresci
Mas eu pensei que tinha nascido quando eu estava fora
Todo meu passado virou imaginação?
Ou eu devo ignorar essa impressão até ela virar memória de novo?
E se você falar baixo comigo e dizer coisas boas
Vai entender que o peso que não me deixa sequer agir
É o que me impede de abraçar essas coisas quando eu mais preciso?
É você meu amigo? Mas o que aconteceu comigo?
Preciso de olhos que vejam por mim e fome que me deixe comer
Não, eu não o conheço, mas eu acreditava que éramos amigos
Me ajude e entenda, eu não me esqueci
É que isto está acontecendo comigo
E se minha mãe conversar comigo e eu não saber em que ano ela está
E não for ela o que eu vejo quando a estou olhando?
Se eu não acreditar que as pessoas são os cabelos que têm
O meu braço, antes, será visto como uma bandeira içada para todo o sempre
À sensibilidade exilada e patriota da minha mente.
terça-feira, 20 de Novembro de 2007
Alguns cães, tão obstinados em tocar o próprio rabo, às vezes, passam a locomover-se tão rapidamente que fazem nascer grandes e poderosos furacões que viajam através do Atlântico, destroem baías, arruínam casas, matam pessoas, visitam o continente.
* * *
O tempo mudou. O céu se iluminou como um quebra cabeças de recortes de jornal e fez da única e infindável página do diário, o livro todo.
* * *
De passo leve, com os ouvidos atentos e os olhos inquietos, percebo à minha volta. Ando sobre o espelho do mundo.
* * *
Abrem-se as cortinas do teatro em tua franja.
Eu quero saber a gravidade dos teus olhos.
Da atmosfera, sou astronauta
Se montanhas se formam em seu rosto,
É no vulcão entre elas que se abre
Que deve minha nave espacial pousar?
Ah, casa!
Me aconchego no conforto das tuas paredes
E sonho no reclinar da tua poltrona
* * *
O tempo mudou. O céu se iluminou como um quebra cabeças de recortes de jornal e fez da única e infindável página do diário, o livro todo.
* * *
De passo leve, com os ouvidos atentos e os olhos inquietos, percebo à minha volta. Ando sobre o espelho do mundo.
* * *
Abrem-se as cortinas do teatro em tua franja.
Eu quero saber a gravidade dos teus olhos.
Da atmosfera, sou astronauta
Se montanhas se formam em seu rosto,
É no vulcão entre elas que se abre
Que deve minha nave espacial pousar?
Ah, casa!
Me aconchego no conforto das tuas paredes
E sonho no reclinar da tua poltrona
da transmissão de pensamento
Há tempos me perguntava como que aquilo que chamo de “minha identidade”, simplesmente não permanecia no mesmo lugar quando eu dava um passo pra qualquer um dos lados. Assim, tudo relacionado a mim e minha leitura da realidade, abandonaria meu corpo e permaneceria numa esquina, se eu mesmo fosse ao bar fazer algo que eu não me lembraria na hora. Tal como um cartão de memória, mas sem conteúdo de dados ou números binários. A consciência, interpretação e lembrança humana é uma necessidade fisiológica mais importante que todas as outras. Assim, a identidade do sujeito deixa de ser algo relacionado e de caráter pessoal e torna-se uma reação química estável ao estado do conjunto de coisas das quais ela é abastecida e separada em relação a um espaço infinito exterior e exposto. A desorientação da realidade se dá pela morte ou confusão generalizada dessa reação química e nisso pode-se ver a importância da mesma pois a manutenção do seu estado comum ou o não cessar dessa reação (identidade) é indicativa aos outros sub-membros dessa unidade “corporal” reativos da condição de estabilidade. Uma vez desorientada a última reação de leitura exterior, as outras partes perdem a referência e unificação, agindo de forma estranha que poderia ser compreendida pelo sujeito com uma palavra que existe para melhor compreensão da coisa: despedaçamento.
O interessante parece ser que não sendo algo físico a inteligência, e aí eu me permito, então, referir-se a essa necessidade fisiológica ativa, de alma, me parece que ela não fica na esquina quando eu me afasto do local onde eu estava porque ela simplesmente não existe, de fato, e eu não a levo para lugar algum, isto é, o fato dela “estar” dentro do meu corpo (minha cabeça, que seja), é igualmente ilusório. Antes disso, vivemos num espaço no qual o seu estado nos provoca essa identidade em todos os lugares, contínua, ininterrupta e renovavelmente. Qual elo permite que ela não se desvincule nunca de uma linha de entendimento a partir da qual compreende as outras coisas? A condição.
O interessante parece ser que não sendo algo físico a inteligência, e aí eu me permito, então, referir-se a essa necessidade fisiológica ativa, de alma, me parece que ela não fica na esquina quando eu me afasto do local onde eu estava porque ela simplesmente não existe, de fato, e eu não a levo para lugar algum, isto é, o fato dela “estar” dentro do meu corpo (minha cabeça, que seja), é igualmente ilusório. Antes disso, vivemos num espaço no qual o seu estado nos provoca essa identidade em todos os lugares, contínua, ininterrupta e renovavelmente. Qual elo permite que ela não se desvincule nunca de uma linha de entendimento a partir da qual compreende as outras coisas? A condição.
a verdade na praça
Na praça se pode cometer todos os crimes possíveis. Embora a aparência atual delas faça-as parecer algo entre um parque e um jardim, é somente ali que o animal pode entrar e deixar o homem na calçada.
estrela da europa
Eu passeava pela rua
Procurava uma selvagem para convidar pra jantar
Uma mulher passou e eu a interceptei
Não sei por que, ela era a duquesa de Arles nesse dia
Então eu disse ok, amanhã eu pergunto de novo quem você é
E me tornei Bukowski, quisera que alguém tivesse me avisado.
Estava bom até o pudor me cercar, aí virei meu próprio avô
Seu Arquimedes, era então meu nome e dei-me conselhos
Onde estaria dona Gema agora?
Vi novamente a duquesa de Arles na rua
A chamei e ela me xingou de deputado!
Aí virei visita na casa do universo e passei a fazer cerimônia por toda parte
Procurava uma selvagem para convidar pra jantar
Uma mulher passou e eu a interceptei
Não sei por que, ela era a duquesa de Arles nesse dia
Então eu disse ok, amanhã eu pergunto de novo quem você é
E me tornei Bukowski, quisera que alguém tivesse me avisado.
Estava bom até o pudor me cercar, aí virei meu próprio avô
Seu Arquimedes, era então meu nome e dei-me conselhos
Onde estaria dona Gema agora?
Vi novamente a duquesa de Arles na rua
A chamei e ela me xingou de deputado!
Aí virei visita na casa do universo e passei a fazer cerimônia por toda parte
dama aperto de mão cavalheiro
Na minha casa tem descanso, cama, sofá, vento nas costas
A mesma parafernália que não funciona esperando conserto
Eu volto com as mesmas coisas que fui na mochila
Mas eu trago algo novo comigo, trago sim
Eu não deixei a janela aberta e assim ela estava
Chovia dentro de todo o quarto e que haja chuva!
Que não importa, o abraço quente das suas pernas
De mim se separou, mas marcou pelo resto da noite
O que eu chamo, ao sentir fraterna presença, de suave repouso.
A mesma parafernália que não funciona esperando conserto
Eu volto com as mesmas coisas que fui na mochila
Mas eu trago algo novo comigo, trago sim
Eu não deixei a janela aberta e assim ela estava
Chovia dentro de todo o quarto e que haja chuva!
Que não importa, o abraço quente das suas pernas
De mim se separou, mas marcou pelo resto da noite
O que eu chamo, ao sentir fraterna presença, de suave repouso.
O Guia Curiosidade
Tendo meu professor me ensinado que letras são cores, deixa-me então pintar o quadro, fazer a imagem, traduzir o impronunciável, compor com as notas da aquarela, doces e sutis vertigens reveladoras que quem sabe, lhe faz vislumbrar o fim que o caminho das palavras sem peso na tua mão, não te mostram sozinhas.
sexta-feira, 9 de Novembro de 2007
Quase eterna viagem de ferias
Olhe!
Eu estou usando uma gilete raspando os pelos do rosto!
Você pode fazer isso também!
Por que não faz agora então?
Venha, eu te ajudo a ficar sobre duas patas!
Lalalala
Vamos fazer a barba
Olhe o que nós podemos fazer!
Vocês não conseguem fazer igual...
sem trazer as malas e entrar no carro
Eu estou usando uma gilete raspando os pelos do rosto!
Você pode fazer isso também!
Por que não faz agora então?
Venha, eu te ajudo a ficar sobre duas patas!
Lalalala
Vamos fazer a barba
Olhe o que nós podemos fazer!
Vocês não conseguem fazer igual...
sem trazer as malas e entrar no carro
Athos, Porthos, Aramis
Deito para dormir na noite de verão.
Suo e me viro na cama. Na madrugada, meus pêlos crescem. Não preciso me cobrir.
Mosquitos e pernilongos têm ainda muito a aprender com piolhos.
Suo e me viro na cama. Na madrugada, meus pêlos crescem. Não preciso me cobrir.
Mosquitos e pernilongos têm ainda muito a aprender com piolhos.
Tela latina
Uma vez me ensinaram a pintar. Para compor meus cenários estabeleceram definições e limites. Na aula de desenho, a professora me ensinou uma fórmula com 23 figuras que eu descobri depois serem 26. Criei tudo que até então passava pela minha cabeça. Foi quando resolvi olhar pra fora e vi montanhas críveis como reflexos num espelho profundo. Nesse momento dei-me conta de três sinais que eu não vinha usando pra fazer a sombra, dar perspectiva e reconhecer relevo. Aprendi a fazer uso das 5 cores primárias e fui apresentado às consoantes. Tamanha foi a minha alegria, maiores ainda as minhas ilusões. Criar letras! Tudo começa num ponto final.
domingo, 4 de Novembro de 2007
Gato da Noite
Como um rato após a retirada do gato, o camundongo negro observa o queijo virar leite diante dos seus olhos e tal como homem que observa o próprio reflexo no espelho, o camundongo simplesmente reconhece que não é capaz de fazer queijo do leite. Ele tenta lembrar sua mãe. O sol é o gato da noite.
sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
Mr. Everywhere
Espaço onde só há espaço é sujeito, onde não há mundo, não há leito!
Não há via láctea, não há jeito, sistema solar leva marinheiro.
Aonde no universo a superfície fica? Ou o abismo...
Vamos um pouco mais pra cima, mais pra cima...
Um pouco mais pra lua, um pouco mais pra marte
Pra mais perto do sol, mais longe da terra
E mais longe do sol também então
Há plutão, capitão!
Acione o radar, então cabeção.
Degustarei minha chaura iluminada enquanto não se afasta a inteligência...da própria existência muuaaahauhaha
La lalala lala la lalala
Radar acionado, senhor
Netuno!?
Sim, meu capitão, ainda não tenho registro numérico do radar.
O inimigo pode estar numa temperatura baixa demais que nosso radar não identifica.
Plutão, reduza a temperatura do radar.
Sim, meu capitão.
Capitão, Urano, enviou esta mensagem.
O que diz aqui...? Urano já tem alcanço de fogo mas só teremos precisão em Saturno.
Vá ver a situação de Netuno e me retorne.
Sim, capitão!
Escudos Júpiter acionados?
Sim capitão, estamos protegidos e a reserva de água Marte também.
Ok, chame Terra no rádio
Capitão? Notícias de Netuno
La lalala lala la lalala
Terra preparada pra delinear a rota do projétil?
Vênus confirma, capitão
Ok, Mercúrio, anote as cordenadas da Terra e mande pra Vênus.
Eu vou ficar observando o que acontece na sala de controle.
La lalala lala la lalala
Capitão, interceptamos uma mensagem vindo de outro lugar.
E o que diz essa mensagem?
Ele está rindo... capitão
Rindo!?
Sim, capitão!
Deixe-me ver isso...
"Hahahha um submarino amarelo no fundo do mar! hahaha"
Somos nós...?
Não há via láctea, não há jeito, sistema solar leva marinheiro.
Aonde no universo a superfície fica? Ou o abismo...
Vamos um pouco mais pra cima, mais pra cima...
Um pouco mais pra lua, um pouco mais pra marte
Pra mais perto do sol, mais longe da terra
E mais longe do sol também então
Há plutão, capitão!
Acione o radar, então cabeção.
Degustarei minha chaura iluminada enquanto não se afasta a inteligência...da própria existência muuaaahauhaha
La lalala lala la lalala
Radar acionado, senhor
Netuno!?
Sim, meu capitão, ainda não tenho registro numérico do radar.
O inimigo pode estar numa temperatura baixa demais que nosso radar não identifica.
Plutão, reduza a temperatura do radar.
Sim, meu capitão.
Capitão, Urano, enviou esta mensagem.
O que diz aqui...? Urano já tem alcanço de fogo mas só teremos precisão em Saturno.
Vá ver a situação de Netuno e me retorne.
Sim, capitão!
Escudos Júpiter acionados?
Sim capitão, estamos protegidos e a reserva de água Marte também.
Ok, chame Terra no rádio
Capitão? Notícias de Netuno
La lalala lala la lalala
Terra preparada pra delinear a rota do projétil?
Vênus confirma, capitão
Ok, Mercúrio, anote as cordenadas da Terra e mande pra Vênus.
Eu vou ficar observando o que acontece na sala de controle.
La lalala lala la lalala
Capitão, interceptamos uma mensagem vindo de outro lugar.
E o que diz essa mensagem?
Ele está rindo... capitão
Rindo!?
Sim, capitão!
Deixe-me ver isso...
"Hahahha um submarino amarelo no fundo do mar! hahaha"
Somos nós...?
quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
Lady Sometimes, a dama do tempo
Em algum lugar na consciência, eu não existo.
Aqui sentado, escrevendo isso existo sim, sei sim.
Mas nunca não me engano.
Quando deixo o corpo no descanso do molho de chaves
Eu sei que de fato nada existe em mim
E esse nada, mais que tudo, deixa estado sem fim
Por toda presente do que existe em si – e eu não estou falando com ninguém
Como poderia? São as palavras e a virgem Maria
As paredes ou mesmo a porta que “mantém a minha segurança”
São mais perigosas que qualquer intruso
Elas vem depois do espaço entre eu e a porta. Espaço, espacial.
Mas tal como água e óleo jogados num copo d’água
Eu já não sei o que é um e o que é outro
Nem quero pensar nisso! Vai que a irracionalidade deste momento encontre neste observador motivos que comprovem na sua mente que sujeito ele não é para estar observando, sem conseguir explicar isto ou então, ficar sem enxergar, que é o que deveria acontecer nesse caso, a inexistência! Estou observando? Estou? Óleo, água e o que mais? Eu! Eu! Eu! No copo d’agua! Sem copo! Onde está o copo? onda está a água? E diluo não... como um doce de criança, como vaca preta, o sorvete e o refrigerante já foram tão mexidos pela colher impiedosa que não sei mais... eu? Existe?
Não saio de mim, nisso havia me enganado. Nunca estive. Nem quando tudo estava bem. Isso não tem a ver com mudança, mas com compreensão. E é tão insuportável compreender o incontestável. Eu não nasci, mas já morri e esta é a verdade de verdade mesmo. Consegui acho.... não encontrei ainda mais sobre mas acho que consegui um pouco. Tento não estragar agora pois preciso que eu – quando estiver lendo interessado em refrescar memórias e procurando companhia – reconheça neste texto minhas próprias palavras e voz a muitos sem sentido, como algo que, de certa forma, eu escrevi, na verdade, sem nunca ter escrito. Aparentemente sem sentido, de difícil compreensão, acho positivo, embora não tenha sido o propósito. Não é poesia, tampouco metáforas. A quem se refere o texto saberá o leitor e, no caso de não saber, continuará se referindo até a mim mesmo.
Aqui sentado, escrevendo isso existo sim, sei sim.
Mas nunca não me engano.
Quando deixo o corpo no descanso do molho de chaves
Eu sei que de fato nada existe em mim
E esse nada, mais que tudo, deixa estado sem fim
Por toda presente do que existe em si – e eu não estou falando com ninguém
Como poderia? São as palavras e a virgem Maria
As paredes ou mesmo a porta que “mantém a minha segurança”
São mais perigosas que qualquer intruso
Elas vem depois do espaço entre eu e a porta. Espaço, espacial.
Mas tal como água e óleo jogados num copo d’água
Eu já não sei o que é um e o que é outro
Nem quero pensar nisso! Vai que a irracionalidade deste momento encontre neste observador motivos que comprovem na sua mente que sujeito ele não é para estar observando, sem conseguir explicar isto ou então, ficar sem enxergar, que é o que deveria acontecer nesse caso, a inexistência! Estou observando? Estou? Óleo, água e o que mais? Eu! Eu! Eu! No copo d’agua! Sem copo! Onde está o copo? onda está a água? E diluo não... como um doce de criança, como vaca preta, o sorvete e o refrigerante já foram tão mexidos pela colher impiedosa que não sei mais... eu? Existe?
Não saio de mim, nisso havia me enganado. Nunca estive. Nem quando tudo estava bem. Isso não tem a ver com mudança, mas com compreensão. E é tão insuportável compreender o incontestável. Eu não nasci, mas já morri e esta é a verdade de verdade mesmo. Consegui acho.... não encontrei ainda mais sobre mas acho que consegui um pouco. Tento não estragar agora pois preciso que eu – quando estiver lendo interessado em refrescar memórias e procurando companhia – reconheça neste texto minhas próprias palavras e voz a muitos sem sentido, como algo que, de certa forma, eu escrevi, na verdade, sem nunca ter escrito. Aparentemente sem sentido, de difícil compreensão, acho positivo, embora não tenha sido o propósito. Não é poesia, tampouco metáforas. A quem se refere o texto saberá o leitor e, no caso de não saber, continuará se referindo até a mim mesmo.
Rio Timaguita
Da minha janela ao vale eu vejo um rio, atrás uns 300 metros da tenda do lenhador. Esse rio é meu amigo, ele sempre esteve lá para ouvir meu suor nos abafados dias de verão e fazer meu espírito com um choque, sorrir, perto do insuportável pela rubra pele chegar.
Ah, mas construíram uma cidade em volta e eu estou separado dele pensando como chegar lá caminhando pelas calçadas e em qual rua dobrar. Não posso. O rio continua o mesmo, mas eu me tornei tão civilizado....
Um terço do dia representa o tempo que estou acordado.
Ah, mas construíram uma cidade em volta e eu estou separado dele pensando como chegar lá caminhando pelas calçadas e em qual rua dobrar. Não posso. O rio continua o mesmo, mas eu me tornei tão civilizado....
Um terço do dia representa o tempo que estou acordado.
segunda-feira, 22 de Outubro de 2007
MeretRissimo
Agradeço ao chão, testemunha da mentira, presente aqui no tribunal da existência, pois se não é nele que bate a luz do sol, viveríamos sem essa grande ilusão – você sabe que ela preenche toda extensão da sua imaginação? – que está a nossa volta, sobre e abaixo, na qual é possível construir e não se desesperar. Eu, como advogado da verdade, devo levar em consideração o bem estar dos jurados e em nome da espécie que eles representam, dizer: não vos enganais! A claridade que lhes permite ver, vem do solo que reflete e não do sol que ilumina! Releiam o mundo! Os pássaros devem fazer isso também. Pelo menos os que não conseguem sair da atmosfera.
O Juiz está dispensado!
O Juiz está dispensado!