sábado, 24 de julho de 2010

Olhos que são vistos, olhos que te vêem. Você, que não é invisível.

A quem gosta de voar
E obter respostas sem perguntar
Tentando fazer falar
Aprende comigo a interrogar
A quem silencia e esta é sua móvel
Nuvem de fumaça onde se esconde
Esperando que conte ou revele
Mostrando o interruptor –
A quem até, às vezes, enxerga no escuro –
Quando as luzes estão acesas
E espera ouvir dizer
Sem perguntar
O que quer que eu possa pensar
E não há nada a dizer
Quando você entende mas não pergunta
Como um aluno retraído
Com um caderno em branco sobre a mesa
E uma pasta cheia de textos na mochila
Eu tenho aprendido tanta coisa
Mas é tão irritante quando já é difícil
Ao outro fingir que não te acham previsível
Sempre alertas na pertinência dos seus dejà vú’s
Quando se esforçam por parecer interessados
Por o que não tive a intenção de dizer
E eu preciso discordar, então, inseguro e surpreso
Do que não disse ou pensei –
Como se eu precisasse de algo mais
Para ocupar a minha cabeça.
“Mas é justamente aí minha abordagem” –
“Disse, pensei?”
“O que quer que possa querer, mesmo que não consinta,
contanto que não me devolva, se me permite prosseguir (...)” –
Não me revolto contra a estupidez, nem aponto deslize –
“Ó, quanta fidalguia de um proletário!” –
Parecendo me armar até os dentes –
“Você está enganado. E está armado.” –
Me calo – e essa, agora, é sua única certeza
Pois mesmo com toda esperança
Estive desde o início pensando sozinho
E não tendo nada a dizer
Logo depois de tê-lo mal conseguido
Fico invisível por acidente
Diante de quem se dedica tão arduamente
Por fazer o mesmo no exercício de um cargo
Para ouvir dizer
Ou permitir pensar alto
Quem está por trás das próprias palavras
Quando você apenas precisa de um pouco de ajuda
Para achar o caminho de casa
E olha por todo o lado e só o caminho, vê
Só o caminho, só
E o seu gosto ou opinião não são suficientes
Para você fazer o que bem entende
Se as suas doenças não são rigorosas o bastante
Enquanto você pode se medicar
E isso tudo acontece quando você conserva a língua
Do próprio senso crítico ou discernimento
Mas se queima comendo algo e ouve o próprio grito
Ao invés de ficar vermelho, sentado na mesa
Quando o crítico dá de ombros: “merda!”
Você não se desculpa e segue em frente
Pois não escapa de si, mas de outros
Ah, estou ficando invisível, sou incorrigível,
“Lá, vou eu! Lá, vou eu!”
Você ouve da minha voz, aqui
E é tudo tão bonito mas ninguém –
Mesmo fora daqui – têm o suficiente
Pois são muitos pôres-do-sol para contemplar
É impossível não ser feliz sozinho
Ou a felicidade é impossível.

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