terça-feira, 9 de outubro de 2007

Sem guardanapo

Eu faço o que você chama de amor. Uso tinta, sol, pedra, papel, lápis de cor
Ah, meus desenhos precisam de papel, minhas palavras de ouvidos
Me sinta sem me escutar, você não sabe que pode. Sol sem universo, sensibilidade sem corpo, barre o sangue e o papel entre nós, só assim podemos não nos distrair e o mundo, por um momento, esquecer.
Ah, você não se vê em mim? Sem saias coloridas. Não! Com! E pernas peludas.
Consegue me ver?
Eu sento na sala e me sinto correndo. Por qual parque venho passeando?
Tênis com amortecedor, cão correndo na grama e a mulher vendendo suco de laranja recém tirada da árvore do terreno do meu vizinho que eu vejo da janela da sala.
Ah, eu estou de volta. É como se minha vida não existisse mais.

* * *

Nasci com asas de anjo e jamais houve qualquer problema em relação a isso, exceto o fato da própria natureza atribuir signo oposto ao rabo em forma de seta vermelho que sempre tive de esconder. Não é justo ser eu e os outros ao mesmo tempo, por isso, resolvi fazer um furo nas calças que visto e cometer aquilo que chamam de “meus pecados”, por aí.

* * *

De uma forma eu me movo pelo espaço.
Nele todas possibilidades, em mim, toda capacidade.
É complicado entre nós ter algo a proteger, ou melhor, o não-culpado para ver ser condenado. Muitas vezes fui jogado ao céu por mãos que me idolatravam e amaldiçoado por outras que me condenam.
Mas eu nunca fui a questão.
Sempre se tratou do suficiente.
Para nós.
Por isso, me batiam na mão quando queria servir o prato de novo ou comer o que não havia sido feito pra mim: não me perdoam por estar vivo e com a morte querem me punir, silenciando os que fazem por si, voto de silêncio.

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