domingo, 14 de setembro de 2008

Aquecimento

Esse céu estrelado eu conheço
É feito de cacau e chamam de diamante negro
Um firmamento desse gosto anima
E faz brincar qualquer criança
Nas horas de tédio eu sento e choro
Mamãe me deixe comprar mais um
Eu comi aquele mas eu dei um pedaço pro Arnaldo
Ele não comeu, mas eu juro que não queria jogar fora
Ele lambeu o último pedaço que havia
E eu continuo com vontade




Já fabricamos nosso céu: nossa piscina

Diamante Negro, maior que qualquer galáxia
As leva nos bolsos
Daqui do chão de onde meus pés estão fixados
Plantados, enterrados de tal maneira que preciso
Esforçar-me para flutuar
Eles me dão a impressão de estar dentro das quatro linhas
É um céu de chocolate, nossos fabricantes estariam orgulhosos
Mas meus pés sempre estão dentro do campo de futebol.
Nunca fora da linha. Sempre dentro dela, ou em cima da mesma.
Em cima da linha é um passivo ponto de observação.
Me é permitido abstrair até a sola do meu pé
Mas não devo, ou melhor, deve haver alguma outra maneira
De pensar os pés e acima deles. Mas na mesma altura e acima
É fora da linha, é fora do campo.
O futebol se me apresenta como uma tradução de algo que não
podíamos ler.
E eu sei que devo me importar com o lugar onde estou
Mas eu não falo nem vejo pelos pés
Daqui não há limites, daqui vejo todos os meus músculos
Sinto, em silêncio, toda força que não uso
E vou ter que virar as costas para o fazê-lo
E agir como se todo esse céu de cacau estivesse dentro da minha cabeça
Assim ocupo meu lugar, assim sei quem sou
Dessa forma, o mundo suja meus sapatos mas ele nunca me viu descalço
Sou qualquer coisa de univérsico.

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