Não carrego nada senão os raios que me batem no rosto
Ponho no rosto os óculos
Os venderia se não tivesse de repassar o dinheiro a terceiros
Vomitaria o almoço por um pouco de conforto
Sobre mim uma resistência apenas
Diante de um ar seco e abafado
Ando na rua sem nem um telhado que me pertença
Tudo me é emprestado, nem roupa própria possuo
Essas, aliás, não as devolvo
Arriscasse eu a enfrentar a vergonha de andar nu pelas cidades
Detido seria por atentado violento ao pudor
Só então iria para o lugar certo
Um vagabundo profissional tirando curso superior
Uma dona de casa capacitada a análise fílmica, assistindo novela
Um eqüino batizado e de sobrenome reconhecido
Uma aposta de dois infelizes entediados na praça pública
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
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