segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Meia volta, Santa Maria

Intrusos!
Ao longe onde morre o sol claro
Cintilam cores quentes e frias
Por detrás das árvores, cabelo da terra
Fios firmes e duros de resistência capilar
Dá à luz braços, folhas e frutos que o astro rei não atravessa.
Ali onde vêm pousar os mosquitos
Na silhueta dos fios não arrancados
Paira a luminosidade sangrenta que a noite corta
Pingando suavemente nos sádicos olhos gotas de contemplação
De costas pra morte que traz a sombra e a escuridão
Não se deixa de notar pelo silêncio frio do vento leste
O arrastar de estrelas que machucam nossa barriga
Como esporas de botas estranhas rasgando o céu azul
Aqui o chão se torna negro como no outro lado
Entre nós a cinza palidez do asfalto
Como pontos na cabeça de nossa boa mãe
Estrada, estrada, estrada
Cidade, cidade, cidade
Cresce, cresce, cresce!
No insuportável verão teremos uma peruca nova
E, por isso, devemos todos relinchar

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