Descobri, ou reconheço, pela primeira vez.
Sou barato. Tenho valor, mas insisto, por instinto, sem aumento de receitas, em fazer liquidação.
Eu prometo que pedirei divórcio do meu coração.
Devo começar a distrair esse colecionador, para circular livremente, ver e sorrir.
Não posso crer no coração que guarda, por hábito, o que não precisa de espaço, mas alegria.
Encolhe-te, pequeno coração, e encontra o teu lugar, apertado no meio do meu peito.
Tu guardas e retém o mundo, mas a minha ternura te escapa, devagar, como uma música que se desenlaça e pacifica, onde vê, ouve, sente e reside, o meu ser.
A partir de hoje, tu somente baterás, recolhido, e eu, entenderei.
Assim, te darei tudo que guarda, sem possuir.
Pobre e incapaz, coração, que tanto precisa de mim, como criança que pede, insiste e incomoda, obsessiva e implicantemente, vinte e quatro horas por dia, em minhas tardes, minhas noites, quando durmo, e minhas manhãs.
Chega a hora de acalmá-lo, coração, e retirar-lhe todas as tarefas que assumistes consigo.
É chegada a hora dos homens falarem com os próprios corações.
Meu coração é querido, pela primeira vez.
Finalmente, tendo me tornado independente, se acaricia, me mostrando onde está.
E dá adeus, me liberta e se liberta, de mim.
Homem tornou-se, o menino, para não mais pedir licença ao coração.
Meu coração me deixa. E eu deixo o meu coração.
segunda-feira, 22 de março de 2010
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