sábado, 24 de julho de 2010

(4)

Eu acho que também já quis cair fora
Acho que já teve certos sonhos
Quando “esperar” era-lhe tão somente viver
Onde você já estava
Você fez a sua escolha muito bem
E eu posso ver o quanto isso deu certo
Eu já fiz a minha
Por que deveria perseverar onde envelheço
Se posso ser sustentado como aqui em outro lugar?
Como se permanecer não fosse condição de patrocinadores
É adulto ser sustentado em um lugar e em outro, não?
Justifica tudo a crença de estar fazendo a coisa certa?
Dá segurança que minha única alternativa sejam dois idiotas?
Tenho escolha para perguntar o que é pior?
Melhor, tenho algum opção que não seja inglória?
Antes, conheço alguma mulher sem vocação para a maternidade?
Quantas mães, quantos lares!
Viver é indigno, vivo enjoado
Não inventaram o dinheiro
O Rei não nasceu para dar rosto a moeda
O que me tornei, não existe
É possível apenas fazer parecido
Ser é estar a serviço do aço como pedra que afia
Navio que frustra quando navega
E onde se deposita alguma esperança
Só se herda a miséria
De não possuir um manual de instrução
Ou ser usado de forma imprópria
Houvesse pólvora, houvesse canhão
Se não se pode construir um mundo
Destruí-lo, ao menos desumaniza
Viva a guerra! Glória aos tanques!
Às armas e às baionetas!

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