A perfeição é a primeira pessoa do plural no singular.
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Poeira, vento, frio, calor, tinta, papel. Em cada movimento ou iniciativa, o medo atrás de qualquer engodo.
Ah, mas para sempre defender a moradia?!
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Só nasce na hora quem, por maldição, nasce cedo demais. Para seu infortúnio, nasceram na época certa, do contrário, os outros teriam esquecido onde é a saída, digo, a entrada.
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Existe um e verdadeiro único lugar que só a falta de imaginação leva, logo, qualquer sobra dela, é relativa e limitada.
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Falando em imaginação, se se dispensassem as representações, e vivêssemos a parte delas, imaginar qualquer coisa seria impossível visto que o seu ato consiste, eu acredito, no retorno à cultura arcaica em meio a todas as mentiras, pois já estaríamos lá - aqui, ou seja. Quanto maior a capacidade de abstração e imparcialidade, maior a imaginação. Talvez aí não pareça então que a imaginação se perderia, mas perderia-se certamente, uma vez que na situação de seres civilizados, seria necessário uso dela para tentar reproduzir o que seria, quando na verdade, a coisa em si, se observada, tiraria a capacidade de qualquer ser de divagar sobre qualquer coisa. Não há mundo menor do que o universo das palavras e da linguagem, mas não há também nenhum outro que engana tão perfeitamente bem como este.
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Meu corpo, a hora, meu sol, tua mão, vem iluminar e aquecer, suavemente, o meio dia das minhas calças.
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Com as pernas nas tuas enroladas, jamais desejo saber qual é o meu quadril. Prefiro mais curtir o que, de olhos fechados, eu sei que entende, a perceber em uma leve mexida de cabeça o despencar por teu ombro, o outro travesseiro que no resto da noite nos separa.
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Mortos! Vivos! Não-nascidos! Somos todos contemporâneos na eternidade!
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A infância me deu chocolates. A maturidade, beijos, que se desmancham em duas bocas.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
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