sexta-feira, 11 de julho de 2008

Passando pela cidade onde nasci. Só de passagem.

É caprichosa a natureza. Muitas frutas nascem e morrem no pé. Outras caem de maduras. E outras, não têm a mesma sorte.

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Odeio viajar de ônibus. Não sei como já não arranquei meu nariz fora de tanto que cocei, esfreguei e passei saliva. Não consigo deixá-lo em paz.
Quanto mais machucado, melhor, eu receio.

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Lancheria – 21h40
Ao meu lado um homem come um bife com queijo em cima. Ele tira o primeiro pedaço. Não prova doença nenhuma de onívoro, como me perguntaram há pouco tempo se eu não reconhecia dessa forma. Acredito que rastreei mais uma ingênua agressividade. Mas isso não é nenhum atenuante - a ingenuidade.
Uma lancheria é bem mais hostil do que se imagina. E infinitamente mais hostil do que se vê.

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Comer carne deixa burro e surdo. É facilmente comprovado estatisticamente. Basta fazer o pedido de um xis ou torrada sem presunto, hamburger, frango ou qualquer tipo de carne pra se ver diante do bloqueio. Seria hilário se não fosse tão frustrante.

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11h20 – passei de Estrela – Pensando sobre “O Mágico de Oz”, ele me parece um discurso sobre a chegada na vida adulta. Apenas um homem atrás da cortina. A quem chega a essa altura do caminho, “tornar-se quem se é”, não é mais visto como algo simples. Não há faixa de chegada, nem podium. Aqui morrem os deuses pela segunda vez.

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Aparentemente, ao alcance da visão de cada um em cada lugar, existem mil magos. Cada um deles oferecendo o que não preciso e pensando em segredo a pena que me será atribuída se eu não der ouvidos às suas loucuras. Ninguém mostra como cair no mundo.

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Estação Mathias Velho. Catracas. Esse é o meu mundo.

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