sábado, 25 de julho de 2009

(...)

Não sinto falta da minha doença
Mas é preciso reconhecer isso para escrever alguma coisa
Antes seja isso do que possa haver alguma dúvida
Não são mais os sintomas que me fazem empunhar a caneta
Nem há qualquer prazer em ser lido
Fazia-o por questão de sobrevivência
Não se coloca a alma para fora quando se escreve
A alma é a própria tinta colorida no papel, não o que se entende dela
Já a folha é o mundo
Seu tom, textura e peso pouco importam contanto que se possa fixar tinta nela
No caso do mundo, a mim, é estar nele ou no universo
Mas o corpo, isto é, a pele, como a cor da tinta, não é
No papel, a cor do papel é como a cor da tinta
Não importa. Retorna, forma sua subjetividade
E leva essa poesia ao mundo, ao papel
É o mundo e a subjetividade sem o homem
O papel e a tinta sem o escritor
E escrevo para me livrar disso.

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