Nem um rolo de palavras mágicas!
Assim escolhi Pedro para que numa receita de bolo eu quebrasse o seu encanto
Num recorte de curiosidades, indiferente, antecipou-se
Pouco haveria sido, mas não prosseguiu
A expectativa das pedras cercaram-no de atenção
E então, Pedro, sentiu-se a vontade para mergulhar em seu próprio lago
Nenhuma resposta procurava em particular
Apenas concordava em mergulhar e não voltar até achar algo, ilustrando seu silêncio
Mas neste campo de bruxas e pagãos, quem conhece todos encantamentos?
Pedro deitou-se com as palavras e elas germinaram no decoro de sua paciência
A raiva de si mesmo diante das pedras a colorir o seu pesadelo
O verde e rosa, impresso em suas pupilas, sem nunca terem sido carregados
E a fragilidade do sopro em preto e branco da verdade
Ofuscado e calado pela escolha que o relega ao desinteresse
Pedro sentiu vontade de falar e cantar outra coisa
Mas parecia impróprio interromper o deleite dos curiosos
E sua boa vontade encheu-se ainda mais de cólera
Para que existes, Pedro? É preciso coragem diante da vida. Para onde vais tão machucado?
Pedro não respondeu. Não era do seu perfil dizer nada.
Era capaz de andar quando não lhe ajudavam, caminhava pelas ruas pavimentadas
Com um rifle enferrujado de mira torta, pendurado nas costas
Quando aproximava-se de alguma aldeia, então, Pedro, não largava o rifle
Mas aproveitava para acertar o passo e o ritmo da marcha
Ao ser recebido pelos moradores que caminhavam ao seu lado.
Poucos que eram numa vila que terminava no fim da rua, de tempos em tempos
Caminhava Pedro sozinho, ao tentar encontrar a rua sem fim, uma cidade-espetáculo.
Pedro ferido!
Onde?! Alguém poderia ver ou perceber os esparadrapos através de suas calças?
Mancha de sangue escorrendo pelo vazio do silêncio
E a suposição do tiro tomado, sugerido pelas roupas camufladas e o porte do rifle
A desvanecer qualquer indício honroso da hemofilia.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Muito bom!
ResponderEliminar