quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Lady Sometimes, a dama do tempo

Em algum lugar na consciência, eu não existo.
Aqui sentado, escrevendo isso existo sim, sei sim.
Mas nunca não me engano.
Quando deixo o corpo no descanso do molho de chaves
Eu sei que de fato nada existe em mim
E esse nada, mais que tudo, deixa estado sem fim
Por toda presente do que existe em si – e eu não estou falando com ninguém
Como poderia? São as palavras e a virgem Maria
As paredes ou mesmo a porta que “mantém a minha segurança”
São mais perigosas que qualquer intruso
Elas vem depois do espaço entre eu e a porta. Espaço, espacial.
Mas tal como água e óleo jogados num copo d’água
Eu já não sei o que é um e o que é outro
Nem quero pensar nisso! Vai que a irracionalidade deste momento encontre neste observador motivos que comprovem na sua mente que sujeito ele não é para estar observando, sem conseguir explicar isto ou então, ficar sem enxergar, que é o que deveria acontecer nesse caso, a inexistência! Estou observando? Estou? Óleo, água e o que mais? Eu! Eu! Eu! No copo d’agua! Sem copo! Onde está o copo? onda está a água? E diluo não... como um doce de criança, como vaca preta, o sorvete e o refrigerante já foram tão mexidos pela colher impiedosa que não sei mais... eu? Existe?
Não saio de mim, nisso havia me enganado. Nunca estive. Nem quando tudo estava bem. Isso não tem a ver com mudança, mas com compreensão. E é tão insuportável compreender o incontestável. Eu não nasci, mas já morri e esta é a verdade de verdade mesmo. Consegui acho.... não encontrei ainda mais sobre mas acho que consegui um pouco. Tento não estragar agora pois preciso que eu – quando estiver lendo interessado em refrescar memórias e procurando companhia – reconheça neste texto minhas próprias palavras e voz a muitos sem sentido, como algo que, de certa forma, eu escrevi, na verdade, sem nunca ter escrito. Aparentemente sem sentido, de difícil compreensão, acho positivo, embora não tenha sido o propósito. Não é poesia, tampouco metáforas. A quem se refere o texto saberá o leitor e, no caso de não saber, continuará se referindo até a mim mesmo.

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