sábado, 13 de setembro de 2008
Portal
Eu nunca fui começado. É difícil pensar-me assim ao concluir isso. Isso é completamente fora daquilo que entendo que sou. É negar-me a mim mesmo completamente. Tenho medo da minha imaginação. Não raro ela me ultrapassa e não sobra nada de mim pois essa imaginação desarma meu detector de mentiras. Por vezes sinto-me empurrado nessa direção, enquanto estou imaginando, sinto uma curiosidade tão imensa que me deixo absorver totalmente por meus pensamentos. Pensamentos não preferíveis, não selecionados, tentam apenas ver o que é possível de um navio invadido por todos os lados por centenas de piratas. A cadeira ainda não pisada pelo pirata que escorrega por um poste de luz, antes de chegar até a mim como uma nota que ressoa em meu ouvido, parece um espaço não ocupado, um espaço onde penso poder ser livre. Quem me dera saber o que se faz com essa liberdade. Quando percebo a falta de qualquer tipo de sentido num pequeno espaço, o vejo como sagrado e não ouso criar qualquer coisa naquele lugar. Ao mesmo tempo que o percebo e não lhe dou sentido, me sinto tentado a sentar no seu lugar, estar no espaço dentro da área que ele delimita. Ao mesmo tempo, essa cadeira, algumas vezes assusta, parece uma cama. Pode parecer um leito. Aí, percebo o quanto estou absorvido na realidade de permitir-me essa imaginação. Imaginação que tem vida por si só e pode me conduzir. Não há nada de bom nisso. O receio que sinto é o mesmo de um cego sendo guiado por uma voz ou nem isso, então. O risco de dar um passo em falso ou ser atropelado é verdadeiro. Não sendo apenas essa questão nesse descoberto desconhecido absoluto no qual percebo-me sem ter início, temo pela minha ampulheta e retorno. A vida é sim nesse retorno, a partir dele. O qual após retornado, me faz sentir-me desconexo do momento anterior. É tão internalizada essa habilidade para poder perceber fora de mim um universo sem sentido que, quando “retorno” ao deixar de fazer isso, percebo que passei um tempo sem ter o tempo contado. Antes do interstício, estou numa posição, e sem meditar, continuando meu banho, como foi como aconteceu nessa última vez, internalizo por meio da abstração e minha imaginação, que eu descreveria mais como uma suprema visão solitária que se auto-abastece, até permitir que eu retorne novamente, me deixa numa posição diferente da anterior que eu estava quando embarquei nessa “viagem”. Nesse momento, tenho a assimilação e a sensação de um tempo que ficou para trás sem que eu percebesse. De um pensamento que se findou em si lá atrás e não teve continuidade até o nascimento de outro e eu reconhecer a necessidade de manter-me nesse nascido pensamento que me leva a continuar meu banho, já razoavelmente tranqüilo, apanhar a toalha e depois sair dele para não mais ficar entregue dessa maneira. Se eu não conseguisse me incluir para me ver como parte das minhas abstrações, me lamentaria por isso. Agora que posso, desejo não ter conseguido. Ao mesmo tempo, não tenho certeza se há uma maneira de viver com isso que é o que todos fazem. Não sei também mas disso tenho quase certeza, se que é algo que ainda vai passar, tão logo eu trate isso. Ou se eu realmente estou louco. (não sou. Estou.)
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