quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Parede da minha alma

Um certo dia resolvi pintar a sala.
Havia matado a aula depois de escolher cuidadosamente as cores para comprar a tinta que reconstruiria a atmosfera do meu recanto. Duas cores eram suficientes, completando-se como um dado de duas partes de papel, eu me sentiria revestido.
No contexto do que já havia, do sofá laranja com pequenos bancos ao lado com assento verde e outro laranja e outros mais altos das mesmas cores, diante de uma mesa estilo americana que repartia a cozinha com um aéreo que ficava de frente pra um quadro que melhor seria pendurado de cabeça pra baixo em tons verdes, amarelos, laranjas, amarelo e vermelho.
Vinho e amarelo fosco será.
Faltava-me baseado pra pintar e isso fazia tudo ficar um pouco menos divertido depois de cobrir todas as coisas da sala. Minha mãe ainda chegava na madrugada, queria terminar o máximo que desse. Assim como o chão vermelho, pintei a parede oposta a sacada com a mesma tonalidade escura, assim como o teto e, ao redor, de amarelo fosco. Ficou perfeito.
Colei uma foto de Gandhi, Frida e Einstein sentados num café, abaixo do interruptor e gostei.
Com o que sobrou de tinta amarela escrevi RELO sobre a parede vinho.
E na minha esquerda, da outra cor, não fiz nada.

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