O tempo nos deixa conversando sozinhos
na solidão sob uma pesada pedra
mas ainda há vida
ainda é vida
assim que essas notas e o vento toquem outro rosto
nenhuma perda senão uma própria
o mundo ainda é completo
nada se perdeu
de tudo se abriu mão
tudo que nunca se teve
eu talvez não tivesse entendido
mas agora que tudo seguiu
não consigo sentir qualquer remorso
eu não deveria resistir
as folhas seguem seu caminho rolando pelo chão
o outono as destrói, despedaça, deixa-as livres
a primavera as prende, dando-lhes beleza, são novas
estações tornam grisalha minha barba
minha natureza
rezo do meu ateísmo por estes anos
por esse revestimento
cujo vazo não é regado por ninguém
cujo ano em que passam as estações, é único, finda só
Dá-me anos! tira minha juventude!
canta meu coração
diz o tempo que não encurta celebração,
nem encurta ruína
termina
como desejo e anseio
por ser velho
é o luxo de não ter mais brinquedo algum a ser retirado
a esperança de que todas as dores tenham sido suficientes
quando ainda pode e dói tanto estar aqui
e que ainda custe tanto esforço
fazer com que tudo seja tão leve
leve como uma concha
como uma rosa
uma sinfonia
terça-feira, 7 de setembro de 2010
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