
Anda... anda na ponta das tuas raízes sobre o chão desse sertão. Faz elas aguentarem teu peso, suporta a dor como uma bailarina sustentando o corpo na ponta dos dedos, achatando as sapatilhas. Não teme o tempo carregado que com cinza e negro ameaça, tampouco a chuva que surra esse solo. Melhor: corre! É inevitável, a chuva que amedronta vai fazer barro desse chão rachado e partido, no qual tuas raízes, pouco a pouco, passos menores passarão a dar, até não mais se locomoverem. Até que elas patinem na terra, deslizem dentro dela, fincando-se mais fundo, procurando o centro desse mundo, esperando então por um dia de sol para secar-lhe a terra que te cerca para permitir que os seus braços voltem a crescer em novo solo úmido e fértil. Poderia uma árvore achar estranho o incomum nascimento de frutos em seus galhos, pela simples mudança de solo? Ninguém nos ensina a ousar. Ninguém desenha a felicidade. Árvore, pedra, gente. Papel e papel.

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