terça-feira, 27 de abril de 2010

Minha carta de Kafka

Eu não gostaria de estar em sua pele
Você andou por todos os lugares
Experimentou todas as bebidas
Era o maioral quando todos estavam por baixo
Você viajou bastante e conheceu lugares
Até me arrisco a dizer, seduziu belas moças
Mas nem sua mãe acredita em você

Você procurou saber o que era bom
Não desperdiçou nenhuma oportunidade
Você se manteve sempre por cima
Mesmo quando eram outros que tinham que ir para baixo em seu lugar
Você ousou aproveitar-se de tudo
E no fim das contas, desrespeitou as regras do jogo

Quando embasado em diversas leis
Nunca era o bastante o que você podia fazer
E você sabia levar cada uma delas ao limite
E então você perdeu o seu filho e nem viu
Como pior aluno da classe, você pouco ou nada, aprendeu,
Você se vestia com as melhores roupas
E todos gostavam da sua aparência

Com belos carros você sonhava,
E sabemos como você fazia o necessário para conseguí-los
Com grandes negócios, você se via envolvido
E um quarto de 3mX4m é a sua realidade
Nem um ajudante, você tem
Você queria saber falar inglês, mas nunca frequentou uma aula
Os outros sempre foram os culpados por não realizarem os seus sonhos
E isso sempre lhe foi insuportável

Agora, você pode entender como é ser um tirano
Sem filho, mãe ou mulher, você não tem mais ninguém,
Seu irmão foi embora e lhe telefona uma vez a cada dois meses
Amigos, só lhe restam os de muita paciência sem dinheiro para cerveja
Decadentes figuras de bares de rodoviária

Você desceu a lomba e ainda não verificou os freios
Hoje, você não tem atrás de quem se esconder
Como um desgraçado andando pelas ruas
Se a luz do sol lhe dizer que você não vale nada
E entre suas coleções, você não encontrar o que precisa
A rua sempre será um espaço livre para mendigar e esperar
Dependendo da boa vontade dos transeuntes
Quando você precisa de algo tão desesperadamente.

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