quinta-feira, 6 de março de 2008

Supernova

Meus olhos funcionam. O cérebro é vesgo. Não há coisa mais entediante do que pensar no futuro. Eu ainda nem lavei aquela louça, nem tomei aquele banho, nem cortei as unhas. O cabelo cresce rápido demais. Ainda não ouvi todas as músicas por vezes suficientes.
Se eu arrumasse o apartamento, talvez tivesse ânimo para dar um passeio de bicicleta antes que o verão termine.
Pensar em dinheiro me frustra. Devê-lo me deixa inerte. Existem becos com saídas. Existem caminhos desconhecidos que apenas o insistente estar permite conhecer. Ser testemunha do teu abandono e corpo abraçado pela tua absoluta solidão.
Eis então, meu amigo. Quem você pensava que era? Quanto esforço empregou, ou melhor, de quanto se privou para continuar seguindo estes patos indo até a lagoa? Que costumes adquirir? Que hábitos adotar? Que argumento relevar? Que amizade reconhecer? Partir do nada.
Vidas simultâneas, futuro alternativo. Não deixar de morrer jamais. Tantas vezes quantas forem o número de vidas.

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