Sim, eu acho que ninguém vai se importar se eu comer essa carne
Não, eu não sei que o alguém que observa o faminto tem dentes
Eu que estou satisfeito sei que quem me observa não está
Não é comida o que desejam
Me desviam o olhar e esperam que eu fale
Eu não consigo ser companhia de alguém que tem dentes
Eu não acredito que tenho na boca algo além da lingua
Duas pernas pra andar, uma mente pra pensar
Dois braços que não abraçam para jogar
Ou para matar
Eu que estava sentado na areia quando o sol virou as costas
Quando olho para o infinito de um lugar que me expreme
Como posso suportar?
Mas está tudo bem
Acho que não é tão ruim assim
Ainda posso latir
Mas não sei mais abanar o rabo
Orelhas ao lado da minha cabeça para que eu não ouça quem está à minha frente
Eu devo ter olhos apenas para as estrelas.
É doloroso ver o brilho difuso de uma constelação estando distante
Eu não confio em alguém que tem dentes
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário