Vejo ao lado da inocência, na ponte da imaginação, a maturidade que me olha e sorri do outro lado. Quanto ficou de ti aí? Depois de enviar-me tantos presentes? Não peso. Ao fazer isso me escapa por momento tua gentileza. Sai de mim a inocência servil. Encontra-se parte dela, do outro lado, e mais longe ainda. Torna poeira e cinzas de defunto. Nenhuma ponte a ser atravessada! Apenas uma ponte vista e nenhuma a ser atravessada. Que maravilha já estar aqui nesse lado! E tampouco a maturidade que brota, me toma e fala por mim, como agora, como a tinta da caneta dirigida pelo jogo do copo. Não necessitar da ponte... isso é novo. Está fresquinho. Aparentemente, pontes são inúteis quando não há vão que as justifique construção.
Gosto deste lado e desejo-o mais ainda. Sinto saudade quando algo me escapa. Para mim, é claro, compreensível, mas quem me ouve dizer ou me lê, como fazer-me claro dizendo que o fato de permanecer no mesmo lado trouxe à realidade todo o benefício que eu imaginei, sonhei e persegui desesperadamente, angustiado com a travessia? A ponte é um sintoma doentil. Como tal, devemos manifestá-lo, não como iniciativa autônoma em relação a algo em particular, mas como um pedido de socorro extremamente discreto, ingênuo. Vai saber... a esperança diz que sempre haverá um médico por perto.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
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