terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Não pro 192

Nunca passei trote aos bombeiros
E por não ligar pra eles, às vezes eu sinto tanto medo
A casa esteve em chamas!
Quisera eu que a falta de materiais de combustão já fosse perceptível
Sinto medo. Medo de que eles cheguem mesmo que atrasados
Por outro lado, o retrospecto me é favorável
Esses salva-vidas do corpo, eu os conheço, andam com o tanque sem água
São boas as chances de não me decepcionarem
Me agarro!
Não a isso, veja bem, este não é mais o meu endereço
E tantas mãos podem se estender longe das cinzas entre si
Que, ao invés de sentir falta de amizades herdadas ou de costume
Sinto-me grato pelo presente de reconstrução
Desapegados novos amigos de gostos mil e agradáveis moças
De gentil singularidade artístico-estética receptivas
Mas não era o que eu sonhava?
Eu tinha passado do ponto, viajando, e não encontrava
Por isso mantinha sempre as malas perto de mim
E o odor barato daquelas comissárias de vôo, uniformizadas pelo mal gosto
Não se ofendam malas minhas. Meu apego por vocês foi sincero
Eu apenas não sabia que podia deixa-las no chão e seguir caminho
Quanto as comissárias de vôo, sou leviano demais para me preocupar
Com as instruções de segurança e despreocupado demais com dinheiro
Para aceitar seus sorrisos nas suas passagens em troca do ticket que eu comprei.
Esse lugar é bem melhor
E eu tenho que admitir que está ficando melhor a todo momento
Desde que eu acendi aquele fósforo
Um homem louco passou por mim um dia e perguntou o que eu estava fazendo
Eu estava parado na frente da minha casa...
- Esperando pela festa do outro fim de semana... – eu respondi
- Não te cansa gastar teus dias esperando por outro dia? O que fará nesse dia?
- Não sei... o de sempre...
- Por quê não vai embora, então?
- Ir embora...?
- Sim, fazer alguma coisa?
- Eu tenho uma casa aqui. Eu não vou embora assim sem mais nem menos...
- Incendeie ela, já que ninguém mais fará isso por ti. Assim tu pode fazer alguma coisa agora pra sempre.

Sem comentários:

Enviar um comentário