Por que eu deveria me sentir estranho por não abraçá-la?
Eu recebo os sinais vindo até mim
Não deveria agir como se houvesse uma distância entre mim e o aparelho
Entre eu e a pessoa
Quase me sinto um empregado a pensar que deveria atender
Deveria funcionar como uma loja
Incapaz de dizer que estamos fechados por um dia, um mês, um ano
Que as coisas, a forma como elas funcionam, não podem ser previstas
Nem serão, eu garanto
Que eu nunca dei garantias quando aceitava o que me ofereciam
Eu jamais formalizei qualquer pacto
Nem mantive distância
Estou onde deveria
Sem estar de prontidão ou prestes a alugar minha mente como uma vaga no estacionamento
Ocupo-me com o que é próprio
Não substituí ninguém
Muito pelo contrário, nesse sentido sinto falta do material
Coisas ordinárias, posições de prestígio
Uma titulação a me preceder
No entanto, me sinto a dever explicações
E pior – numa futura situação de encontro, uma coincidência
Prevejo a necessidade de preencher ou corresponder com uma impressão de outrem
Ilustrando certo constrangimento, embaraço
Com o dever de reunir certa dose de irreverência
Para que não pensem que fazemos pouco, jamais
E que estamos onde devíamos desde sempre -
embora isso não seja verdade
Sempre prontos a fisgar o anzol
Como se vivêssemos num açude
E eu sinto que devia me sentir mal -
embora não me sinta assim
Mesmo que eu ainda tenha que situar as pessoas
Mais ou menos próximo de onde elas esperam que eu esteja
Sob a pena terrível – capaz de impor sanções
De ser qualificado pejorativamente por inúmeros adjetivos
Cuja acertividade da escolha
É inquestionavelmente compartilhada
E, grosseiramente – evidente
Demandando castigos adicionais
Medidas de disciplina supostamente ainda não tomadas -
a conclusão comum é vista como reflexão, não ação
De forma a reagir e fazer justiça
A quem está em crédito ou débito
Buscando algum equilíbrio compreensivo entre as partes desencontradas
Quando isso deverá – na maioria das vezes – ser tão pouco razoável
Causando dor na carne de certo alguém
Cuja flexão imposta – merecidamente, pasmem!
Despertará um sentimento de compaixão
Sedimentando, assim, um terreno apropriado para que todos possam se redimir
Debochadamente
A mentira me inspira!
sábado, 18 de dezembro de 2010
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