quinta-feira, 28 de agosto de 2008

18-10-2006 – quarta 09:18
É na leveza das minhas pernas
A terra encantada
O paraíso de Rizzo
A noite pintada

Arco íris da lua
Árvore de prédio
O macaco escorou a banana em seu descanso
E agora dança sem tédio

Sem tédio e louco
Com luzes piscantes
Azul e laranja
São rostos de diamante

Um copo é pequeno
Pequena pode ser a casa de Alice
Quase tarde saí do copo!
Antes que o Sargento Garcia visse

Entre meus olhos e as coisas, a pele
Lisa, escamosa e fria
Sua forma em todos os lugares
Produto daquela que cria

Sente minha pele, amor?
Sente, sente, sente, sente, sente!
Agora que os palhaços e os trapezistas da noite foram embora, apresente um pouco de compostura e me faça o condenador chamar e meu dedo em riste, argüir.

* * *

14-04-2007
E a gente vai levando
Seguindo e cantando
A nossa tragédia
Eu e Dom Quixote

* * *

O maior e inevitável pesadelo do voyeurista é o exibicionista
Incapaz de ser, ele procura o há de pior na humanidade e se sente aliviado por não ter feito nada.
“E o voyeurista?”
-Não sei.

* * *

Dorian Gray, Dorian Gray – advertiu a mãe após ter feito a barba.

* * *

Abraçar a solidão: assim fazem as correntes do portão do castelo quando se recusam a abrí-lo.

* * *

Já contou até 2007 hoje?

* * *

Que acúmulo de diferentes olhares, risos, pausas, falas e reações eu fiz! Esse personagem é tão fantástico que eu mesmo não consigo vir à superfície! Ao longo dos anos coloquei traços de personalidade – imaginando reações que elas provocariam – no liquidificador, modelei um novo cérebro para meu corpo e me mandei calar a boca. Enquanto isso, espero minha vez de falar. Mas ele nunca termina. E se termina, sempre parece estar próximo de causar ou ser encontrado. Por algo imaginário, mas ele não me diz. E eu acredito nele.

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