E ninguém mais vai me pedir para ser auxiliar do mestre de cerimônias e nem para vestir-me de preto às 14 horas de sábado. Ninguém mais vai me falar das sete virtudes e ninguém mais vai vendar meus olhos por três horas e nem me guiar pelo som da voz enquanto atravesso cortinas de fumaça com odor.
E ninguém vai aparecer vestido como membro da Ku Klux Klan usando vermelho dizendo que se eu quisesse, a hora de desistir era a aquela.
Nem roupas de carnaval com brasão bordado pendurada nas paredes de uma sala esperando por meninos pra brincar de cavaleiro
E ninguém vai me fazer andar com os olhos vendados dentro de um perímetro, sendo seguido por outros cegos, logo atrás de um sujeito que vestido parecia um vendedor de bíblias, carregando nas mãos uma almofada com uma coroa em cima.
Nem a palavra "tio" para me referir à pessoas cuja pronúncia do nome não seria nenhum desrespeito, para me distanciar
E nem terei de, ajoelhado, com a mão sobre um livro, fazer juramento de segredo sobre qualquer profecia.
Não precisarei venerar, nem ouvir história de cavaleiros.
E ninguém vai precisar de apertos secretos de mão com o polegar para me reconhecer ou ser reconhecido
nem usar palavras distintas - mas pelo grupo conhecidas - para que eles saibam diante de quem eles estão
Não precisarei mais orgulhar meu pai, nem defender a idéia de uma pátria. Não precisarei fingir pureza, por deixar de prestar meu companheirismo, fidelidade e cortesia somente àqueles que a lei protege. Não farei referência às coisas sagradas oriundas do medo. Não aprenderei a deixar meu braço em "L" ao apertar a mão, tampouco estenderei o outro sobre o ombro de um amigo para ele ver que já estivemos na mesma escola. Não pedirei socorro em público, cruzando os braços, rezando por uma coincidência.
Não comparecerei à cerimônia pública com ar de quem deixou de fazer algo que fez anteriormente só para deixar as pessoas curiosas - como se elas tivessem interesse.
Não explanarei sobre virtudes como se esse fosse meu tema de casa, nem vou decorar juramentos para que seja colada uma nova honraria na minha aura. Não venerarei qualquer número, não me perguntarei o significado das letras, não andarei sobre piso xadrez, não prestarei atenção à cordas nas alturas, nem pilares, cadeiras, velas, candelabros, autos, escadas, cortina, preceptor, diácono, norte, sul, leste, oeste. Ou martelos de madeira, homenagens, honras, música, nem coisa alguma.
Só se deixa de levar um segredo a sério de todo depois que o revelamos.
domingo, 21 de setembro de 2008
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