Ah, mas o vento me colocou fraudas por todo o corpo
Elas duram um dia, três se ninguém perceber!
Estou sentado sob o vácuo em frente a uma fogueira
Eu queria saber de onde saíram esses animais...
Sentado sobre uma toalha, não quero que as fraudas encostem a superfície
Haha, quanta petulância! Você é mesmo um idiota completo, veja isso na sua solidão.
Sinto um enjôo, parece que sinto o planeta girando.
Gostaria de estar em pé, mas nessa velocidade, quem tem coragem de se levantar?
Não queria deitar, mas se manter sentado parece tão cansativo.
Revezo o braço que fico escorado, vou para trás e para a frente de pouco em pouco tempo.
Bocejo! Não, mas não estou cansado, há tanta diversão pela frente...
Mas onde está o lugar que eu bocejei?! Eu estive aqui sentado!
Parece tudo igual. Parece!
Lua da noite, você continua aí. As árvores dobram-se e tentam nos pegar.
Não precisamos correr. É tudo imaginação, é sim.
Mas o que tem a frente dos meus pés?
Uma fogueira? Eu já vi essa coisa antes... é um fogão que os escoteiros usam...?
Escoteiros! Haha.... tem animais selvagens a minha volta.
Devo parecer selvagem também, mesmo que não saiba. Não devo temer.
Há algo sobre o fogo.
Na verdade, o javali, um dos animais ao meu lado, fabricou um fino metal com cabo feito de árvore e o macaco de rosto azul e laranja esculpido ao vivo na minha frente com cabelo longo igualmente de madeira, trocou um pedaço de animal por madeira fina trabalhada. O macaco trouxe o cadáver ao javali que cravou seu fino metal no mesmo.
Ele paira sobre o fogo mas ambos animais estão tão indispostos como eu que deixam o cadáver ali mesmo.
Ahh!!! O lugar se dobra! Desdobro, não. Me acalmo e ele volta a sua forma normal.
Não me atrevo a ficar de barriga pra cima, a pressão do céu pode me fazer vomitar.
Me ajeito de novo, meus braços estão cansados de se revezar enquanto permaneço bocejando e acordando em outros lugares.
Que frio! Não consigo nem colocar minha blusa. O vento vem forte e quase me sinto surfando sobre a terra. Destaco o buraco onde devia pôr a cabeça com as duas mãos para não ter erro, mas não tive coragem de atravessa-lo e o jogo longe, no chão. Já chega seu tecido parecer derrubar pó mágico por todos os lugares, não quero colocar minha cabeça ali e perder ela dentro de um buraco negro. Eu olho mais animais a minha volta. Cada um, um tipo, uma espécie, uma cor, mas todos vivos. Eu nem sei que bicho sou!
- Vou pegar o violão! – diz a cobra ao javali.
- Ah, vai ser tão bom se você tocar – responde a capivara.
Tocar? Violão? Eu já ouvi isso! Eu sei o que é! O violão! Bah que viagem, eu fazia aulas no Trauttman quando tinha 7 anos!
- Que que vamos tocar aqui... fala a cobra.
Ninguém diz qualquer coisa. O momento é bastante delicado.
Fizeram algo que já ouvi chamar de lanternas com garrafas de água de 5 litros. Não lembro qual deles fabricou aquilo, nem quem fez as velas. Estavam todas acesas. E essas velas, às vezes, se espalhavam sopradas pelo vento como luzes de lugares que eu já freqüentei que chamam de boates. Quando fico nervoso, o vento sopra, quando perco a noção a chama se diminui, então relaxo e o vento pára de soprar e a vela volta a brilhar como antes e mais forte ainda. Poderíamos fazer danças e ritos para afastar os mals espíritos que querem apagá-la!
A cobra coloca o violão sobre a barriga, nascem braços de seu corpo que o abraçam e movendo sua língua de tempo em tempo, ela pergunta:
- Ta... e agora...?
Como assim? Foi isso o que pensei. Eu gostaria de fazer alguma coisa com aquele violão, mas não me arrisco a levantar nessa velocidade absurda. Não tenho roupa de astrounauta e muito menos estou preso por um cabo pra me arriscar desse jeito.
A cobra não consegue tocar mesmo com seus braços, eis tudo.
Ela se cansa e bate os dedos nas cordas do instrumento.
- beuuuuuunnnnnn!!
Só eu vejo será esse som de papel celofane? Eles vendiam em papelarias, que mundo louco! O celofane está vindo pra cá, se esticam do braço do violão diretamente das cordas mas antes delas serem amarradas para que se aperte. As notas vêm vindo, vêm vindo!
Macaco! Macaco!! Ô macaco!!
Puxo o macaco pelo ombro.
Não ta vendo as notas vindo??!!!
O macaco olha pra mim sério e volta a ficar na posição inicial.
As cordas passaram.
Por que eu me sinto como se tivesse lhe feito algum mal se penso que fiz um bem?
- Vamos comer agora!
Comer? Os animais se aproximam do fino metal com cabo de madeira que segura o cadáver sobre o fogo. Eles estão comendo! Eu estou numa taverna no século XIV e os vikings se atracam com as duas mãos no cadáver, levam os pedaços até a boca e mastigam com olhar furioso, vendo-se seus dentes!
- Energia! Energia!! – diz um dos animais que eu não sei de que espécie é.
Eu me afasto deles. Finalmente me sinto apto a levantar. Não... não... essa não pode ser a realidade! Essa não é a realidade! Não! Mas com quem foi que eu vim parar aqui?!
Amanhã a gente levanta acampamento e vai embora antes do almoço. Pega o carro na praia, guarda as coisas na mochila, consegue o green, bebe umas long necks na estrada e chega em um restaurante a quilo.
Isso faz todo sentido.
domingo, 30 de dezembro de 2007
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