Isso é uma coisa que me tranqüiliza, achar natural, e também me condena, embora não possa cumprir pena sem agredir minha personificação.
* * *
13-04-2007
Bem, eu caí dentro do buraco
“Que tal a vista daí?”
Fausto conhece o bilheteiro – disse a tatuíra
E na calçada, desviando do bueiro, pessoas continuaram caminhando.
Me sinto mal por fazer alguém ter de entrar nesse buraco para me tirar.
Espero que a corda não arrebente. Temo pelo contagio da minha doença. Temo por mim mesmo. Num sentido ou no outro. Talvez eu devesse apenas abrir a torneira...
E por isso, procuro lembrar a mim mesmo que aqui no nordeste, suamos, mas não sentimos sede.
O que eu estou fazendo aqui?
Crer em Deus é desejável quando penso no infinito universo.
Mas o que fazer quando se mata o salva-vidas, sem saber nadar?
Bóias são vendidas em nobres lojas,
Ou fabricadas em finos lençóis,
Talvez agora eu tenha percebido que a única vontade que me leva é o sopro do ar
Tenho medo do fim
Por não saber em que parte do espaço me situo
Espero um dia sair desse cercado
E cair sincero num delicado abraço seguro
Antes de cair do pé de maçãs.
* * *
Após ter mirado e atirado, o simples caçador lamenta-se por ter abatido o animal certo. Mas agora o animal está morto e a sua mira, enferrujada.
* * *
13-04-2007
“Bobinho!” – eis o que sou diante da vida. Ao mesmo tempo, temo pela minha maldade e mais ainda pela minha bondade que me machuca.
* * *
Olho para dentro de mim e vejo poesia.
Mas não gosto dos seus versos.
Esse livro eu já li mais de mil vezes
E ainda culpo a bibliotecária por tê-lo me emprestado.
* * *
“Poesia à dois” – são versos que me iludem
mas sentado diante da folha com a caneta
te deixo que comece apenas quando eu terminar –
eu que já não sei mais dançar.
* * *
Doce riacho que reflete o frontal lado
Salve-me e me una a teu espelho
Que a rosa vermelha que eu vejo em teus cabelos
Finalmente, das minhas orelhas eu tenha coragem de deixar cair.
E boiar.
* * *
Ei valentão! Você aí mesmo com bala na agulha. Comprando ração para seus objetos preferidos e confortável quanto à sua superioridade por não ter de pedir aos bois para que te alcancem o presunto, no mercado.
* * *
Quando criança, lembro que, às vezes, estabelecia uma condição para tomar banho: que antes a empregada sentasse no meu colo. Eu disse que era criança, não santo.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
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