Ensonhar. A primeira vez que eu desconfiei de que estava sonhando enquanto não dormia, não faz muito tempo. É coisa de um ano. Eu já sabia, mas não sabia que sabia. Tanto isso é verdade que o caminho que escolhi para encontrar a união dessa estrada à rodovia é tortuoso, difícil e complicado de encontrar, em meio a montanhas. Jamais imaginaria eu o que, exatamente, esperar, ou mesmo de que o presente me seria dado se eu me aliasse a morte. Essa última coisa foi a mais fundamental de todas e a mais assustadora também.
Sim, é preciso matar o ego para o auto-esclarecimento de todas as coisas, mas ao mesmo tempo, durante esse tempo, não podemos permitir que a ausência dele nos mate. Tal como um cavaleiro que deixou o escudo no chão para melhor manusear a espada para cortar o espaço e atravessar a cortina da dimensão de um lugar para outra, por um determinado tempo, lhe será impossível juntar o escudo do chão. É preciso ter coragem – mas não só isso e eu não saberia dizer o que mais – para desenfrear-se. É um almoço com a morte que dura alguns poucos meses. Alguns poucos meses pois entre o primeiro encontro com ela – e isso não precisa nos ser preferível para que não seja inevitável – a ansiedade entre um convite e outro dela, dura muito e a cada esquina que atravesso ao sair do meu prédio, olho para ambos os lados como alguém que foge de pagar o aluguel do meu corpo, para desaparecer dos olhos do nada que é o proprietário.
* * *
Falam de buracos negros no espaço. Estudam física quântica. Constroem naves e ônibus espaciais. Há ainda quem tema buracos negros. Sempre olham pra cima quando falam nisso ou pensam no lugar lá no alto. E dizem isso pra alguém quando conversam, sempre olhando nos olhos, de buraco negro para buraco negro.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
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