O que mais amamos em nossos filhos, são os nossos genes.
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22-11-2006 – ônibus
Ultimamente, a ternura que ando revelando é a coisa mais lírica, mais doce, mais sincera que eu já vi esse grão de açúcar produzir. É tanta ternura que o meu tom de voz é convicto, gentil e realmente vem do coração. É loucura o nome que dão os que não podem sentir. E a sensibilidade é o que difere o homem do vegetal. Ah, me abraça de uma vez nessa lotação. Queremos ambos a mesma coisa. Não é estranho reagir como quem não sabe o que fazer? Como quem não está diante da situação? Vê em mim e em ti dois macacos e saberemos o que fazer. 23 anos. E o inverno finalmente termina. Quanta beleza me trás a primavera! Me faz quase abrir mão do verão. Quase. É apenas a primavera e eu já desabrochei ou estou para desabrochar. Que deleite maravilhoso ou veneno mortal me reservará o próximo solstício?
20h30 – casa
Nasci em 25 de junho. Quatro dia antes do início do inverno. Não sabia eu que essa estação duraria 22 anos. É por isso que eu me sinto tão bem por não tremer de frio num tempo que eu não escolhi. Que venha! Que venha, querida primavera e traga contigo a mesma intensidade ao dar à luz a vida, a beleza e a poesia com a mesma violência com que rios e riachos cujo fundo de linha fina turquesa não se associará a agulha de não servirá para costurar na terra junto à superfície congelada. É proibido patinar ou esquiar sobre o rio. O rio, por outro lado, proíbe que alguém deslize sobre ele. Ninguém é capaz de realmente viver, esquivando-se de suas escolhas. Mas estes ainda têm o cemitério.
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20-11-2006
“Pare!” – gritou o policial.
“Sente-se bem?”, eu perguntei.
Todos os papéis devem ser abandonados, todos os uniformes queimados. O homem é ator. Mas nesse teatro de cenário urbano, nesse quadro pós-moderno dos prédios e das casas da Polis que vivo, todo o significado deve ser desconstruído para que encontremos o significado. Eu sou o que sou. O que me atrapalha, às vezes, é que pessoas deveriam ser, não são. Eu amo todas elas, é claro, mas eu não sei porque elas não se amam.
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O mundo é. E o que eu faço nele é quem nós somos.
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A natureza está confinada e é refém do conquistador. Somente o homem pode levantar-se e abandonar esse adjetivo que só nos orgulha quando somos ainda jovens demais e ainda estúpidos demais.
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20-11-2006
Só há um caminho
Não adianta falar
Segue-o sozinho
E o sol irá encontrar
À beleza só te leva o amor
E seja como for
Nossas mãos, vamos dar
Amor, meu grande amor,
O sentimento que me umedece os olhos agora você sabe que existe
E eu quero tudo e o que eu não quero, também
Eu estou preparado
É tão lindo e é só amor.
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Amor é o nome que podemos dar aquilo tudo que a razão não pode contestar
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É tudo amor, mas é preciso olhar.
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Eu sou um cão ladrando pela refeição. Se sou um bicho do mato.
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Sou um servente, um lobo, um louco, não um
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Sou uma pessoa boa. O resto, são curiosidades.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
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