Entrando pela porta de trás,
o velho de bengala de sempre.
Traz lenços de pano em seus bolsos
e deixa o chapéu sobre o balcão.
De pouco se trataria se não,
mas era a constelação.
Vem a garçonete com a cafeteira –
escondendo o esmalte das unhas com a empunhadura.
Vem o menino moço cliente da sapataria,
No ombro o banco de graxa, o ar de zombaria,
Sem pensar que a rapadura teria
se não lhe sobrasse notável intenção.
A via láctea gosta de charutos,
usa bigodes e sente soluços,
e o chapéu não lhes dispensariam,
não fosse os ternos de dois cortes,
e a bengala que ao sentar, suas velhas nádegas confortariam.
Ali, Via Láctea, atrás do balcão,
escondendo a calvície como um menino com um
boletim à mãe, faria.
Pente no bolso de trás da calça, dinheiro na mesa,
fichas de sinuca na máquina registradora.
Fosse a constelação um sujeito à toa não o permitiria
abrir, ao pedir um pouco de si em petróleo, a féria do dia.
riscos no ar o recurso desenhará,
mas estes nem um raio de sol poderia fazer-se borrar,
pois é como o preto e o branco e o oposto, não soubesse, lhe poderia apagar.
Eis eu, estrela e outra estrela sentadas em cadeiras de palha junto ao proibido encosto do braço.
Outras estrelas perambulam por ali.
Todas estão explodindo a todo momento,
um bombardeio, ouvimos.
Olhamo-nos, bebemos.
Restauramos e como restaurados, continuamos.
- O que acha de nós sentados aqui?
Com todas essas estrelas explodindo. Na realidade, o que acha disso?
Nós que aqui estamos e por explodir esperamos, não já explodimos?
Essas explosões cujo o brilho reflete, bate em mim e volta, já não explodiram?
Conjugações como brinquedos da imaginação. Só chega até mim os ecos.
Quando toca, já não é mais e ao mesmo tempo nunca de fato é, pois nunca, por fim, se tornará. O que acha disso?
Esse movimento todo. Esse. E nós aqui, únicos ouvintes de nós mesmos
em todo o universo, nessa realidade.
- Me dá medo...
- A mim também!
E quase, um pouco, nos apagamos. Por isso, ascendemos.
sexta-feira, 29 de junho de 2007
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