terça-feira, 20 de novembro de 2007

da transmissão de pensamento

Há tempos me perguntava como que aquilo que chamo de “minha identidade”, simplesmente não permanecia no mesmo lugar quando eu dava um passo pra qualquer um dos lados. Assim, tudo relacionado a mim e minha leitura da realidade, abandonaria meu corpo e permaneceria numa esquina, se eu mesmo fosse ao bar fazer algo que eu não me lembraria na hora. Tal como um cartão de memória, mas sem conteúdo de dados ou números binários. A consciência, interpretação e lembrança humana é uma necessidade fisiológica mais importante que todas as outras. Assim, a identidade do sujeito deixa de ser algo relacionado e de caráter pessoal e torna-se uma reação química estável ao estado do conjunto de coisas das quais ela é abastecida e separada em relação a um espaço infinito exterior e exposto. A desorientação da realidade se dá pela morte ou confusão generalizada dessa reação química e nisso pode-se ver a importância da mesma pois a manutenção do seu estado comum ou o não cessar dessa reação (identidade) é indicativa aos outros sub-membros dessa unidade “corporal” reativos da condição de estabilidade. Uma vez desorientada a última reação de leitura exterior, as outras partes perdem a referência e unificação, agindo de forma estranha que poderia ser compreendida pelo sujeito com uma palavra que existe para melhor compreensão da coisa: despedaçamento.
O interessante parece ser que não sendo algo físico a inteligência, e aí eu me permito, então, referir-se a essa necessidade fisiológica ativa, de alma, me parece que ela não fica na esquina quando eu me afasto do local onde eu estava porque ela simplesmente não existe, de fato, e eu não a levo para lugar algum, isto é, o fato dela “estar” dentro do meu corpo (minha cabeça, que seja), é igualmente ilusório. Antes disso, vivemos num espaço no qual o seu estado nos provoca essa identidade em todos os lugares, contínua, ininterrupta e renovavelmente. Qual elo permite que ela não se desvincule nunca de uma linha de entendimento a partir da qual compreende as outras coisas? A condição.

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