A minha personalidade é a boca de um cão, salivando. Eu explico: há cem anos um doutor fez uma experiência num laboratório, cheio de cães. Pouco antes de alimentar a população de animais nos quais fazia a experiência, o doutor tocava uma campainha que todos os animais ouviam. Em seguida vinha ele com a comida de cada um deles e os animais se alimentavam. A experiência se repetia sempre. A cada vez que os animais iam ser alimentados, eles ouviam aquela campainha e logo depois recebiam a comida.
Um tempo depois, os cães se acostumaram com o barulho da campainha e tão logo que o doutor a tocasse, eles já estavam com a boca salivando. Se babando, literalmente. Ele pôde observar que o barulho da campainha estava aos animais associados com a hora de se alimentar e toda vez que a campainha tocava, eles podiam não receber comida, mas ficavam perto das grades, salivando. Essa é a minha personalidade. E por isso, talvez me seja tão difícil me livrar dela. Talvez não personalidade propriamente. Essa é a persona que vive dentro de mim. É o meu lado medroso. Salivo ininterruptamente! A campainha é o simples acordar. Aliás, mesmo dormindo é como se eu estivesse ouvindo a campainha.
Eu só percebo que é a campainha e não a comida em um breve momento em que percebo que ela e tão somente ela está sendo tocada para enganar-me. Nesse momento eu sei que eu não tenho nada para esperar e finalmente me vejo em mim novamente, como se fosse a primeira vez.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
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