sexta-feira, 29 de junho de 2007

Puta que pariu 27

Chego ao andar debaixo,
Passo pela porta corta fogo,
No corredor procuro por barulho
Não ouço qualquer ruído

Meus pés são leves,
A sola do sapato, dura
A porta do elevador se abre,
O vento não precisou abri-la e
O molho de chaves balançou até a fechadura

Um gato anda pelo corredor,
Aparência assustada típica de felinos,
Uma planta rente a parede faz promessa por sua urina,
E com desprezo, ele esfrega seu rabo por suas folhas

Até esse momento,
A fechadura pequena e lubrificada
Já foi contorcida pela penetração
Mas o gato estava ali fora

Quebro o vidro e aciono o alarme de incêndio
Só pra ver a boiada passar pela porteira
Lá fora esperam para serem marcados
E descem ansiosos pelo fogo e brasa do ferro
Não contavam que o homem ficara dormindo no galpão
Roncando sobre o pelego

A única porta que não se abriu
É onde vou entrar
Encosto o ouvido na porta pra ouvir o barulho dos talheres
Sinto cheiro de égua no cio
Abasteço seu cocho e bato na porta
Espero

Um alazão se aproxima da cerca,
Oculto meu engodo,
É da parte de um neurótico – me antecipo.
Ouço-o relinchar e mexer as orelhas,
O rabo de trancinhas, no momento, corre por outros campos,
Fico sabendo quando o cheiro de adubo prevalece

Não faz mal, asseguro a ele,
Sua baba é a ração diária do pé de tomates,
E ele deseja que todo dia alguém bata naquela porta,
O gato espantalho passa entre minhas pernas
E apanha um abridor de latas na gaveta da pia

A porta se fecha
Volto a porta corta fogo e penso comigo
Quantos prédios esse estelionatário irá atormentar?
Não é da minha conta,
Procuro por novos campos
Eu, ladrão de cavalos.

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