quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Pela teimosia de viver
A minha cama é o trem, o meu sonho é o nascer do sol e ali eu durmo. Pelas sombras da janela desenha ele em meu rosto doces notas do seu charme sutil. Seu jeitinho inocente, nascendo despreocupado, lindamente desinteressado, ilumina a estrada de ferro, joga seu balde de tinta na parede, colore os olhos detrás das pálpebras. Interessa-lhe unicamente queimar onde há escuridão afirmando sua existência com o fervor. Queima sol, queima e continua existindo por si que daqui onde não te alcançam as minhas preces, a tua distancia é o que me faz te desejar. A minha distancia de ti é o que faz-me desejar lançar o corpo na tua pele de fogo e cinza se tornar. Completude, só pra acabar com a solidão. Podemos ser um só. Não posso fazer-te parte de mim, mas o contrario é possibilidade. Aí eu estaria perdido pra sempre. Há desejos tão implacáveis que não nos permitem suas realizações de na memória se alojarem e guarda-los como comprovante de vaidade, afim de eliminarmos a cogitada sombra eterna da nossa feiúra. É artigo de curiosidade dos que ficam vivos mas não intriga a muitos. Pelo bom e ruim que fizemos, é triste ter que com isso nos contentar e não poder viver uma paixão tão forte que possa me matar.
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